CNT reforça protagonismo dos biocombustíveis e defende coordenação para descarbonização do transporte na Hannover Messe

Em painel na maior feira industrial do mundo, Confederação destaca integração entre políticas públicas, financiamento e inovação para viabilizar a transição energética no setor

O protagonismo dos biocombustíveis brasileiros marcou a abertura da Hannover Messe 2026, na Alemanha, onde o Brasil participa como país-parceiro oficial e coloca a descarbonização do transporte no centro da agenda global de inovação industrial. Iniciado no domingo (19) e com programação até sexta-feira (24), o evento é considerado o principal encontro mundial do setor. O Sistema Transporte participa com atuação estratégica, conduzindo debates voltados à construção de soluções concretas para um modelo mais sustentável.

Em painel realizado nesta terça-feira (21), a CNT destacou que a transição energética no transporte depende da articulação entre políticas públicas, modelos de governança e iniciativas empresariais alinhadas às cadeias globais de valor. “A transição para uma economia de baixo carbono exige novos arranjos de governança e políticas públicas capazes de acelerar essa transformação de maneira coordenada e eficiente”, afirmou a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, na abertura do debate.

A diretora moderou o encontro, que contou com a participação do secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Uallace Moreira Lima, e do head de Sustentabilidade da Bravo Logística, Marcos Azevedo. Durante o encontro, foi ressaltado o desafio de avançar na descarbonização sem comprometer o papel estratégico do transporte para a competitividade econômica e a integração do país às cadeias globais.

Ao longo do painel, os participantes discutiram iniciativas de inovação, avanços regulatórios e a necessidade de coordenação institucional para impulsionar a descarbonização do transporte de forma pragmática. O debate dialoga com a Série CNT Energia no Transporte, conjunto de estudos técnicos desenvolvido pela Confederação Nacional do Transporte para analisar as principais alternativas energéticas aplicáveis ao setor. As publicações apresentam a origem das fontes de energia, o panorama nacional e internacional, além das vantagens, limitações e desafios técnicos, econômicos e ambientais associados à sua adoção, com foco em soluções como hidrogênio renovável, eletromobilidade e diesel verde.

Uallace Moreira destacou a importância da expansão de infraestrutura e de corredores sustentáveis para ganho de escala. “É um desafio relevante, que temos tratado no âmbito do PAC, com foco em investimento em infraestrutura”, afirmou. Ele também ressaltou o papel do financiamento público, como as linhas do BNDES para biometano, com taxas de cerca de 6% ao ano via Fundo Clima.

Do ponto de vista empresarial, Marcos Azevedo destacou que o financiamento verde é essencial para viabilizar a cadeia do biometano, mas defendeu medidas adicionais. “Incentivos como isenção de IPVA em todo território nacional, redução de pedágios e estímulos tributários na aquisição de veículos também são importantes”, disse. Segundo ele, o mercado regulado de carbono tende a ganhar relevância no médio prazo, mas o desafio imediato é tornar viáveis os investimentos no presente.

A renovação de frota também foi apontada como eixo da transição energética. A CNT defende políticas voltadas à aquisição de veículos novos e seminovos por autônomos, cooperativas e empresas, com condições financeiras acessíveis. Análises da Confederação indicam que a substituição de veículos antigos pode gerar melhorias na qualidade do ar entre 33,5% e 86,3%. A medida integra iniciativas como o programa Move Brasil, que prevê R$ 10 bilhões em financiamento via BNDES. “O transportador autônomo, em geral, não tem condições de adquirir um caminhão novo. É fundamental que a política pública considere essa realidade e tenha caráter permanente”, destacou Uallace Moreira.

O Sistema Transporte atua como uma das patrocinadoras da participação brasileira no Hannover Messe 2026, ao lado da ApexBrasil. Além do painel desta terça, a CNT irá promover mais duas rodas de debates na feira alemã, ambos nesta quinta-feira (23). 

Abertura da Hannover Messe

A CNT integra a comitiva oficial brasileira na Hannover Messe 2026 e participou tanto da cerimônia de abertura, no domingo (19), quanto da inauguração do pavilhão brasileiro, na segunda-feira (20). As agendas contaram com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reforçou o posicionamento do país como potencial líder global na transição energética e na oferta de combustíveis renováveis.

Durante a agenda, Lula destacou a competitividade da matriz energética brasileira e defendeu maior protagonismo do país na inovação industrial limpa e na cooperação internacional. “O Brasil fala que será uma potência mundial na transição energética e que será uma potência mundial na oferta de combustível renovável para o mundo. Nós não estamos falando pouca coisa”, afirmou.

O presidente também propôs a comparação internacional das emissões de combustíveis utilizados no transporte pesado, como forma de evidenciar o potencial dos biocombustíveis brasileiros na redução de CO2 e no ganho de competitividade. “Vamos fazer uma comparação entre os combustíveis brasileiros e os combustíveis alemães ou qualquer outro combustível de outro país, para que a gente possa ver qual é o combustível que emite menos CO2”, disse.

Após a cerimônia, o presidente visitou estandes de empresas brasileiras e internacionais como WEG, BE8, Vale, Volkswagen Brasil, Embraer e Bayer Brasil, onde foram apresentados caminhões movidos a biocombustível. A agenda incluiu ainda visita às instalações da Volkswagen, reforçando o diálogo sobre política industrial, inovação e descarbonização no setor produtivo.

Por Agência CNT Transporte Atual

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