Missão Internacional do Transporte discute geopolítica, inovação e mobilidade em Barcelona

Delegação liderada pelo Sistema Transporte participa de programação acadêmica e visitas técnicas na Espanha, com foco em tendências globais e modelos de gestão

Nesta terça-feira (28), primeiro dia da programação acadêmica da Missão Internacional do Transporte – Espanha 2026, a delegação de empresários refletiu sobre alguns dos temas mais instigantes da atualidade, como conflitos geopolíticos e busca por hegemonia tecnológica.
Professor de Estratégia Digital da IESE, Josep Valor Sabatier começou sua exposição compartilhando uma série de ilusões de óticas em imagens dúbias. Em seguida, provocou o grupo: “Se não podemos confiar nem na nossa visão, é muito complicado entender a realidade”.

O professor mencionou quatro “armadilhas” da mente humana:

  1. Existem diferentes frames para abordar a realidade.
  2. Há dificuldade em mudar de opinião após expressá-la publicamente.  
  3. Há uma tendência a desconsiderar informação e confiar na intuição. 
  4. Há uma tendência a abusar da “visão estratégica”.

Sabatier falou, ainda, sobre a evolução da inteligência artificial enquanto campo de estudos. E aconselhou os empresários a testarem as ferramentas disponíveis sem preconceito. “Brinquem com a tecnologia e vejam o que ela é capaz ou não de fazer”.
Ao explicar a lógica por traz das máquinas, o especialista alertou para a implicação ética dos algoritmos. Segundo ele, temos de zelar para que eles sejam justos (sem vieses), mais transparentes e auditáveis.

Momento do Transporte
Em sua participação, a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, compartilhou dados sobre a mobilidade brasileira para ajudar a contextualizar a experiência catalã, que é inteiramente pública.
Na visão dela, a administração dos sistemas de transporte coletivo na Grande Barcelona tem cinco diferenciais importantes:

  1. planejamento de longo prazo;
  2. abrange toda a região metropolitana;
  3. conecta transporte e habitação;
  4. uma única entidade controla todas as modalidades;
  5. a administração utiliza serviços como fonte de receita.

Já a diretora adjunta do ITL, Eliana Costa, apresentou números que atestam a excelência das capacitações executivas oferecidas pela entidade. São exemplos dessa trajetória:

  • + de 4.900 gestores matriculados;
  • + de 4.200 certificações emitidas;
  • + de 1.100 empresas beneficiadas;
  • + de R$ 167 milhões investidos na qualificação do setor.

“De acordo com a Pesquisa de Encerramento de Curso 2025, o nível de satisfação dos egressos com a formação oferecida é de 99,6%”, afirmou a diretora.

Geopolítica e conjuntura econômica
Por fim, o professor de economia Jordi Gual, da IESE, conduziu um debate sobre a nova ordem mundial a partir de quatro tópicos:

  1. A luta pela hegemonia global.
  2. Têm os EUA uma estratégia?
  3. Os pontos fortes (e as debilidades) da China.
  4. As carências da União Europeia.

Ao analisar as recentes investidas econômicas e militares dos Estados Unidos, o acadêmico expressou preocupação. “Temos agora um mundo de unilateralismo, da lei do mais forte, em que os conflitos bélicos serão muito mais habituais, infelizmente”.
Para ele, o episódio em torno do fechamento do Estreito de Ormuz tende a ser equacionado em breve, devido ao cansaço de ambos os lados. Em sua visão, as ações da atual administração americana “parecem mais pautadas por emoções e nostalgia do que por estratégia”.
Se quiser se colocar como potência maior, a China precisará enfrentar a desaceleração econômica e a fraqueza artificial do yuan, que ajudou o país asiático a se projetar como exportador de manufaturados baratos.
Jordi Gual concluiu sua palestra mostrando o difícil impasse europeu, que envolve desde o envelhecimento da população até a resistência a fluxos migratórios, passando pela dependência energética de vários países do bloco.


Visitas técnicas
Além das aulas na IESE, a comitiva do transporte tem uma programação de visitas técnicas na Espanha. Na segunda-feira (27), o grupo foi à sede da AMB (Área Metropolitana de Barcelona). Trata-se do braço da administração pública responsável pelas políticas de transporte e moradia dos 36 municípios que compõem a região.
Marc Iglesias, diretor de Serviço de Mobilidade Sustentável da AMB, falou ao grupo de empresários. “Nossa administração é muito voltada à cidadania, à prestação de serviços”, ressaltou.
Os participantes da Missão Espanha 2026 também conheceram o trabalho da TMB (Transporte Metropolitano de Barcelona), entidade pública que faz a gestão dos ônibus e metrôs da metrópole catalã.
O diretor de Relações Internacionais da empresa pública, Michael Pellot, deu uma aula sobre o transporte em Barcelona, que é inteiramente gerido pelo Executivo. Falou sobre o sistema de tarifas e bilhetes e detalhou a composição da frota de veículos, entre outros temas. Com muitos veículos híbridos e elétricos, Barcelona se declara, orgulhosamente, “dona da frota de ônibus mais limpa da Europa”.
Também na segunda-feira, a comitiva do Transporte visitou a zona portuária da cidade, onde os transportadores brasileiros foram recepcionados por Eduard Rodés, diretor da Escola Europea Intermodal Transport. Ele falou sobre as tendências globais que estão transformando o negócio, tais como o uso de IA e o gigantismo dos navios.
O grupo fez um passeio de barco supervisionado pela diretora-geral adjunta da Escola Europea, Marta Miquel, que falou sobre o perfil de cargas do Porto de Barcelona, que é um dos principais hubs logísticos da Europa e de turismo do Mediterrâneo. Localizado perto do centro, movimenta anualmente mais de 113 bilhões de euros em cargas e conecta com mais de 200 portos.
Por fim, os participantes da Missão Espanha conheceram a operação de uma unidade da DHL que atende uma grande rede de supermercados. Um dos destaques da visita foi o funcionamento do sorter, sistema automatizado para classificação e triagem de mercadorias. Também chamou a atenção o uso de robôs para transportar paletes.

Por Agência CNT Transporte Atual

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