Soberania, sim. Inércia, não.

Nota Institucional – FETRANSUL

O setor exportador brasileiro tem enfrentado, nos últimos anos, episódios que colocam em xeque sua capacidade de manter mercados externos e garantir o equilíbrio da balança comercial. Em momentos como esse, é esperado que o governo brasileiro exerça sua função de articulação internacional com firmeza, técnica e protagonismo. O que não se pode admitir é a omissão.

Em abril de 2023, quando a Argentina suspendeu a compra de dólares e as transferências ao exterior, exportadores brasileiros viram seus fluxos de caixa interrompidos e os volumes comerciais despencarem. Naquele momento, ao procurar o governo federal, o setor ouviu que pouco havia a ser feito, em nome do respeito à soberania do governo argentino. Uma resposta diplomática que, embora formalmente legítima, soou como resignação — e nos custou caro.

Agora, em 2025, com os Estados Unidos impondo uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o impacto pode ser ainda mais profundo e duradouro. Somente no Rio Grande do Sul, estima-se que mais de mil empresas exportadoras e cerca de 145 mil empregos da indústria de transformação estejam diretamente ameaçados, segundo a FIERGS.

A FETRANSUL expressa sua profunda preocupação com os efeitos colaterais dessa crise sobre o setor de transporte de cargas. A retração das exportações impacta diretamente a demanda por serviços logísticos, o volume de fretes contratados, o nível de utilização da frota e a geração de empregos no transporte. Uma queda brusca na atividade exportadora pode desorganizar rotas consolidadas, encarecer custos logísticos por ociosidade e comprometer o equilíbrio financeiro de empresas transportadoras em todo o país — especialmente no sul do Brasil, onde as exportações têm papel estruturante na economia.

A diferença é que, desta vez, não há espaço para hesitação. A FETRANSUL espera que o governo brasileiro adote uma postura assertiva e proativa, mobilizando canais diplomáticos, estabelecendo diálogo direto com autoridades norte-americanas e articulando, junto ao setor produtivo, medidas compensatórias e planos de contingência.

Defender os interesses do setor produtivo nacional — e, por consequência, da geração de empregos e renda — é um dever de Estado.

A FETRANSUL reafirma seu compromisso com os transportadores e com os setores que integram a economia exportadora gaúcha e brasileira. E continuará atuando com firmeza para que tenhamos, no Brasil, uma política externa que combine respeito, diplomacia e, acima de tudo, defesa estratégica do interesse nacional.

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