Presidente do Sistema Transporte destaca multimodalidade, responsabilidade fiscal e desafios, como jornada de trabalho, diesel e descarbonização
O Sistema Transporte marcou presença na abertura da Intermodal South America 2026, nessa terça-feira (14), em São Paulo (SP). A cerimônia destacou a importância da integração entre modais e o avanço dos investimentos em infraestrutura no país. Em sua 30ª edição, o evento reuniu lideranças públicas e privadas para discutir os rumos da logística nacional.
Durante a cerimônia, o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, afirmou que a Intermodal simboliza a missão de promover a integração do setor. Segundo ele, o desenvolvimento da infraestrutura deve ocorrer de forma coordenada entre os diferentes modais. “Não adianta ter porto moderno se não houver rodovia eficiente”, disse.
O presidente ressaltou que o país vive um momento favorável em relação aos investimentos públicos e privados e defendeu a continuidade desse movimento com responsabilidade fiscal. “A CNT apoia o investimento público o máximo possível, desde que haja responsabilidade fiscal, pois o Brasil precisa controlar os gastos para reduzir a inflação e garantir um ambiente de negócios mais favorável”, afirmou. Também destacou a importância de ampliar a participação da iniciativa privada por meio de concessões.
Vander Costa chamou a atenção para a relevância da multimodalidade e da ampliação do uso de modais mais sustentáveis, como o aquaviário e o ferroviário. Apesar disso, apontou entraves, especialmente no licenciamento ambiental, que têm dificultado o avanço de obras estratégicas.
Redução da jornada
Outro tema abordado foi a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. O presidente citou um estudo técnico da CNT divulgado recentemente que aponta a necessidade de contratação adicional de 240 mil trabalhadores para viabilizar a medida, contingente atualmente indisponível no mercado.
Ele alertou para possíveis impactos econômicos, como aumento de custos, pressão inflacionária, redução de salários e perda do poder de compra, defendendo que o debate seja conduzido com cautela e no âmbito das negociações coletivas. “O salário real vai cair para todo mundo, porque não é possível reduzir a jornada, aumentar o número de trabalhadores e evitar o aumento da inflação”, afirmou.
Diesel
O cenário do óleo diesel também foi destacado como ponto de atenção. Vander Costa abordou os efeitos do contexto geopolítico internacional sobre o abastecimento e os preços do combustível.
Segundo ele, embora o aumento de custos seja indesejado pelo setor, o principal risco, neste momento, é o desabastecimento. Nesse contexto, ponderou que é preferível enfrentar preços mais elevados a lidar com a falta do insumo, essencial para o transporte de pessoas e mercadorias.
O presidente ressaltou ainda que há limites para a atuação do governo na contenção de preços, especialmente em relação à responsabilidade fiscal. “É melhor ter o combustível, ainda que mais caro, do que correr o risco de faltar diesel para o transporte. Precisamos tratar o tema com serenidade, considerando as restrições fiscais e o cenário internacional”, afirmou.
Interlog Summit
A atuação do Sistema Transporte na Intermodal também se estendeu aos debates técnicos. Vander Costa participou do painel sobre a agenda climática no transporte e na logística no Brasil, com foco nos desafios da descarbonização.
Com o tema “Agenda Climática Global: diretrizes estratégicas para a transformação do transporte e da logística no Brasil”, o debate abordou os desdobramentos da COP30 e os impactos das novas diretrizes ambientais sobre as cadeias logísticas. A discussão destacou a necessidade de transformar compromissos globais em estratégias operacionais e decisões de investimento.
Também participaram do painel Felipe Queiroz, diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), e Alessandra Fajardo, diretora do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), sob a mediação de Pedro Moreira, presidente da Abralog (Associação Brasileira de Logística).
Para o presidente do Sistema Transporte, a transição deve seguir uma abordagem pragmática, considerando a diversidade operacional do país. Entre as propostas defendidas, destacam-se a renovação da frota de veículos pesados como medida imediata para a redução de emissões; o incentivo a combustíveis de menor intensidade de carbono, como biodiesel e biometano; e o avanço da integração multimodal, com estímulo à ferrovia e à cabotagem.
Ele destacou que não há solução única para a descarbonização. “Não há uma ‘bala de prata’. Precisamos de soluções diferentes para problemas diferentes”, afirmou.
O presidente também ressaltou que veículos mais antigos emitem mais poluentes e impactam diretamente a saúde da população. “Renovar a frota é uma medida prática e imediata para reduzir emissões e melhorar a qualidade de vida, especialmente enquanto tecnologias, como veículos elétricos, ainda têm custo elevado”, disse.
No campo regulatório, destacou os avanços nas concessões rodoviárias, com melhorias na qualidade das vias, na sinalização e na fluidez do tráfego. Também mencionou o pedágio eletrônico sem barreiras (free flow) como inovação relevante.
Intermodal South America
A Intermodal South America é um dos principais eventos de logística e transporte da América Latina, reunindo empresas, especialistas e autoridades para a apresentação de soluções e tendências do setor.
Nessa edição, que ocorre de 14 a 16 de abril, o Sistema Transporte conta com estande institucional, onde apresenta iniciativas e serviços da CNT, do SEST SENAT e do ITL, com foco no desenvolvimento estratégico do transporte e da logística no Brasil.
Por Agência CNT Transporte Atual



