O avanço da atividade econômica, impulsionado pelo comércio eletrônico e pelo consumo nas regiões metropolitanas, tem ampliado a demanda por transporte de cargas nas áreas urbanas. Segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), o transporte rodoviário concentra cerca de 63% da movimentação de mercadorias, evidenciando a forte dependência das cidades neste modal para garantir o abastecimento. Esse cenário, no entanto, não foi acompanhado por avanços proporcionais na infraestrutura logística, refletindo diretamente nos custos e na eficiência das operações.
Em 2025, os custos logísticos no Brasil atingiram cerca de 15,5% do PIB, segundo o Ilos, patamar associado principalmente à falta de investimentos estruturais. No ambiente urbano, o cenário é agravado por restrições de circulação e regras distintas entre municípios, como rodízios, zonas restritivas e horários operacionais, que operam de forma descoordenada. Esse conjunto de fatores compromete a produtividade logística e reforça a necessidade de maior integração entre Estado e municípios para garantir eficiência operacional.
Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), Carlos Panzan, o desafio ganha escala nas áreas metropolitanas, que concentram cerca de 75% da população do estado e 83% do PIB paulista, mas ainda operam sob um modelo fragmentado. “Embora a legislação estabeleça o transporte como função pública de interesse comum, a execução integrada entre Estado e municípios ainda é limitada, o que gera um descompasso estrutural”, afirma.
Na prática, esse cenário se traduz em uma série de gargalos regulatórios e operacionais que impactam diretamente o abastecimento urbano. Entre os principais entraves estão o excesso de restrições de circulação, como ZMRC e restrições em vias estruturais. A própria área metropolitana de São Paulo contribui para esse cenário, com cidades do entorno adotando datas e horários de rodízio distintos da Capital. Esse conjunto cria um ambiente fragmentado, que dificulta o fluxo contínuo de mercadorias em uma macrorregião altamente interdependente.
De acordo com Panzan, a ausência de regras uniformes obriga as empresas a adaptarem suas operações município a município, lidando com diferentes horários, critérios para circulação de veículos e exigências específicas. O cenário impacta toda a cadeia de abastecimento, com reflexos diretos no preço final dos produtos ao consumidor. “Isso aumenta o tempo de operação, reduz a produtividade dos ativos e eleva custos diretos e indiretos. Na prática, o transporte deixa de ser uma operação integrada e passa a ser fragmentado, comprometendo a eficiência logística”, destaca o dirigente.
Diante desse cenário, a FETCESP defende como prioridade a consolidação de uma governança metropolitana efetiva, baseada em planejamento integrado, padronização de regras e maior coordenação entre os entes públicos. A entidade também alerta para os riscos de não avançar nessa agenda, como a perda de previsibilidade do abastecimento, aumento de custos de produtos gerais e maior exposição a vulnerabilidades operacionais, incluindo o roubo de cargas. “A logística precisa ser tratada como função pública essencial, com integração entre poder público e setor produtivo para garantir eficiência, segurança e abastecimento nas grandes cidades”, conclui Panzan.
Fonte: FETCESP



