Pronunciamento do presidente do Sistema Transporte na Conferência Internacional do Trabalho abordou escassez de profissionais, novas formas de organização do trabalho e a experiência brasileira em qualificação profissional
O presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, representou os empregadores brasileiros na 114ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT (Organização Internacional do Trabalho), realizada em Genebra, na Suíça. Como delegado titular da bancada empresarial do país, ele fez, nesta quarta-feira (10), um pronunciamento na sessão plenária da Conferência, principal espaço de manifestação das delegações de governos, trabalhadores e empregadores dos 187 Estados-membros da Organização.
Em sua fala, Vander Costa destacou a importância estratégica do transporte para a economia global e chamou atenção para desafios que afetam o setor em diversos países, como a escassez de profissionais qualificados e as transformações nas relações de trabalho impulsionadas pelas plataformas digitais. Apresentou, também, exemplos brasileiros voltados à formação profissional e ressaltou a necessidade de conciliar proteção social, produtividade e segurança jurídica.
Ao abrir sua participação, o presidente evidenciou o papel do setor na integração das cadeias produtivas e no desenvolvimento econômico. “O transporte é uma força vital da economia mundial. É ele que conecta mercados, viabiliza investimentos, integra cadeias produtivas, reduz distâncias e transforma a globalização em realidade concreta. Nenhum país cresce sem logística. Nenhuma economia se desenvolve sem mobilidade”, afirmou.
Escassez de mão de obra é desafio global
Um dos principais temas abordados por Vander Costa foi a falta de profissionais qualificados no setor. Durante o pronunciamento, ele citou dados da IRU (União Internacional do Transporte Rodoviário), segundo os quais faltam mais de 3,5 milhões de motoristas profissionais em todo o mundo.
Segundo o presidente do Sistema Transporte, este é um desafio estrutural, com reflexos sobre a produtividade, a competitividade e a segurança das cadeias globais de abastecimento.
“Não se trata de um fenômeno pontual, com impactos diretos sobre a competitividade, a produtividade e a segurança das cadeias de abastecimento globais”, disse.
Para enfrentar esse cenário, ele defendeu a adoção de medidas voltadas ao aumento da atratividade da profissão, à ampliação da qualificação profissional e à preparação dos trabalhadores para as transformações tecnológicas em curso.
Experiência brasileira em qualificação profissional
Ao tratar da formação profissional, Vander Costa apresentou a experiência brasileira do Sistema S, descrita por ele como um modelo voltado à capacitação, à promoção social e ao desenvolvimento dos trabalhadores. No caso do transporte, o presidente do Sistema Transporte sublinhou a atuação do SEST SENAT, instituição mantida pelo setor e dedicada à qualificação profissional, à saúde e ao atendimento social dos trabalhadores e das comunidades atendidas.
Durante a manifestação, Vander Costa enfatizou que o SEST SENAT conta com mais de 170 unidades em funcionamento em todo o país e classificou a iniciativa como um investimento realizado pelas empresas em favor da produtividade e da melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.
“Trata-se de investimento privado em favor do trabalhador, da produtividade e da melhoria da qualidade de vida. E os resultados são concretos”, afirmou.
O presidente também apresentou indicadores do mercado de trabalho brasileiro e reforçou que o setor registra índice de formalização próximo de 92%, superior à média nacional, de 60%, observada nos demais segmentos da economia. Além disso, mencionou a redução consistente da taxa de desocupação no país, atualmente em 5,8%.
“Esses dados demonstram que crescimento econômico, proteção social, produtividade e geração de empregos de qualidade não são agendas opostas. Ao contrário, são objetivos complementares quando há diálogo social, responsabilidade empresarial e segurança jurídica”, disse.
Plataformas digitais e novas formas de trabalho
Vander Costa também abordou os desafios regulatórios relacionados às plataformas digitais e às novas formas de organização do trabalho. Segundo ele, as mudanças em curso exigem soluções equilibradas, capazes de assegurar proteção aos trabalhadores sem comprometer modelos econômicos legítimos.
O presidente do Sistema Transporte frisou a iniciativa da OIT de construir diretrizes orientativas para os Estados-membros sobre o tema e defendeu a adoção de marcos regulatórios que promovam concorrência justa, segurança jurídica e estímulo à inovação.
Nesse contexto, apontou a importância de evitar distorções concorrenciais e de preservar ambientes regulatórios que favoreçam o desenvolvimento econômico e a geração de oportunidades de trabalho.
Representação empresarial brasileira
Neste ano, a CNT exerce a representação dos empregadores brasileiros na Conferência Internacional do Trabalho, em sistema de rodízio entre as confederações empresariais. A 114ª edição da Conferência segue até 12 de junho e tem entre os principais temas em debate as plataformas digitais, o diálogo social e a igualdade de gênero.
A comitiva do Sistema Transporte é formada, ainda, pelo ex-presidente da CNT e fundador do SEST SENAT, Clésio Andrade; pelo presidente da Fetram (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais) e da seção I do Transporte Rodoviário de Passageiros da CNT, Rubens Lessa; pelo diretor integrante da Seção II do Transporte Rodoviário de Cargas da CNT e presidente da Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina) e do Conselho Regional do SEST SENAT de Santa Catarina, Dagnor Schneider; pela presidente executiva da Fenaval (Federação Nacional das Empresas de Transportes de Valores), Daniele Capobiango; pela diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart; pelo diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza; pela diretora adjunta do ITL, Eliana Costa; pelo gerente executivo de Relações Trabalhistas e Sindicais da CNT, Frederico Toledo, na condição de delegado suplente; pelo assessor de Relações Trabalhistas da CNT, Brunno Contarato; e pelo assessor de Governança e Estratégia da CNT, Thiago Ticchetti.
Confira a íntegra do pronunciamento de Vander Costa na sessão plenária realizada em Genebra.
Cumprimento o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho, Gilbert Houngbo, a quem parabenizo pela condução responsável e pelo trabalho à frente da OIT.
Cumprimento também representantes dos governos, dos trabalhadores, dos empregadores e todos os participantes desta 114ª Conferência Internacional do Trabalho.
Senhoras e senhores,
É uma honra representar os empregadores brasileiros neste espaço histórico de diálogo social, cooperação internacional e construção coletiva de soluções para os desafios contemporâneos do mundo do trabalho.
O tema que nos reúne exige responsabilidade, equilíbrio e visão de futuro.
O transporte é uma força vital da economia mundial. É ele que conecta mercados, viabiliza investimentos, integra cadeias produtivas, reduz distâncias e transforma a globalização em realidade concreta. Nenhum país cresce sem logística. Nenhuma economia se desenvolve sem mobilidade. Nenhuma cadeia produtiva prospera sem um setor de transporte forte, eficiente e sustentável.
Por isso, ao discutirmos o futuro do trabalho, é indispensável discutirmos também o futuro do transporte.
E há um desafio global que demanda atenção imediata: a escassez de mão de obra. Dados da União Internacional do Transporte Rodoviário indicam a falta de mais de 3,5 milhões de motoristas profissionais em todo o mundo. Não se trata de um fenômeno pontual, mas de um desafio estrutural, com impactos diretos sobre a competitividade, a produtividade e a segurança das cadeias de abastecimento globais.
Enfrentar esse cenário exige tornar o setor mais atrativo, investir de forma contínua em qualificação profissional, incorporar novas tecnologias e preparar os trabalhadores para as transformações em curso.
No Brasil, os empregadores têm uma experiência concreta e bem-sucedida nessa agenda: o Sistema S. Um modelo financiado pelas próprias empresas, voltado à formação profissional, à promoção social, à saúde e à qualificação dos trabalhadores.
No setor de transporte, destacamos o Serviço Social do Transporte e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte, o SEST SENAT, instituição que expressa esse compromisso. São mais de 170 Unidades que oferecem, gratuitamente, capacitação profissional, serviços de saúde, atendimento social e desenvolvimento humano aos trabalhadores e às comunidades onde estão inseridas.
Trata-se de investimento privado em favor do trabalhador, da produtividade e da melhoria da qualidade de vida. E os resultados são concretos.
O transporte brasileiro se destaca como referência em trabalho formal e digno. O setor apresenta índice de formalização próximo de 92%, superior à média nacional de 60%, considerando outros setores. Além disso, o Brasil vem registrando redução consistente da desocupação, alcançando taxa de 5,8%.
Esses dados demonstram que crescimento econômico, proteção social, produtividade e geração de empregos de qualidade não são agendas opostas. Ao contrário, são objetivos complementares quando há diálogo social, responsabilidade empresarial e segurança jurídica.
Senhoras e senhores,
Esta Conferência também nos convida a refletir sobre o futuro das relações de trabalho, especialmente no contexto das plataformas digitais. Estamos diante de novas formas de organização produtiva que exigem reflexão responsável e soluções equilibradas.
A iniciativa da OIT de construir diretrizes orientativas aos Estados-membros é um passo relevante para o reconhecimento dessa realidade. Mas é fundamental que esse processo seja conduzido com cautela.
A regulamentação deve proteger os trabalhadores sem inviabilizar modelos econômicos legítimos, estimular a inovação sem precarizar as relações de trabalho e assegurar concorrência justa entre os diversos agentes econômicos.
Não podemos admitir ambientes regulatórios desequilibrados que gerem assimetrias competitivas e incentivam a informalidade.
Empresas fortes, sustentáveis e competitivas são condição essencial para a geração de empregos de qualidade. Por isso, ao construirmos normas internacionais do trabalho, devemos preservar um equilíbrio responsável entre proteção social, segurança jurídica, produtividade, liberdade econômica e concorrência leal.
Esses princípios não são antagônicos. Devem caminhar de forma harmoniosa para promover o desenvolvimento econômico, a inclusão social e o trabalho decente.
Que esta Conferência siga fortalecendo o diálogo tripartite e a cooperação internacional, com atenção permanente às transformações do mundo do trabalho e aos desafios reais enfrentados por trabalhadores e empregadores.
Muito obrigado.
Assista na íntegra em ILO Live – Plenary debates – Afternoon sitting
Por Agência CNT Transporte Atual



