Capacidade de gestão de conflitos é um superpoder na liderança contemporânea

Último dia de imersão contou com aula que destacou como divergências podem ser canalizadas de forma produtiva no ambiente corporativo

Nesta sexta-feira (1º), último dia da programação acadêmica da Missão Internacional do Transporte, a delegação de empresários brasileiros recebeu lições sobre gestão de conflitos no mundo corporativo.

“Em um cenário global marcado por tensões crescentes, a capacidade de gerir conflitos tornou-se uma competência essencial para líderes e empresários”, introduziu Raphael Müller, professor de Negociação na ISE Business School (instituição que representa a IESE na cidade de São Paulo). E, em seguida, fez uma provocação: “Precisamos de conflitos, desde que sejam produtivos”.

 Para ele, organizações com maior diversidade tendem a apresentar melhores soluções justamente por reunirem visões distintas. O desafio da liderança, portanto, não é eliminar divergências, mas criar ambientes em que essas diferenças possam ser canalizadas de forma construtiva.

O conceito de conflito, segundo o especialista, envolve a existência de posições opostas decorrentes de percepções divergentes sobre interesses e perspectivas. Nesse sentido, o chamado “consenso superficial” — quando há concordância aparente, sem engajamento real — pode ser mais prejudicial do que o embate aberto. “As soluções criativas nascem do confronto de ideias”, destacou.

Para lidar com esse ambiente, habilidades como empatia e escuta ativa tornam-se fundamentais. Mais do que se colocar no lugar do outro, é preciso compreender o mundo a partir da perspectiva do interlocutor. Essa capacidade permite ao líder adaptar sua comunicação e considerar os impactos de suas decisões sobre diferentes perfis de pessoas.

Müller também chamou a atenção para a complexidade das chamadas “conversas difíceis”. Segundo ele, não se trata de torná-las fáceis, mas de estruturá-las melhor. “Estamos lidando com emoções, não apenas com racionalidade. Preparar-se para essas interações reduz a imprevisibilidade e aumenta a qualidade dos resultados”, afirmou.

Como ferramenta prática, o professor apresentou um modelo baseado em quatro perfis comportamentais predominantes: determinação, controle, energia e afetividade. Cada um possui características específicas, pontos fortes e riscos associados. Indivíduos com alta determinação, por exemplo, tendem a ser diretos e orientados a resultados, mas podem se tornar inflexíveis. Já os de alta afetividade valorizam relações e harmonia, mas podem enfrentar dificuldades na tomada de decisão.

Apesar da categorização, Müller alertou para o risco de rotular pessoas. “Todos transitamos entre os perfis, embora tenhamos predominâncias. O objetivo é adaptar a comunicação para gerar conexão e compreensão”, explicou. A proposta dessas classificações, segundo ele, é utilizar esse conhecimento para ajustar a forma de transmitir mensagens, aumentando a eficácia da interação.

Os participantes da Missão tiveram a oportunidade de testar essa abordagem em um exercício prático, envolvendo quatro casos que demandavam uma tomada de decisão. Após a sessão, Marcio Pasquali, diretor na Bravo, ressaltou: “Conflito e tomada de decisão estão presentes o tempo todo nas operações logísticas. Nessas circunstâncias, saber modular a fala é fundamental para criar engajamento. Não se faz nada sozinho”.

“Técnicas de gestão de conflito, como as que foram mostradas, ajudam muito nas relações. Fala-se muito sobre empatia, mas se não conhecermos um pouco sobre o outro e como ele processa as informações, fica difícil construir pontes”, sintetizou George Ramos, diretor no Grupo Petrópolis.

Por Agência CNT Transporte Atual

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