Frete irregular é barrado antes de existir: ANTT transforma CIOT em filtro obrigatório e reforça o cumprimento do piso mínimo

Nova portaria impede o registro de operações abaixo do piso, torna obrigatório o vínculo ao MDF-e, amplia a exigência para todo o setor e estabelece controle completo da operação, do cadastro ao encerramento A partir de agora, o frete irregular deixa de ser um problema a ser punido depois e passa a ser uma operação que não irá mais acontecer. Com a Portaria SUROC nº 6/2026, publicada nesta sexta-feira (24/4) no Diário Oficial da União (D.O.U), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estabelece um mecanismo direto e inegociável: se o valor do frete estiver abaixo do piso mínimo, o sistema bloqueia o registro, o CIOT não é gerado e a operação não existe. A regra atua exatamente onde o frete é definido, na origem, e transforma o controle do setor em uma etapa obrigatória da contratação. A norma entra em vigor em 24 de maio de 2026 e consolida o modelo iniciado em março com a Medida Provisória nº 1.343/2026 e a Resolução nº 6.078/2026. Agora, o controle deixa de ser reativo e passa a ser preventivo, digital e integrado. CIOT deixa de registrar e passa a validar O Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) deixa de ser apenas um número e passa a ser uma condição de existência da operação. A geração está vinculada ao cumprimento do piso mínimo de frete. Se o valor estiver abaixo, o sistema bloqueia automaticamente. Na prática, isso elimina a possibilidade de formalizar fretes irregulares e leva o controle para o momento mais sensível da operação: a contratação. Integração com MDF-e conecta o que foi contratado ao que é transportado. A portaria torna obrigatório o vínculo do CIOT ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), criando uma trilha única de informação entre contrato e execução. Essa integração permite rastrear toda a operação e reduz inconsistências. O descumprimento gera multa de R$ 10,5 mil por operação, aplicada a contratantes, subcontratantes e empresas transportadoras. Regra passa a valer para todo o mercado A obrigatoriedade do CIOT é ampliada para todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas, incluindo empresas que operam com frota própria, mesmo sem contratação de transportadores autônomos. Essas empresas poderão gerar o CIOT diretamente por integração com os sistemas da ANTT ou por instituições autorizadas, mantendo a responsabilidade integral sobre a operação. Regras operacionais e prazos passam a organizar a operação do início ao fim A portaria não apenas exige o registro, ela define como a operação deve funcionar, com regras claras e prazos que passam a impactar diretamente a rotina do setor. O CIOT deve ser gerado antes do início da viagem, com todas as informações completas da operação: contratante, transportador, veículos, carga, origem, destino, distância, valor e forma de pagamento. As operações são classificadas como carga lotação, carga fracionada ou TAC-Agregado. No caso da carga lotação, o bloqueio por valor abaixo do piso ocorre imediatamente no cadastro. Nos contratos do tipo TAC-Agregado, o vínculo entre veículo e contratante passa a ter prazo mínimo de 10 dias e máximo de 30 dias por CIOT, com exclusividade durante esse período. Os prazos operacionais deixam de ser acessórios e passam a estruturar o funcionamento do sistema: Quando houver falha técnica, a operação pode ser registrada em contingência, mas as informações precisam ser transmitidas em até 168 horas, permanecendo sujeitas à verificação. Se esses prazos não forem cumpridos, o sistema registra pendências e pode impedir novas operações, especialmente nos casos de TAC-Agregado, onde o controle passa a afetar diretamente a continuidade das contratações. Toda a comunicação ocorre por meio de Web Services, com acesso restrito a usuários com certificação digital no padrão ICP-Brasil, garantindo segurança e integridade dos dados. Controle contínuo e validação das informações As informações registradas no CIOT passam por validações sistêmicas e podem ser cruzadas com outras bases de dados. O recebimento dos dados não implica validação automática, e inconsistências ou indícios de irregularidade podem gerar sanções. O controle deixa de ser pontual e passa a acompanhar toda a operação. As exceções permanecem delimitadas e a portaria mantém situações específicas em que o CIOT não é exigido, como no transporte de veículo novo não emplacado, em operações com composições não homologadas, no transporte internacional de cargas e em contratações feitas por pessoa física sem finalidade comercial. O objetivo é que esse modelo atue antes do problema acontecer e, com a nova regulamentação, o transporte rodoviário de cargas passe a operar sob uma lógica em que a regularidade não é verificada depois, ela é exigida para que a operação exista. Para quem trabalha com transporte rodoviário de cargas, isso significa saber, antes de sair, que o frete está dentro da lei. Para o mercado, representa regras mais claras e uniformes. Para o país, um sistema mais confiável, com menos distorções e mais previsibilidade em uma atividade essencial ao abastecimento. Coordenação-Geral de Comunicação – ANTT Fonte: gov.br / Foto: Divulgação / Comunicação ANTT
Programa Despoluir e FETRANSUL participam de ação voltada à promoção da saúde

O Programa Ambienta do Transporte – Despoluir, e a FETRANSUL participaram, nos dias 22 e 24 de abril, de mais uma edição da Mobilização Nacional de Saúde, realizada em pelo SEST SENAT. A ação levou às empresas atividades voltadas à promoção da saúde e à conscientização sobre sustentabilidade no transporte. Entre os serviços oferecidos estiveram aferição da pressão arterial, teste de bioimpedância, orientações sobre sustentabilidade no setor e informações sobre os serviços disponibilizados pelo SEST SENAT, entre outras iniciativas. As atividades foram realizadas nas empresas Buzin Transporte e Rodovanes, em Porto Alegre, reforçando o compromisso do setor com o bem-estar dos trabalhadores e com práticas mais sustentáveis no transporte rodoviário.
CNT destaca inovação e sustentabilidade em participação na Hannover Messe 2026

Confederação reforça atuação internacional e agenda estratégica voltada à descarbonização e à competitividade do setor A CNT participou da Hannover Messe 2026, principal feira global de tecnologia industrial, realizada entre os dias 20 e 24 de abril, na Alemanha. Integrando o pavilhão brasileiro como patrocinador, ao lado da ApexBrasil, o Sistema Transporte marcou presença em um evento que teve o Brasil como país-parceiro oficial. A participação posiciona a Confederação como articuladora multissetorial na promoção da inovação e no avanço da agenda de transição energética no transporte. A atuação está alinhada às metas de descarbonização previstas no Plano Clima e aos compromissos internacionais assumidos pelo país, com foco no desenvolvimento econômico sustentável. Durante a programação, a CNT organizou três painéis sobre descarbonização e desenvolvimento sustentável, com foco na promoção de tecnologias que utilizem a matriz energética sustentável do Brasil ou promovam os biocombustíveis já produzidos no país. A agenda também permitiu realizar visitas técnicas com empresas internacionais e acompanhar soluções já em desenvolvimento, especialmente no modo rodoviário. Entre os destaques, estiveram tecnologias com potencial de aplicação no Brasil, como sistemas de pesagem veicular com monitoramento em tempo real, soluções para gestão de armazéns, uso de drones em operações logísticas e ferramentas de controle ambiental. A Confederação também identificou novas tecnologias de propulsão com ar comprimido, ainda em desenvolvimento, mas com grande potencial de descarbonização da frota rodoviária. A comitiva da CNT também acompanhou apresentações de empresas como a WEG, com modelos inovadores de estações de recarga; a Pezben, com sistemas de pesagem embarcada; e a Tuvinode, com soluções voltadas ao monitoramento de emissões e à conformidade ambiental. Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, o evento se consolida como espaço estratégico para identificação de oportunidades e aproximação com players globais. “Identificamos diversas soluções com potencial de aplicação no setor transportador, como tecnologias como drones e warehouse para operações logísticas, sistemas de pesagem por eixo e inovações voltadas à mobilidade”, afirmou. Segundo ela, a participação reforça uma agenda permanente de diálogo com a indústria e o ecossistema de inovação. “Essa troca de experiências é fundamental para antecipar tendências e trazer ao Brasil soluções que aumentem a eficiência e a competitividade do setor, especialmente no contexto da transição energética”, completou. Painéis reforçam agenda de transição energética Em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e volatilidade no preço do petróleo, os painéis promovidos pela CNT reuniram representantes do setor público e da iniciativa privada para debater soluções voltadas à transição energética. O primeiro painel abordou a integração entre descarbonização, inovação e arranjos institucionais, com foco em iniciativas regulatórias. Participaram o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Uallace Moreira Lima, e o head de Sustentabilidade da Bravo Logística, Marcos Azevedo. O debate destacou o financiamento verde como condição para viabilizar a cadeia de combustíveis alternativos. “É um desafio relevante, que temos tratado no âmbito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, com foco em investimento em infraestrutura”, afirmou Uallace Moreira. Marcos Azevedo defendeu medidas complementares, com destaque para a renovação de frota. “Incentivos como isenção de IPVA, redução de pedágios e estímulos tributários na aquisição de veículos novos também são importantes como incentivos ao setor”, disse. Outro painel tratou do papel do biometano na transição energética. O gerente de Sustentabilidade da Jomed Transportes, Carlos Ferreira, destacou o potencial do combustível, mas apontou entraves. “A produção existe, porém grande parte ainda é destinada à indústria”, afirmou. Em complemento, ele reforçou que “o custo de aquisição de um veículo a biometano ainda é superior em, pelo menos, 30% de um veículo convencional, o que dificulta a implementação dessa tecnologia por mais empresas do setor”. Já Marcos Azevedo reforçou os desafios de infraestrutura: “Para avançar para o interior, precisamos de soluções off-grid. Organizar corredores verdes é fundamental para dar escala e incentivar novos entrantes”. O terceiro debate discutiu a descarbonização de veículos pesados, com foco na eletrificação de frotas. O diretor financeiro da Braspress Transportes Urgentes, Giuseppe Coimbra, destacou a viabilidade nos grandes centros urbanos. “A economia no consumo em relação ao diesel nos encoraja, apesar de desafios como custo de aquisição, produção e prazo de entrega”, afirmou. Ele também ressaltou a crescente exigência por transparência. “Estamos medindo a pegada de carbono por unidade transportada em todas as operações para futuras compensações e repassando as informações aos embarcadores”, disse. Já o diretor de Manutenção da Radial Mais Transporte, Ricardo Irapuan, apresentou alternativas adotadas no transporte coletivo urbano. “Na nossa empresa, substituímos motores a diesel por sistemas movidos a GNV e biometano. Do ponto de vista da manutenção, a adaptação foi mais simples e os resultados iniciais são positivos”, afirmou. Ele também alertou para os custos estruturais: “Não é só a compra do veículo. É preciso considerar toda a infraestrutura. Em uma frota grande, isso tem impacto direto na viabilidade”. Os painéis foram conduzidos pela diretora Fernanda Rezende e dialogam com a Série CNT Energia no Transporte, que reúne estudos técnicos sobre alternativas como hidrogênio renovável, eletromobilidade e diesel verde, analisando suas viabilidades e desafios. Clique aqui para acessar a Série. Por Agência CNT Transporte Atual
Comissão da Câmara aprova admissibilidade de propostas para redução da jornada de trabalho

CNT defende cautela e negociação coletiva para evitar impactos na economia e na logística A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade de duas PECs que reduzem a jornada de trabalho no Brasil. Os textos sugerem o fim da tradicional escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), modelo predominante em diversos setores do país. A primeira proposta, a PEC 221/2019, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), prevê uma redução gradual da jornada semanal de 44 para 36 horas ao longo de dez anos. Já a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propõe a adoção da semana de quatro dias de trabalho, também limitada a 36 horas. Ambas seguem agora para análise em comissão especial e, caso avancem, serão submetidas à votação em dois turnos no Plenário da Câmara. A CNT acompanha de perto o debate e reforça que mudanças dessa natureza precisam ser conduzidas com responsabilidade e previsibilidade. Para a entidade, o transporte é uma atividade essencial, que garante o direito constitucional de locomoção e sustenta o funcionamento da economia e dos serviços públicos. Por operar de forma contínua, 24 horas por dia, o setor alerta que alterações sem considerar suas especificidades podem trazer impactos relevantes para toda a sociedade. Segundo a CNT, o transporte já enfrenta déficit de mão de obra qualificada, como motoristas e mecânicos, e a redução da jornada sem ganhos de produtividade agravaria esse cenário. A Confederação também chama atenção para os reflexos sobre a máquina pública, que teria aumento de custos com pessoal em um contexto de forte restrição fiscal. O posicionamento da CNT defende que a negociação coletiva é a forma mais adequada para tratar da jornada de trabalho. Por meio dela, é possível que trabalhadores e empregadores ajustem as condições às necessidades específicas de cada setor, garantindo equilíbrio, segurança jurídica e respeito às particularidades econômicas. Por Agência CNT Transporte Atual
Últimos dias para inscrições! Especialização em Gestão de Negócios – Porto Alegre

Encerram-se no dia 29 de abril as inscrições as inscrições para a Especialização em Gestão de Negócios, que será realizada em Porto Alegre, integrando o Programa Avançado de Capacitação do Transporte, coordenado pelo Instituto de Transporte e Logística (ITL) e promovido pelo SEST SENAT. A especialização é gratuita e destinada a gestores e executivos de empresas de transporte associadas ao Sistema Transporte. A iniciativa atende a uma das demandas da Fetransul junto ao Sistema Transporte, com o objetivo de fortalecer a capacitação, a profissionalização e a competitividade do setor. INSCREVA-SE AQUI! Sobre o curso: A Especialização em Gestão de Negócios é uma pós-graduação lato sensu, ministrada pela Fundação Dom Cabral (FDC), referência nacional e internacional em educação executiva. O curso tem como foco capacitar gestores e executivos de empresas de transporte e logística nas mais modernas técnicas de gestão, desenvolvendo competências estratégicas para tornar o setor cada vez mais competitivo. O currículo foi desenvolvido com base em uma abordagem prática e alinhada à realidade do mundo dos negócios, avaliando práticas de gestão aplicadas ao setor de transportes. O programa equilibra teoria e prática, estimulando uma visão empreendedora, criativa e estratégica nos participantes. Objetivo: Capacitar gestores e executivos das empresas de transporte e logística nas mais modernas técnicas de gestão de negócios, desenvolvendo as competências necessárias para tornar o setor mais competitivo. O curso trabalha a visão sistêmica nas organizações, identificando aspectos fundamentais para o desenvolvimento de equipes de alta performance operacional. A ideia é desenvolver uma visão crítica e analítica, embasada em técnicas tradicionais e inovadoras que são fundamentadas e trabalhadas por professores com experiência prática em importantes instituições. Público-alvo: A especialização é destinada exclusivamente a profissionais de empresas de transporte dos modais: Os participantes devem ser filiados às federações e/ou associações que integram o Sistema Transporte. Com informações do ITL
Em entrevista à Rádio CDN, presidente da FETRANSUL destaca efeitos da alta do diesel no setor

Na manhã de hoje (24), o presidente da FETRANSUL, Francisco Cardoso, participou de entrevista à Rádio CDN, de Santa Maria, onde abordou os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o aumento do preço do diesel e os reflexos diretos no setor de transporte rodoviário de cargas. Durante a entrevista, Cardoso destacou que o diesel representa cerca de 45% dos custos variáveis das operações de transporte, o que torna o setor altamente sensível às oscilações no preço do combustível. Segundo ele, após o início do conflito, o diesel registrou um aumento entre 25% e 30%, pressionando fortemente as empresas. Diante desse contexto, Cardoso também destacou a iniciativa da FETRANSUL de propor ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul a redução ou suspensão da cobrança do ICMS sobre o diesel, por meio de articulação no âmbito do Confaz. Confira a entrevista na íntegra: https://www.youtube.com/live/HxeGuliVN3o?si=FF5kXecdXCB9e1Pd&t=4299
O transporte de cargas precisa entrar na agenda do país

Também é indispensável integrar melhor os modais, fortalecendo ferrovias, hidrovias e portos Por Francisco Cardoso, presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul) O Brasil se prepara para mais uma eleição. Vem aí um debate intenso sobre saúde, segurança, educação e inflação. Todos são temas centrais. Mas há uma questão estrutural, decisiva para o crescimento do país, que frequentemente desaparece do centro das discussões: a logística, especialmente o transporte rodoviário de cargas. Hoje, cerca de 65% de tudo o que o Brasil produz e consome passa pelas estradas. No Rio Grande do Sul, essa dependência é ainda maior: aproximadamente 85% das mercadorias circulam por rodovias. Quando o transporte enfrenta dificuldades, não é apenas o transportador que sofre. Os impactos atingem a indústria, o comércio, o agronegócio, os consumidores e a economia inteira. O custo logístico brasileiro já consome 15,5% do PIB. É um índice incompatível com um país que pretende ser competitivo e atrair investimentos. Em economias mais eficientes, esse percentual varia entre 8% e 10%. Aqui, seguimos convivendo com uma combinação de fatores que encarece a atividade: diesel representando até 40% do custo operacional, pedágios elevados, rodovias em condições insuficientes, excesso de burocracia, insegurança jurídica, falta de motoristas e aumento dos custos de seguro, agravados pela criminalidade e pelos eventos climáticos extremos. O país precisa de um plano logístico de longo prazo. É necessário ampliar e recuperar a infraestrutura rodoviária, modernizar concessões, rever os modelos de pedágio, estimular a formação de novos motoristas e simplificar normas. Também é indispensável integrar melhor os modais, fortalecendo ferrovias, hidrovias e portos. Ainda assim, é preciso reconhecer que o transporte rodoviário continuará sendo, por muitos anos, a espinha dorsal da economia brasileira. A pandemia de covid-19 e as enchentes no Estado deixaram isso evidente. Mesmo diante da crise, os caminhões seguiram abastecendo hospitais, supermercados e famílias. O transporte não é apenas um custo. É uma atividade estratégica para a soberania, a segurança alimentar, a geração de empregos e a resiliência do país. Fonte: GZH
Descompasso entre demanda e infraestrutura pressiona logística urbana no estado de São Paulo

O avanço da atividade econômica, impulsionado pelo comércio eletrônico e pelo consumo nas regiões metropolitanas, tem ampliado a demanda por transporte de cargas nas áreas urbanas. Segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), o transporte rodoviário concentra cerca de 63% da movimentação de mercadorias, evidenciando a forte dependência das cidades neste modal para garantir o abastecimento. Esse cenário, no entanto, não foi acompanhado por avanços proporcionais na infraestrutura logística, refletindo diretamente nos custos e na eficiência das operações. Em 2025, os custos logísticos no Brasil atingiram cerca de 15,5% do PIB, segundo o Ilos, patamar associado principalmente à falta de investimentos estruturais. No ambiente urbano, o cenário é agravado por restrições de circulação e regras distintas entre municípios, como rodízios, zonas restritivas e horários operacionais, que operam de forma descoordenada. Esse conjunto de fatores compromete a produtividade logística e reforça a necessidade de maior integração entre Estado e municípios para garantir eficiência operacional. Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), Carlos Panzan, o desafio ganha escala nas áreas metropolitanas, que concentram cerca de 75% da população do estado e 83% do PIB paulista, mas ainda operam sob um modelo fragmentado. “Embora a legislação estabeleça o transporte como função pública de interesse comum, a execução integrada entre Estado e municípios ainda é limitada, o que gera um descompasso estrutural”, afirma. Na prática, esse cenário se traduz em uma série de gargalos regulatórios e operacionais que impactam diretamente o abastecimento urbano. Entre os principais entraves estão o excesso de restrições de circulação, como ZMRC e restrições em vias estruturais. A própria área metropolitana de São Paulo contribui para esse cenário, com cidades do entorno adotando datas e horários de rodízio distintos da Capital. Esse conjunto cria um ambiente fragmentado, que dificulta o fluxo contínuo de mercadorias em uma macrorregião altamente interdependente. De acordo com Panzan, a ausência de regras uniformes obriga as empresas a adaptarem suas operações município a município, lidando com diferentes horários, critérios para circulação de veículos e exigências específicas. O cenário impacta toda a cadeia de abastecimento, com reflexos diretos no preço final dos produtos ao consumidor. “Isso aumenta o tempo de operação, reduz a produtividade dos ativos e eleva custos diretos e indiretos. Na prática, o transporte deixa de ser uma operação integrada e passa a ser fragmentado, comprometendo a eficiência logística”, destaca o dirigente. Diante desse cenário, a FETCESP defende como prioridade a consolidação de uma governança metropolitana efetiva, baseada em planejamento integrado, padronização de regras e maior coordenação entre os entes públicos. A entidade também alerta para os riscos de não avançar nessa agenda, como a perda de previsibilidade do abastecimento, aumento de custos de produtos gerais e maior exposição a vulnerabilidades operacionais, incluindo o roubo de cargas. “A logística precisa ser tratada como função pública essencial, com integração entre poder público e setor produtivo para garantir eficiência, segurança e abastecimento nas grandes cidades”, conclui Panzan. Fonte: FETCESP
Executivos do transporte embarcam para Missão Internacional do Transporte na Espanha com foco em liderança digital

Programação inclui imersão na IESE Business School e debates sobre transformação tecnológica, gestão e novas competências estratégicas para o setor A delegação formada por líderes empresariais e institucionais do setor embarca nesta sexta-feira (24) para a Missão Internacional do Transporte na Espanha, com uma agenda voltada ao fortalecimento da liderança e à adaptação do setor de transporte às rápidas transformações tecnológicas. A Missão ocorre em um contexto de profundas mudanças no ambiente corporativo, em que a velocidade da transformação tecnológica exige novas competências dos líderes. O cenário atual demanda maior capacidade de adaptação, pensamento estratégico e tomada de decisão em ambientes complexos e incertos. Ao longo da semana, a delegação vai participar de visitas técnicas e atividades acadêmicas na IESE Business School, uma das principais escolas de negócios da Europa. A programação contempla atividades intensivas voltadas ao desenvolvimento de habilidades gerenciais, com ênfase em liderança digital, gestão de pessoas e tomada de decisão. A abertura oficial da Missão ocorrerá no sábado à noite (25), com a presença do presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, do ex-presidente e fundador do SEST SENAT, Clésio Andrade, além de representantes da Embaixada do Brasil na Espanha e de autoridades brasileiras. Na IESE Business School, os participantes terão contato com metodologias consolidadas de ensino executivo, que priorizam a análise prática de desafios empresariais reais. A proposta é preparar lideranças capazes de responder com agilidade às mudanças que impactam diretamente o setor de transporte, como digitalização, automação e novas demandas de mercado. O encerramento, previsto para sexta-feira (1º), será marcado por um debate sobre os aprendizados da missão e a identificação de soluções aplicáveis à realidade brasileira. A cobertura completa da Missão será realizada pelos canais de comunicação do Sistema Transporte. Método do caso: tomada de decisão no centro do aprendizado Um dos pilares da formação na IESE é o método do caso, que coloca o participante no papel de decisor diante de situações reais de gestão. Nesse modelo, a tomada de decisão é estruturada em quatro etapas principais: análise dos fatos, definição do problema, avaliação de alternativas e síntese da decisão. O objetivo é desenvolver a capacidade de julgamento em cenários de incerteza, aproximando o aprendizado da realidade enfrentada pelas organizações. O processo é operacionalizado em três momentos complementares: A metodologia, amplamente utilizada por escolas de negócios de referência, contribui para o desenvolvimento da prudência, da escuta ativa e da autoconfiança, além de oferecer um ambiente seguro para experimentação e aprendizado a partir de erros. Por Agência CNT Transporte Atual
CNT defende estabilidade regulatória e inovação para avanço dos biocombustíveis

Debate sobre diesel, SAF e biodiesel destaca papel do transporte na eficiência logística e na confiabilidade da matriz energética A CNT participou do seminário “A Lei Combustível do Futuro e as Perspectivas para os Biocombustíveis”, promovido pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), com apoio institucional do FGV Agro (Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas), em São Paulo (SP). Realizado nesta quinta-feira (23), o encontro reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor para discutir os rumos do diesel rodoviário e marítimo, do HVO (diesel verde) e do SAF (combustível sustentável de aviação). Entre os destaques da programação, a gerente executiva Governamental da CNT, Danielle Bernardes, participou do painel “Biodiesel e misturas: Qualidade e boas práticas na armazenagem e distribuição”. Em sua intervenção, ressaltou que a qualidade do biodiesel é fator determinante para garantir eficiência logística e segurança operacional no transporte rodoviário. A gerente destacou que a CNT tem defendido, em diferentes fóruns, a adoção de políticas públicas que assegurem previsibilidade e estabilidade regulatória, consideradas essenciais para o desenvolvimento sustentável do setor. Segundo ela, a qualidade das misturas também é estratégica para o fortalecimento da matriz energética nacional. Bernardes enfatizou ainda que o transporte integra diretamente a cadeia dos biocombustíveis. Nesse contexto, a adoção de boas práticas na armazenagem e na distribuição contribui para a redução de custos e o aumento da confiabilidade do sistema. Renovação de frota e fortalecimento institucional A CNT também reforçou a importância de políticas voltadas à renovação da frota nacional e ao incentivo à retirada de veículos antigos de circulação. De acordo com a entidade, modelos mais novos apresentam melhor desempenho e menor incidência de problemas relacionados ao uso de biodiesel, enquanto a elevada idade média da frota brasileira ainda representa um desafio para a eficiência e a segurança operacional. Outro ponto considerado estratégico é o fortalecimento da atuação da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), especialmente no que se refere à fiscalização da qualidade dos combustíveis. “Isso passa, necessariamente, por ampliar a capacidade técnica e institucional da agência”, defendeu a gerente da CNT. Além de Danielle Bernardes, participaram do painel Vicente Pimenta (Abiove), Samuel Carvalho (Sindicom), Edneia Caliman (ANP) e Guilherme Wilson (Semove), sob moderação de Gilles Laurent Grimberg, CEO da Actioil do Brasil. O grupo discutiu práticas e desafios relacionados à armazenagem, à distribuição e à qualidade dos combustíveis. O seminário também abordou temas como o aumento da mistura de biodiesel, o uso de diferentes matérias-primas, as demandas de mercado, além de políticas públicas nacionais e internacionais e desafios regulatórios para o avanço dos biocombustíveis. Por Agência CNT Transporte Atual