Em seminário do LIDE-MG, Vander Costa defende investimentos e multimodalidade no transporte

Durante debate sobre infraestrutura e mobilidade, Vander Costa destacou a integração entre modais, os desafios logísticos de Minas Gerais e os impactos da proposta de redução da jornada de trabalho no transporte

O presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, participou, nesta segunda-feira (25), do seminário Cidades: Infraestrutura e Mobilidade, promovido pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais) Minas Gerais, em Belo Horizonte (MG). Durante o painel Infraestrutura e Mobilidade Terrestre, o dirigente defendeu o fortalecimento da multimodalidade, a ampliação dos investimentos em infraestrutura e a análise dos impactos da proposta de redução da jornada de trabalho no setor transportador.

O encontro reuniu autoridades públicas, lideranças empresariais e especialistas para discutir os desafios da mobilidade urbana e da logística em Minas Gerais e no país.

Em sua participação, Vander Costa defendeu um modelo de transporte integrado, baseado na interdependência entre os diferentes modais. “O Brasil precisa tratar o transporte como uma prioridade estratégica de Estado. Não existe competição entre modais, existe complementaridade. Um sistema logístico eficiente depende da integração inteligente entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, com planejamento, investimento e visão de longo prazo”, afirmou.

Segundo o presidente do Sistema Transporte, a eficiência logística é fundamental para o crescimento econômico, a integração produtiva e a redução das desigualdades regionais. Nesse contexto, ele destacou a participação ativa da CNT na construção do PNL 2050 (Plano Nacional de Logística), iniciativa voltada ao planejamento de longo prazo da infraestrutura nacional, com foco na integração modal, na redução do custo Brasil e na diminuição das emissões de poluentes.

Ao abordar o cenário mineiro, Vander Costa ressaltou a relevância estratégica de Minas Gerais para a logística nacional. O estado concentra a maior malha rodoviária do país, com cerca de 272 mil quilômetros, o equivalente a 16% da malha nacional, mas ainda enfrenta desafios relacionados à capacidade, manutenção e modernização da infraestrutura.

Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostram que 37,9% dos trechos avaliados em Minas Gerais foram classificados como regulares, enquanto 27,5% apresentaram condições ruins ou péssimas, reforçando a necessidade de investimentos em recuperação e ações emergenciais na malha estadual. Segundo estimativas da CNT, seriam necessários R$ 15,8 bilhões em obras de recuperação e outros R$ 11,9 bilhões em intervenções emergenciais.

Outro tema debatido no painel foi o déficit de mão de obra qualificada no transporte e os possíveis impactos da proposta de redução da jornada semanal de trabalho. De acordo com dados apresentados durante o encontro, a diminuição da carga horária de 44 para 40 horas semanais demandaria cerca de 240 mil novas contratações e gerar impacto de R$ 11,88 bilhões no longo prazo.

“O transporte já convive com escassez de mão de obra e dificuldades de contratação, com 65,1% das empresas do setor enfrentando dificuldades para contratar motoristas. Por isso, mudanças na jornada de trabalho precisam considerar os impactos sobre a operação, os custos e a capacidade do setor de manter seus serviços”, afirmou Vander Costa.

O painel contou ainda com a participação do secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Bruno; do diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Guilherme Theo Sampaio; do presidente da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), Marco Aurélio Barcelos; do vice-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Emir Cadar; e da vice-presidente de Produtos da Wabtec, Daniela Rodrigues Ornelas.

Por Agência CNT Transporte Atual

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