ANTT reajusta piso mínimo de frete com base na alta do diesel

Nova portaria atualiza coeficientes após variação de 6,67% no preço do combustível e referência passa a ser de R$ 7,35 por litro

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) publicou, na edição extra do Diário Oficial da União de sexta-feira (20), a Portaria SUROC nº 4, de 20 de março de 2026, que atualiza os coeficientes dos pisos mínimos de frete previstos no Anexo II da Resolução nº 5.867/2020.

Com a atualização, passa a vigorar como referência o preço médio do diesel S10 praticado nas bombas dos postos de varejo, fixado em R$ 7,35 por litro, considerando a semana de 15 a 21 de março de 2026, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O reajuste foi realizado em função da oscilação no preço do óleo diesel, conforme estabelece o § 3º do art. 5º da Lei nº 13.703 de 2018.

O valor representa uma variação acumulada de 6,67% em relação ao último reajuste da tabela de frete, estabelecido pela Portaria SUROC nº 3/2026, quando o preço de referência era de R$ 6,89 por litro.

A nova tabela com os valores atualizados, segmentados por tipo de carga e número de eixos, está disponível para consulta na portaria publicada pela ANTT.

O que mudou?

A legislação brasileira prevê um “gatilho”. Sempre que o preço do Diesel S10 nas bombas apresenta uma variação (para cima ou para baixo) superior a 5%, a ANTT é obrigada a reajustar os valores da tabela. É uma forma de garantir que o transportador não arque sozinho com a volatilidade dos combustíveis.

No caso deste reajuste, é preciso olhar para os dois componentes que formam o preço do frete:

  1. CCD (Coeficiente de Deslocamento): É o valor que cobre o que você gasta rodando (combustível, pneus, manutenção). Este foi o que subiu. A média passou de R$ 6,368/km para R$ 6,585/km (considerando todas as tabelas).
  2. CC (Coeficiente de Carga e Descarga): É o custo fixo para parar o caminhão, carregar e descarregar. Este valor não mudou, permanecendo em R$ 478,76.

Quem sente mais o impacto?

Nem todo tipo de carga subiu igual. O impacto médio geral foi de 3,25%, mas algumas categorias tiveram variações específicas.

A maior alta foi no transporte de cargas frigorificadas ou aquecidas (Tabela D – operações de alto desempenho), chegando a 4,19% de aumento no coeficiente de deslocamento. Isso ocorre porque o consumo de energia/combustível nessas operações é naturalmente mais sensível.

Já a menor alta ficou por conta das operações de carga a granel pressurizada (Tabela A), com um ajuste de 1,25%. Confira os reajustes médios da tabela de frete, de acordo com o tipo de operação:

Tabela A – transporte rodoviário de carga de lotação: 4,82%

Tabela B – veículo automotor de cargas: 5,57%

Tabela C – transporte rodoviário de carga de lotação de alto desempenho: 6,15%

Tabela D – veículo de cargas de alto desempenho: 7,00%

Como aplicar os novos valores?

É possível acessar a calculadora atualizada no site da agência reguladora. É só digitar os dados solicitados para conferir o valor exato da rota: Calculadora do Piso Mínimo de Frete.

Por Agência CNT Transporte Atual

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