Confederação reforça atuação internacional e agenda estratégica voltada à descarbonização e à competitividade do setor
A CNT participou da Hannover Messe 2026, principal feira global de tecnologia industrial, realizada entre os dias 20 e 24 de abril, na Alemanha. Integrando o pavilhão brasileiro como patrocinador, ao lado da ApexBrasil, o Sistema Transporte marcou presença em um evento que teve o Brasil como país-parceiro oficial.
A participação posiciona a Confederação como articuladora multissetorial na promoção da inovação e no avanço da agenda de transição energética no transporte. A atuação está alinhada às metas de descarbonização previstas no Plano Clima e aos compromissos internacionais assumidos pelo país, com foco no desenvolvimento econômico sustentável.
Durante a programação, a CNT organizou três painéis sobre descarbonização e desenvolvimento sustentável, com foco na promoção de tecnologias que utilizem a matriz energética sustentável do Brasil ou promovam os biocombustíveis já produzidos no país. A agenda também permitiu realizar visitas técnicas com empresas internacionais e acompanhar soluções já em desenvolvimento, especialmente no modo rodoviário.
Entre os destaques, estiveram tecnologias com potencial de aplicação no Brasil, como sistemas de pesagem veicular com monitoramento em tempo real, soluções para gestão de armazéns, uso de drones em operações logísticas e ferramentas de controle ambiental. A Confederação também identificou novas tecnologias de propulsão com ar comprimido, ainda em desenvolvimento, mas com grande potencial de descarbonização da frota rodoviária.
A comitiva da CNT também acompanhou apresentações de empresas como a WEG, com modelos inovadores de estações de recarga; a Pezben, com sistemas de pesagem embarcada; e a Tuvinode, com soluções voltadas ao monitoramento de emissões e à conformidade ambiental.
Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, o evento se consolida como espaço estratégico para identificação de oportunidades e aproximação com players globais. “Identificamos diversas soluções com potencial de aplicação no setor transportador, como tecnologias como drones e warehouse para operações logísticas, sistemas de pesagem por eixo e inovações voltadas à mobilidade”, afirmou.
Segundo ela, a participação reforça uma agenda permanente de diálogo com a indústria e o ecossistema de inovação. “Essa troca de experiências é fundamental para antecipar tendências e trazer ao Brasil soluções que aumentem a eficiência e a competitividade do setor, especialmente no contexto da transição energética”, completou.
Painéis reforçam agenda de transição energética
Em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e volatilidade no preço do petróleo, os painéis promovidos pela CNT reuniram representantes do setor público e da iniciativa privada para debater soluções voltadas à transição energética.
O primeiro painel abordou a integração entre descarbonização, inovação e arranjos institucionais, com foco em iniciativas regulatórias. Participaram o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Uallace Moreira Lima, e o head de Sustentabilidade da Bravo Logística, Marcos Azevedo. O debate destacou o financiamento verde como condição para viabilizar a cadeia de combustíveis alternativos.
“É um desafio relevante, que temos tratado no âmbito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, com foco em investimento em infraestrutura”, afirmou Uallace Moreira. Marcos Azevedo defendeu medidas complementares, com destaque para a renovação de frota. “Incentivos como isenção de IPVA, redução de pedágios e estímulos tributários na aquisição de veículos novos também são importantes como incentivos ao setor”, disse.
Outro painel tratou do papel do biometano na transição energética. O gerente de Sustentabilidade da Jomed Transportes, Carlos Ferreira, destacou o potencial do combustível, mas apontou entraves. “A produção existe, porém grande parte ainda é destinada à indústria”, afirmou. Em complemento, ele reforçou que “o custo de aquisição de um veículo a biometano ainda é superior em, pelo menos, 30% de um veículo convencional, o que dificulta a implementação dessa tecnologia por mais empresas do setor”.
Já Marcos Azevedo reforçou os desafios de infraestrutura: “Para avançar para o interior, precisamos de soluções off-grid. Organizar corredores verdes é fundamental para dar escala e incentivar novos entrantes”.
O terceiro debate discutiu a descarbonização de veículos pesados, com foco na eletrificação de frotas. O diretor financeiro da Braspress Transportes Urgentes, Giuseppe Coimbra, destacou a viabilidade nos grandes centros urbanos. “A economia no consumo em relação ao diesel nos encoraja, apesar de desafios como custo de aquisição, produção e prazo de entrega”, afirmou. Ele também ressaltou a crescente exigência por transparência. “Estamos medindo a pegada de carbono por unidade transportada em todas as operações para futuras compensações e repassando as informações aos embarcadores”, disse.
Já o diretor de Manutenção da Radial Mais Transporte, Ricardo Irapuan, apresentou alternativas adotadas no transporte coletivo urbano. “Na nossa empresa, substituímos motores a diesel por sistemas movidos a GNV e biometano. Do ponto de vista da manutenção, a adaptação foi mais simples e os resultados iniciais são positivos”, afirmou. Ele também alertou para os custos estruturais: “Não é só a compra do veículo. É preciso considerar toda a infraestrutura. Em uma frota grande, isso tem impacto direto na viabilidade”.
Os painéis foram conduzidos pela diretora Fernanda Rezende e dialogam com a Série CNT Energia no Transporte, que reúne estudos técnicos sobre alternativas como hidrogênio renovável, eletromobilidade e diesel verde, analisando suas viabilidades e desafios. Clique aqui para acessar a Série.
Por Agência CNT Transporte Atual



