Missão Espanha 2026: Estudos de caso ampliam visão estratégica de executivos do transporte

Programação na IESE Business School reforça decisões baseadas em governança, inovação e análise de riscos

A Missão Internacional do Transporte – Espanha 2026 avançou, nesta quarta-feira (29), com uma agenda dedicada à reflexão estratégica e à troca de experiências entre executivos brasileiros e especialistas da IESE Business School, uma das principais escolas de negócios do mundo.

Pela manhã, a delegação participou de aula conduzida pelo professor Pascual Berrone, diretor do Departamento de Gerenciamento Estratégico. Com base na metodologia de estudo de caso, os participantes analisaram os limites da atuação conjunta entre poder público e iniciativa privada em projetos urbanos.

O debate teve como base um empreendimento tecnológico no Canadá que levantou questionamentos sobre a privacidade dos moradores. A análise evidenciou falhas tanto do governo quanto da construtora na etapa de engajamento da população. “Os grandes desafios urbanos pedem colaboração”, destacou Berrone, referência em estudos sobre cidades inteligentes.

Durante a exposição, o professor apresentou um modelo de gestão de projetos urbanos estruturado em quatro pilares: infraestrutura e planejamento urbano; regulação e ambiente jurídico; tecnologia e inovação; e mudança de comportamento da sociedade. Para ele, a governança é o elemento central. “A governança inteligente é mais importante do que a tecnologia”, afirmou.

A metodologia aplicada exigiu posicionamento dos participantes, que tiveram de indicar quais decisões tomariam diante do caso analisado — prática que estimula o pensamento crítico e a aplicação direta dos conceitos.

Cibersegurança e foco no cliente

No período da tarde, o professor Josep Valor Sabatier, especialista em estratégia digital, abordou os desafios da cibersegurança. A aula trouxe como exemplo um caso ocorrido na Espanha envolvendo o sequestro de dados da empresa Tramsa Mobility, uma evidência dos riscos crescentes no ambiente digital.

O professor também apresentou o conceito de job to be done, a partir de um estudo de caso no transporte marítimo com uso de blockchain. A abordagem reforça que clientes buscam soluções para problemas concretos, e não apenas produtos ou serviços, exigindo das empresas maior foco em geração de valor e experiência do usuário.

A programação da Missão combina teoria e prática, com foco em inovação, liderança e adaptação a um ambiente global em constante transformação.

Momento Sistema Transporte

Ainda pela manhã, o diretor executivo nacional interino do SEST SENAT, Vinicius Ladeira, apresentou as principais frentes de atuação da entidade, com destaque para capacitação profissional e promoção da saúde no setor.

Ele ressaltou a escassez de mão de obra qualificada como um dos principais desafios do transporte no país. “A principal dor do setor é a falta de mão de obra, e isso está diretamente ligado ao propósito do SEST SENAT”, afirmou. Entre as iniciativas apresentadas, destacam-se os programas Mais Motoristas e Motorista Série A.

A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, também participou das discussões e enfatizou a importância da leitura do cenário internacional para a tomada de decisões no setor. Ao mencionar aula anterior sobre geopolítica, conduzida pelo professor Jordi Gual, a diretora destacou os impactos diretos dos conflitos globais. “Esse é um debate essencial, porque os desdobramentos internacionais afetam o transporte e influenciam as decisões dos senhores”, afirmou, dirigindo-se aos executivos.

Por Agência CNT Transporte Atual

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