SEST SENAT defende flexibilização para categorias profissionais em audiência pública na Câmara dos Deputados

Comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa mudanças no Código de Trânsito Brasileiro debateu redução da idade mínima para habilitação O SEST SENAT defendeu a revisão dos critérios de acesso às categorias profissionais de habilitação durante audiência pública realizada na quarta-feira (15), na Câmara dos Deputados. O debate ocorreu no âmbito da comissão especial que analisa propostas de alteração no Código de Trânsito Brasileiro (PL nº 8.085/2014). Representando a instituição, o coordenador de Educação Profissional do SEST SENAT, Christian Riger, destacou que a escassez de motoristas profissionais já impacta diretamente a produtividade do transporte no Brasil e tende a se agravar sem mudanças estruturais na formação de condutores. Segundo ele, o país perdeu cerca de 1,4 milhão de motoristas na última década, passando de 13 milhões, em 2015, para 11,6 milhões, em 2025. Além da redução no contingente, há uma mudança no perfil etário da categoria: a participação de profissionais mais jovens diminuiu, enquanto aumentou a presença de motoristas com mais de 60 anos. Diante desse cenário, Riger defendeu a eliminação da idade mínima de 21 anos para acesso às categorias D e E e da exigência de tempo mínimo entre categorias. Para o SEST SENAT, os critérios atuais não garantem, por si só, a qualificação prática dos condutores. “O critério temporal não assegura experiência. É possível substituí-lo por modelos estruturados de formação, com avaliação de competências e prática supervisionada”, afirmou. Ele comparou a situação com a aviação civil, na qual é possível formar pilotos a partir dos 18 anos, sob rigorosos protocolos de capacitação. O coordenador ressaltou ainda que o SEST SENAT já tem expertise consolidada na formação profissional de motoristas, com cursos voltados ao desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais, sempre com foco em segurança viária. Segundo ele, a instituição está preparada para adaptar seus programas a eventuais mudanças na legislação. Debate sobre o Código de Trânsito A audiência integra a análise de cerca de 270 propostas de alteração no CTB, incluindo a possibilidade de condução supervisionada a partir dos 16 anos. Relator da comissão, o deputado Áureo Ribeiro (SOLIDARIEDADE/RJ) destacou que muitos adolescentes já dirigem de forma irregular, antes da idade mínima legal, sem qualquer formação, o que eleva os riscos no trânsito. A sessão foi presidida pelos deputados Coronel Meira (PL/PE) e Fausto Pinato (PP/SP) e reuniu representantes do setor, especialistas e entidades da sociedade civil, que apresentaram diferentes perspectivas sobre a formação de condutores e os impactos da eventual redução da idade mínima para a habilitação. Confira a audiência na íntegra aqui. Por Agência CNT Transporte Atual
25ª edição do Seminário Brasileiro do Transporte Rodoviário de Cargas reforça legado e projeta o futuro do setor em Brasília. Faça já sua inscrição!

Evento celebra 25 edições desde 1999 e reúne lideranças para debater os principais desafios e caminhos do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil No dia 6 de maio de 2026, às 8h30, será realizada, em Brasília (DF), a 25ª edição do Seminário Brasileiro do Transporte Rodoviário de Cargas, no Auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados. Consolidado como um dos mais importantes fóruns de discussão do setor, o Seminário chega à sua edição comemorativa de 25 realizações, marcando uma trajetória iniciada em 1999, sempre pautada pelo diálogo institucional e pela construção de soluções para o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil. A iniciativa é promovida pela Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados, em parceria com a NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, e conta com o apoio institucional do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL) e da FuMTran (Fundação Memória do Transporte). Ao longo de sua história, o evento tem desempenhado papel fundamental na aproximação entre o setor produtivo e o poder público, contribuindo para o avanço de pautas estratégicas e para o fortalecimento do Transporte Rodoviário de Cargas como pilar do desenvolvimento econômico e social do país. Nesta edição, os debates estarão centrados em temas de alta relevância para o setor, como a aplicação prática da Lei nº 14.599/2023, no que se refere a seguro de cargas – com foco na insegurança jurídica e nos conflitos interpretativos –, e a análise da Lei nº 13.703/2018, que institui a Política Nacional dos Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, abordando seus desafios regulatórios, entraves jurídicos e impactos no mercado. Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, esta edição carrega um significado especial por simbolizar a continuidade e pertinência do Seminário ao longo de décadas. “Celebrar a 25ª edição deste Seminário é reconhecer a força de um espaço que, desde 1999, promove o diálogo qualificado entre o setor e o poder público. Ao longo dessas edições, acompanhamos transformações importantes e contribuímos ativamente para o desenvolvimento do Transporte Rodoviário de Cargas. Ao trazer, para o centro de debates, temas sensíveis como o seguro de cargas e o piso mínimo de frete, esta edição ratifica nosso compromisso com a segurança jurídica, a previsibilidade e o equilíbrio nas relações do setor, além da construção de um ambiente cada vez mais eficiente, seguro e sustentável para a atividade” – enfatiza Rebuzzi. A edição de 2026 reafirma o empenho das entidades organizadoras em dar continuidade a esse legado, promovendo debates consistentes e alinhados às demandas do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil. Faça sua inscrição aqui. Programação Preliminar 9h às 10h | Solenidade de Abertura Composição da Mesa (convidados) l Deputado Federal Hugo Motta – Presidente da Câmara dos Deputados (a confirmar) l Deputado Federal Cláudio Cajado – Presidente da Comissão de Viação e Transportes l Deputado Federal Gilberto Abramo – Autor do requerimento para realização da 25ª edição do Seminário l George Santoro – Ministro dos Transportes (a confirmar) l Vander Costa – Presidente do Sistema Transporte (CNT / SEST SENAT / ITL) l Eduardo F. Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística l Guilherme Theo Sampaio – Diretor-Geral da ANTT 10h às 11h | 1º Painel Tema: Seguro no Transporte Rodoviário de Cargas: a aplicação da Lei nº 14.599/2023 na prática Abordagem Insegurança jurídica, conflitos interpretativos e seus reflexos para os transportadores Presidente da Mesa l Deputado Federal Cláudio Cajado – Presidente da Comissão de Viação e Transportes Coordenação l Eduardo F. Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística Palestrantes convidados l Alessandro Serafin Octaviani Luis – Superintendente da SUSEP l Marcos Aurélio Ribeiro – Diretor Jurídico da NTC&Logística 11h às 12h | 2º Painel Tema: Lei nº 13.703/2018 – Institui a Política Nacional dos Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas Abordagem Entre a regulação e a realidade do Transporte Rodoviário de Cargas: análise das distorções interpretativas, entraves jurídicos e reflexos no mercado Presidente da Mesa l Deputado Federal Cláudio Cajado – Presidente da Comissão de Viação e Transportes Coordenação l Eduardo F. Rebuzzi – Presidente da NTC&Logística Participação a convite l Luiz Fux – Ministro do Supremo Tribunal Federal (a confirmar) Palestrantes convidados l Guilherme Theo Sampaio – Diretor-Geral da ANTT 12h | Encerramento Realização ● Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados Apoio ● NTC&Logística – Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística Apoio Institucional ● Sistema Transporte (CNT – Confederação Nacional do Transporte / SEST SENAT – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte / ITL – Instituto de Transporte e Logística) ● FuMTran – Fundação Memória do Transporte Apoio Logístico ● Brasspress Fonte: NTC&Logística
CNT defende multimodalidade como pilar do planejamento logístico no PNL 2050

Entidade reforça integração entre modais e alinhamento entre planejamento e investimentos durante o 3º Summit Connect Infra, em São Paulo Durante o “3º Summit Connect Infra – Conectando Transportes, Aproximando o Brasil”, a CNT defendeu a multimodalidade como solução estruturante para superar gargalos históricos da infraestrutura brasileira. Promovido pela FPPA (Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos) e pelo IBI (Instituto Brasileiro de Infraestrutura), o evento reuniu, nessa segunda-feira (13), em São Paulo (SP), lideranças públicas e empresariais para debater os rumos da logística nacional. A CNT foi representada pela assessora da Diretoria de Relações Institucionais, Maria Carolina Noronha, durante o painel “O Plano Nacional de Logística (PNL 2050) e a Multimodalidade”. No debate, ela reforçou a importância do planejamento estruturado como instrumento essencial para ampliar a eficiência logística, integrar os diferentes modais de transporte e otimizar os investimentos públicos e privados em infraestrutura. Ao longo de sua apresentação, Maria Carolina Noronha destacou que o PNL 2050 representa um avanço na consolidação de uma cultura de planejamento no Brasil. “O PNL, especialmente em sua versão com horizonte até 2050, representa um avanço importante na consolidação do planejamento de longo prazo no Brasil. Mais do que um instrumento técnico, ele expressa um esforço de coordenação do Estado na organização do sistema logístico nacional”, afirmou. Ela ressaltou ainda que a multimodalidade deve ser entendida como integração eficiente entre modais, e não como competição. “Não se trata de promover concorrência entre modais, mas, sim, de reconhecer que eles são complementares”, pontuou. Segundo a CNT, a articulação entre rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e navegação é fundamental para elevar a produtividade, reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do Brasil no mercado global. O PNL 2050 é o principal instrumento estratégico para orientar o desenvolvimento do setor no país. Integrante do PIT (Planejamento Integrado de Transportes), instituído pelo Decreto nº 12.022/2024, o Plano busca alinhar planejamento, investimentos e execução, com foco na definição de corredores logísticos prioritários, eliminação de gargalos e ampliação da capacidade operacional da infraestrutura existente. A CNT atua, de forma propositiva, na construção do Plano, contribuindo com diagnósticos regionais, propostas de soluções estruturantes e participação ativa nas discussões sobre cenários futuros e na definição de projetos prioritários. Ao encerrar sua participação, Noronha reforçou o papel do planejamento como instrumento de transformação do setor. “O planejamento cumpre plenamente seu papel quando contribui para qualificar a tomada de decisão pública. O que está em jogo é a capacidade de o Brasil construir um sistema logístico mais eficiente, integrado e preparado para os desafios do futuro”, destacou. Infraestrutura e ambiente de investimentos Durante o evento, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ressaltou a importância da infraestrutura para o crescimento econômico do país. “Comércio exterior é desenvolvimento. Para isso, precisamos ter boa infraestrutura. Necessitamos de planejamento, com segurança jurídica, projetos e parcerias, para melhorar a infraestrutura do nosso país”, afirmou. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou o bom momento que o setor de infraestrutura do país está vivendo. “O Brasil vive um ciclo importante de investimentos em infraestrutura, com forte participação do setor privado. O papel do Ministério é garantir segurança jurídica, estabilidade regulatória e bons projetos para que esse ambiente de confiança se mantenha e continue atraindo investimentos para o país”, disse. Por Agência CNT Transporte Atual
Relator apresenta parecer favorável à redução da jornada, mas pedido de vista adia votação na CCJC

Relatório considera propostas constitucionais, mas alerta para riscos de rigidez e impactos setoriais O relator, deputado Paulo Azi (UNIÃO/BA), apresentou, nessa quarta-feira (15), parecer favorável à admissibilidade das PECs (Propostas de Emenda à Constituição) nº 221/2019 e nº 8/2025 na CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados. As propostas tratam da redução da jornada de trabalho e de alterações na escala semanal. A votação do relatório, no entanto, foi adiada após pedido de vista conjunta dos deputados Lucas Redecker (PSD/RS) e Bia Kicis (PL/DF). A análise deve ser retomada em até 15 dias. Na CCJC, a avaliação se limita à admissibilidade das matérias. Em seu parecer, o relator conclui que não há impedimentos constitucionais para a tramitação das PECs. O relator, em seu parecer, recomenda cautela quanto ao formato de eventual redução da jornada. Segundo Azi, uma carga semanal de até 40 horas estaria mais alinhada às diretrizes atualmente em debate no governo federal. O relatório destaca o papel da negociação coletiva como eixo central para eventuais mudanças. De acordo com o parlamentar, as audiências públicas realizadas sobre o tema indicaram convergência em torno da adoção da escala 5×2, desde que seja preservada a autonomia entre empregadores e trabalhadores. “Os atores sociais defendem a adoção da escala 5×2, mas sem prejuízo da manutenção da negociação coletiva como instrumento eficaz para considerar as particularidades de cada setor”, registra o parecer. O documento também alerta para o risco de “engessamento” ao se inserirem modelos rígidos de jornada na Constituição, o que pode limitar soluções específicas para setores com dinâmicas próprias, especialmente aqueles que operam de forma ininterrupta. Impactos para o transporte e os custos logísticos O parecer incorpora contribuições de entidades empresariais e confederações, com destaque para o posicionamento do Sistema Transporte. A CNT defende que eventuais mudanças na jornada sejam conduzidas por meio de negociação coletiva, considerando as especificidades operacionais de cada segmento. Segundo o relatório, o setor de transporte já enfrenta déficit de profissionais qualificados. Com isso, a redução da jornada pode comprometer a eficiência operacional e gerar impacto direto sobre os custos logísticos. O texto também aponta risco de efeitos em cadeia sobre a economia, com possível repasse de custos ao longo da cadeia produtiva e pressão inflacionária. Nesse contexto, o parecer menciona experiências internacionais, especialmente europeias, indicando que processos de redução de jornada demandaram mecanismos de compensação e apoio governamental para mitigar impactos econômicos. Parâmetros constitucionais e efeitos indiretos O relator ressalta que a Constituição estabelece atualmente apenas o limite máximo de 44 horas semanais e oito horas diárias, sem definir modelo específico de escala. “A Constituição não prevê, atualmente, uma escala de trabalho específica. O que se assegura é o direito ao repouso semanal remunerado. A incorporação de uma escala fixa pode gerar engessamento excessivo”, aponta o documento. O texto reforça que o tema é mais aderente ao âmbito das negociações coletivas, que permitem considerar particularidades setoriais e regimes especiais, como escalas 12×36 e 24×72. Nesse sentido, o relatório alerta que eventuais mudanças na jornada padrão podem produzir efeitos indiretos sobre essas modalidades, ao alterar os parâmetros de cálculo atualmente utilizados. Tramitação Com o pedido de vista, a tramitação das propostas fica temporariamente suspensa na CCJC (cinco sessões de Plenário). Após a retomada e eventual aprovação do parecer, as PECs seguirão para a análise de mérito em comissão especial. Nessa etapa, a discussão sobre impactos econômicos e setoriais — especialmente para áreas como transporte e logística — tende a ganhar maior protagonismo. A previsão é que o texto seja deliberado no dia 28 de abril. Estudo aponta impacto bilionário no transporte Levantamento encomendado pela CNT indica que a redução da jornada de trabalho pode gerar impacto de R$ 11,88 bilhões para o setor de transporte, com reflexos diretos sobre custos operacionais, produtividade e oferta de serviços. A análise também aponta possíveis efeitos em cadeia na economia. Confira os detalhes do estudo na Agência CNT de Notícias. Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados Por Agência CNT Transporte Atual
Intermodal 2026 evidencia força do setor e agenda de transformação do transporte e da logística no Brasil

Presidente do Sistema Transporte destaca multimodalidade, responsabilidade fiscal e desafios, como jornada de trabalho, diesel e descarbonização O Sistema Transporte marcou presença na abertura da Intermodal South America 2026, nessa terça-feira (14), em São Paulo (SP). A cerimônia destacou a importância da integração entre modais e o avanço dos investimentos em infraestrutura no país. Em sua 30ª edição, o evento reuniu lideranças públicas e privadas para discutir os rumos da logística nacional. Durante a cerimônia, o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, afirmou que a Intermodal simboliza a missão de promover a integração do setor. Segundo ele, o desenvolvimento da infraestrutura deve ocorrer de forma coordenada entre os diferentes modais. “Não adianta ter porto moderno se não houver rodovia eficiente”, disse. O presidente ressaltou que o país vive um momento favorável em relação aos investimentos públicos e privados e defendeu a continuidade desse movimento com responsabilidade fiscal. “A CNT apoia o investimento público o máximo possível, desde que haja responsabilidade fiscal, pois o Brasil precisa controlar os gastos para reduzir a inflação e garantir um ambiente de negócios mais favorável”, afirmou. Também destacou a importância de ampliar a participação da iniciativa privada por meio de concessões. Vander Costa chamou a atenção para a relevância da multimodalidade e da ampliação do uso de modais mais sustentáveis, como o aquaviário e o ferroviário. Apesar disso, apontou entraves, especialmente no licenciamento ambiental, que têm dificultado o avanço de obras estratégicas. Redução da jornada Outro tema abordado foi a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. O presidente citou um estudo técnico da CNT divulgado recentemente que aponta a necessidade de contratação adicional de 240 mil trabalhadores para viabilizar a medida, contingente atualmente indisponível no mercado. Ele alertou para possíveis impactos econômicos, como aumento de custos, pressão inflacionária, redução de salários e perda do poder de compra, defendendo que o debate seja conduzido com cautela e no âmbito das negociações coletivas. “O salário real vai cair para todo mundo, porque não é possível reduzir a jornada, aumentar o número de trabalhadores e evitar o aumento da inflação”, afirmou. Diesel O cenário do óleo diesel também foi destacado como ponto de atenção. Vander Costa abordou os efeitos do contexto geopolítico internacional sobre o abastecimento e os preços do combustível. Segundo ele, embora o aumento de custos seja indesejado pelo setor, o principal risco, neste momento, é o desabastecimento. Nesse contexto, ponderou que é preferível enfrentar preços mais elevados a lidar com a falta do insumo, essencial para o transporte de pessoas e mercadorias. O presidente ressaltou ainda que há limites para a atuação do governo na contenção de preços, especialmente em relação à responsabilidade fiscal. “É melhor ter o combustível, ainda que mais caro, do que correr o risco de faltar diesel para o transporte. Precisamos tratar o tema com serenidade, considerando as restrições fiscais e o cenário internacional”, afirmou. Interlog Summit A atuação do Sistema Transporte na Intermodal também se estendeu aos debates técnicos. Vander Costa participou do painel sobre a agenda climática no transporte e na logística no Brasil, com foco nos desafios da descarbonização. Com o tema “Agenda Climática Global: diretrizes estratégicas para a transformação do transporte e da logística no Brasil”, o debate abordou os desdobramentos da COP30 e os impactos das novas diretrizes ambientais sobre as cadeias logísticas. A discussão destacou a necessidade de transformar compromissos globais em estratégias operacionais e decisões de investimento. Também participaram do painel Felipe Queiroz, diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), e Alessandra Fajardo, diretora do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), sob a mediação de Pedro Moreira, presidente da Abralog (Associação Brasileira de Logística). Para o presidente do Sistema Transporte, a transição deve seguir uma abordagem pragmática, considerando a diversidade operacional do país. Entre as propostas defendidas, destacam-se a renovação da frota de veículos pesados como medida imediata para a redução de emissões; o incentivo a combustíveis de menor intensidade de carbono, como biodiesel e biometano; e o avanço da integração multimodal, com estímulo à ferrovia e à cabotagem. Ele destacou que não há solução única para a descarbonização. “Não há uma ‘bala de prata’. Precisamos de soluções diferentes para problemas diferentes”, afirmou. O presidente também ressaltou que veículos mais antigos emitem mais poluentes e impactam diretamente a saúde da população. “Renovar a frota é uma medida prática e imediata para reduzir emissões e melhorar a qualidade de vida, especialmente enquanto tecnologias, como veículos elétricos, ainda têm custo elevado”, disse. No campo regulatório, destacou os avanços nas concessões rodoviárias, com melhorias na qualidade das vias, na sinalização e na fluidez do tráfego. Também mencionou o pedágio eletrônico sem barreiras (free flow) como inovação relevante. Intermodal South America A Intermodal South America é um dos principais eventos de logística e transporte da América Latina, reunindo empresas, especialistas e autoridades para a apresentação de soluções e tendências do setor. Nessa edição, que ocorre de 14 a 16 de abril, o Sistema Transporte conta com estande institucional, onde apresenta iniciativas e serviços da CNT, do SEST SENAT e do ITL, com foco no desenvolvimento estratégico do transporte e da logística no Brasil. Por Agência CNT Transporte Atual
Redução de jornada no transporte: sem transição e sem profissionais, o custo chega à mesa do brasileiro

A FETRANSUL toma posição clara no debate nacional sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Trata-se de uma discussão legítima, porque toda sociedade deve buscar melhores condições de trabalho, mais qualidade de vida e relações laborais mais modernas. No entanto, mudanças dessa magnitude precisam ser analisadas com responsabilidade, com base em evidências e levando em conta as especificidades de cada atividade econômica. No transporte, decisões uniformes podem produzir efeitos severos sobre custos, emprego, produtividade e abastecimento. O que diz o estudo técnico citado pela CNT Um setor essencial, contínuo e sensível a custos O transporte de cargas não opera em janelas curtas nem em ciclos simples. Ele sustenta cadeias produtivas, abastece cidades, conecta indústrias, viabiliza exportações e garante a circulação de insumos, alimentos e bens de consumo. No Rio Grande do Sul, essa realidade é ainda mais evidente, dada a forte dependência do modal rodoviário para a movimentação de cargas. Por isso, qualquer aumento abrupto de custo ou redução de produtividade no setor repercute muito além das empresas transportadoras. O efeito alcança embarcadores, indústrias, comércio, agronegócio e, ao final, chega ao consumidor. O problema se agrava porque já faltam profissionais A proposta de redução da jornada incide sobre um setor que já convive com escassez de mão de obra. Levantamento da CNT aponta que 65,1% das empresas do setor enfrentam dificuldades para contratar motoristas. No transporte rodoviário de cargas, 44,6% das empresas têm vagas abertas. Isso significa que o desafio não é apenas financeiro. Mesmo que houvesse capacidade de contratação imediata, o mercado não dispõe hoje, em volume suficiente, de profissionais qualificados para absorver uma expansão brusca das escalas e da necessidade de pessoal. O risco é elevar custos, pressionar preços e fragilizar pequenas empresas O estudo também chama a atenção para o perfil do setor: 90,5% das empresas de transporte têm até nove empregados. São operações com margens mais estreitas e menor capacidade de absorver choques regulatórios. Atualmente, 47,3% do valor adicionado bruto do setor já é destinado ao pagamento de pessoal. Nesse contexto, reduzir jornada sem contrapartida de produtividade pode comprimir margens, adiar investimentos, aumentar informalidade e, em casos extremos, inviabilizar operações. O resultado concreto tende a ser mais custo logístico e mais pressão sobre preços em toda a economia. A defesa da FETRANSUL A FETRANSUL entende que a modernização das relações de trabalho é uma agenda válida, mas defende que ela seja construída com equilíbrio, previsibilidade e respeito às diferenças entre os setores. A Federação sustenta que alterações dessa natureza devem priorizar a negociação coletiva, permitindo soluções adequadas à realidade operacional de cada atividade. No transporte, onde o serviço é contínuo, intensivo em mão de obra e essencial ao abastecimento, não cabe uma fórmula única para todos. O que a FETRANSUL apoia O que a FETRANSUL alerta “Melhorar as condições de trabalho é um objetivo legítimo. Mas, no transporte, reduzir jornada sem ampliar a oferta de profissionais e sem ganho de produtividade pode significar mais caminhões parados, aumento do custo logístico e impacto direto no preço dos produtos. O Brasil precisa de soluções equilibradas, construídas com responsabilidade e diálogo.” Por isso, a FETRANSUL convoca o setor público e o Congresso a construírem essa solução junto com quem opera o transporte todos os dias. A FETRANSUL seguirá contribuindo com esse debate em defesa de um transporte eficiente, formal, competitivo e socialmente responsável. Francisco Cardoso Presidente da FETRANSUL Base técnica: estudo “Redução de jornada, mudança de escalas e bem-estar social no setor de transportes”, divulgado pela CNT em 14 de abril de 2026.
O transporte de cargas precisa entrar na agenda do país

Francisco Cardoso O Brasil se prepara para mais uma eleição. Vem aí um debate eleitoral intenso, amplo e, por vezes, desviado do que realmente interessa. Saúde, segurança, educação, inflação, todos esses são assuntos centrais. Mas há um tema estrutural, decisivo para o crescimento do país, que volta e meia desaparece do centro das discussões: a logística. E, dentro dela, o transporte rodoviário de cargas. Não se trata de uma pauta de um setor específico. É uma questão nacional. Hoje, cerca de 65% de tudo o que o Brasil produz e consome passa pelas estradas. No Rio Grande do Sul, essa dependência é ainda maior: aproximadamente 85% das mercadorias circulam por rodovias. Em outras palavras, quando o transporte enfrenta dificuldades, não é apenas o transportador que se vê afetado. Os impactos atingem a indústria, o comércio, o agronegócio, o consumidor e a economia inteira. O custo logístico brasileiro já consome 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB). É um índice incompatível com um país que pretende ser competitivo e atrair investimentos. Em economias mais eficientes, esse percentual fica próximo de 8% a 10%. Aqui, seguimos convivendo com uma combinação explosiva: diesel representando até 40% do custo operacional; pedágios que, em determinados trechos, se aproximam ou até superam o gasto com combustível; rodovias em condições insuficientes; insegurança jurídica; excesso de burocracia; falta de motoristas; e custos crescentes de seguro, especialmente em razão da criminalidade e dos eventos climáticos extremos. Não é possível continuar tratando esses fatores como problemas isolados. O país precisa de um plano logístico de longo prazo, com investimentos efetivos e coordenação entre União, estados e municípios. É necessário ampliar e recuperar a infraestrutura rodoviária, modernizar concessões, rever modelos de pedágio, estimular a formação de novos motoristas, simplificar normas e criar um ambiente regulatório estável. Também é indispensável integrar melhor os modais, fortalecendo ferrovias, hidrovias e portos, mas sem ignorar que o transporte rodoviário continuará sendo, por muitos anos, a espinha dorsal da economia brasileira. Nem tudo são indicadores. Durante a pandemia de COVID-19, quando cidades fecharam, cadeias produtivas pararam e fronteiras foram restringidas, o transporte de cargas continuou operando. Caminhões seguiram abastecendo hospitais, supermercados, farmácias e famílias. O mesmo ocorreu nas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul. Em meio ao colapso de estradas, pontes e cidades inteiras, milhares de toneladas de doações e suprimentos chegaram aos municípios atingidos graças ao esforço de empresas e motoristas, muitas vezes em condições extremas. Esses episódios deixam uma lição inequívoca. O transporte não é apenas um item de custo. É parte da solução. É uma atividade estratégica para a soberania, para a segurança alimentar, para a geração de empregos e para a resiliência do país. Agora, o setor não pede privilégios. Cobra condições para continuar fazendo aquilo que sempre fez: manter o país em movimento. Presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul)
DNIT avança com obras de conservação em diferentes trechos da BR-470/RS

Melhorias são realizadas de forma contínua, visando garantir a segurança e fluidez do tráfego O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) segue executando uma série de melhorias ao longo da BR-470/RS, com intervenções realizadas de forma contínua em diferentes trechos da rodovia. Às obras contam com um investimento superior a R$184 milhões por meio do Novo PAC. Essas ações integram um contrato de conservação e contemplam serviços como fresagem do pavimento, recomposição com concreto asfáltico, aplicação de microrrevestimento asfáltico, além do reforço na sinalização horizontal, com pintura de faixas e implantação de tachas refletivas. No trecho entre Carlos Barbosa e Barão, as equipes atuam entre o km 233 e o km 241 com serviços de fresagem e recomposição do pavimento com concreto asfáltico, seguidos de sinalização horizontal para garantir maior segurança aos usuários. O segmento está inserido no Trecho II, que se estende do km 232,1, em Carlos Barbosa, ao km 287,3, em Montenegro, passando pelos municípios de Barão, São Pedro da Serra, Salvador do Sul e São José do Sul. Já em Montenegro, as melhorias ocorrem entre o km 275 e o km 287, com reparos localizados no pavimento, aplicação de microrrevestimento asfáltico e reforço na sinalização viária, incluindo pintura de faixas e instalação de tachas refletivas, também dentro dos limites do Trecho II. Em Bento Gonçalves, as intervenções estão concentradas entre o km 216 e o km 219, com reparos pontuais no pavimento, aplicação de microrrevestimento e qualificação da sinalização horizontal. Esse segmento integra o Trecho I, cujo limite final é o km 219,1, em Bento Gonçalves. As melhorias têm como objetivo aumentar a durabilidade do pavimento, proporcionar melhores condições de trafegabilidade e ampliar a segurança para motoristas que utilizam a BR-470/RS, uma das principais ligações da Serra Gaúcha com outras regiões do estado. Durante os trabalhos, a autarquia orienta os condutores a redobrarem a atenção ao trafegar pelos trechos em obras, respeitando a sinalização e os limites de velocidade, a fim de garantir a segurança de trabalhadores e usuários da rodovia. Fonte/ Fotos: DNIT
Sistema FIERGS recebe Ronaldo Caiado e reúne lideranças para debater cenário nacional

Promovida pelo Sistema FIERGS, a palestra do pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado destacou os desafios do atual cenário político e econômico do Brasil. O encontro reuniu importantes lideranças públicas e empresariais, entre elas o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, além de autoridades estaduais, municipais e representantes do entidades de classe. O presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, esteve presente reforçando a representatividade do setor de transporte e logística e a integração entre os diferentes segmentos da economia gaúcha. O evento contou ainda com a presença do secretário-chefe da Casa Civil, Arthur Lemos, representando o governador Eduardo Leite, e do prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, além de presidentes de entidades, empresários e imprensa do Rio Grande do Sul. Tradicionalmente, em anos eleitorais, o Sistema FIERGS abre espaço para que candidatos apresentem suas propostas e dialoguem com o setor industrial. Ao dar as boas-vindas, Claudio Bier relembrou a capacidade de mobilização e colaboração observada durante as enchentes de 2024, destacando a importância da união entre iniciativa privada, poder público e sociedade. Durante a palestra “Um Brasil Diferente?”, Ronaldo Caiado abordou sua trajetória política e apontou desafios enfrentados pela indústria, como perda de competitividade, endividamento e dificuldades no setor produtivo. Ao final, respondeu a perguntas dos convidados. A presença da Fetransul reforça o compromisso em participar ativamente dos debates estratégicos que impactam o setor de transporte e logística.
CNT defende base técnica e foco na qualidade ao transportador no acréscimo de teor de biodiesel ao diesel

Em debate no Conexão Rodovias, entidade destaca necessidade de soluções estruturais e previsibilidade para evitar impactos operacionais no transporte rodoviário A CNT defendeu cautela técnica e implementação de melhorias estruturantes para garantir a qualidade do biodiesel antes do avanço gradual no aumento do teor de biodiesel durante debate no evento Conexão Rodovias, realizado pela Fecombustíveis nessa quinta-feira (9), em Brasília. Representando a entidade, a gerente executiva ambiental da CNT, Erica Marcos, participou do painel “Biodiesel: dores, desafios e possíveis soluções”, que reuniu lideranças do setor de postos rodoviários, empresários e entidades representativas para discutir pautas estratégicas da operação nas estradas. Durante o painel, a CNT ressaltou que o avanço do teor de biodiesel no diesel deve ser conduzido com base em critérios técnicos rigorosos e com responsabilidade compartilhada entre todos os elos da cadeia. A entidade destacou que é fundamental assegurar a estabilidade e a qualidade do combustível até o usuário final, que são os transportadores, diretamente impactados pelo desempenho do insumo. Segundo Erica Marcos, “é essencial que o avanço do teor de biodiesel ocorra de forma paulatina, com base técnica e previsibilidade, evitando externalidades negativas para todos os elos da cadeia e assegurando que o combustível chegue com qualidade ao transportador”, afirmou. Para ela, é necessário equilibrar os objetivos de descarbonização com a segurança operacional do transporte rodoviário. A Confederação também apontou a necessidade de implementação prévia de soluções estruturais, como a ampliação do número de refinarias, para encurtar as cadeias logísticas, considerando as propriedades físico-químicas mais sensíveis do biodiesel. Uma das alternativas mencionadas foi a avaliação da realização da mistura nessas instalações, em vez de ocorrer nas distribuidoras, como forma de ampliar o controle de qualidade do combustível. A CNT destacou também que o avanço do teor de biodiesel deve passar por validações técnicas e testes, conforme estabelecido na Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024). A regulamentação estabelece diretrizes para ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira e reforça o compromisso do país com a descarbonização. O tema esteve no centro dos debates do Conexão Rodovias, consolidando o evento como espaço permanente de diálogo sobre desafios operacionais nas rodovias. Base técnica orienta debate sobre combustíveis de baixo carbono A atuação da CNT em torno do tema está respaldada por estudos técnicos que analisam alternativas energéticas para o transporte. Na publicação “Diesel Verde: uma opção de baixo carbono para caminhões e ônibus rodoviários”, da série Energia no Transporte, a Confederação destaca que o diesel renovável, produzido a partir de biomassa ou resíduos, tem estrutura química semelhante à do diesel mineral, o que permite sua utilização em veículos pesados sem a necessidade de adaptações nos motores. O estudo aponta ainda que essa característica favorece ganhos de eficiência na combustão e redução de emissões de poluentes, como material particulado, contribuindo para a melhoria ambiental do setor. Dados da IEA (Agência Internacional de Energia, na tradução) apresentados na publicação indicam que o diesel verde alcançou a oferta global de 13,3 bilhões de litros em 2022, o equivalente a cerca de 8% do consumo mundial de biocombustíveis, com expectativa de crescimento nos próximos anos. Ao mesmo tempo, o material técnico ressalta desafios relevantes para a expansão dessas alternativas, como o custo de produção ainda superior ao diesel mineral e a necessidade de avanços regulatórios para viabilizar a sua escala produtiva no Brasil. Nesse contexto, a CNT reforça que o desenvolvimento de soluções de baixo carbono deve estar alinhado a critérios de viabilidade técnica, segurança operacional e previsibilidade regulatória e econômica, garantindo uma transição energética eficiente e sustentável para o transporte rodoviário. Veja a nota que o Sistema Transporte assinou, com entidades dos setores de combustíveis e logística, defendendo a manutenção do rigor técnico nos testes para o aumento da mistura de biodiesel no diesel. Por Agência CNT Transporte Atual