O projeto do Sistema Transporte, que atua no enfrentamento à violência e exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes foi debatido durante evento
A Lei Maria da Penha que completou 20 anos, em 2026, foi um dos temas do projeto “Marie Claire Legados”, lançado para comemorar os 35 anos da revista, da editora Globo. O evento passou por quatro cidades do país discutindo pautas que moldam o futuro do país sob a ótica feminina. No último encontro, em Brasília, nesta terça-feira (27), o evento discutiu Educação, Justiça, Cidadania e Transformação Social, e contou com a participação da diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, que falou sobre o Projeto Proteção do Sistema Transporte.
“É fundamental orientar crianças e adolescentes sobre como reconhecer e prevenir situações de abuso e violência, uma vez que ações assim contribuem para evitar violências futuras”, defendeu, ao abordar o enfrentamento da violência contra as mulheres.
Em parceria com a Childhood Brasil, o Proteção – que em 2026 completa 10 anos, visa conscientizar e sensibilizar os trabalhadores do setor de transporte e toda a sociedade contra a exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias do país, passando a atuar como agentes de proteção em todo o Brasil.
O painel foi mediado pela editora da revista Marie Claire, Priscilla Geremias, e contou ainda com a presença da promotora de justiça do Ministério Público de São Paulo, Silvia Chakian, e da procuradora federal da Advocacia-Geral da União, Manuellita Hermes.
“A atuação do Sistema Transporte começou em 2004, com campanhas realizadas nas unidades operacionais do SEST SENAT de todo o país, para orientar profissionais e empresas de transporte sobre como identificar e denunciar casos de exploração sexual de crianças e adolescentes, na sua maioria mulheres. Em 2016, as ações foram reunidas no Projeto Proteção. Nesse trabalho, é importante destacar que contamos com a parceria da Childhood Brasil”, explicou Nicole Goulart.
Segundo a diretora do SEST SENAT, a presença nacional da instituição e o contato direto com empresas e profissionais do transporte permite criar uma rede de prevenção e denúncia. Nicole Goulart ressaltou ainda que os trabalhadores do transporte podem atuar como agentes de proteção, especialmente em locais identificados como pontos de vulnerabilidade.
Durante a apresentação, ela citou dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, segundo os quais o Brasil registrou mais de 84 mil casos de estupro de vulnerável em 2025. Desse total, pouco mais de 61 mil envolveram vítimas de 0 a 17 anos, o equivalente a 72,4%. Os números também apontam que 65,6% dos registros de estupro de vulnerável ocorreram em residências e que, nos boletins com informações sobre o vínculo entre vítima e autor, 59% dos suspeitos eram familiares e 36,9%, conhecidos.
“Além da legislação, é necessário garantir condições para que as vítimas consigam romper o ciclo de violência, com acesso a redes de apoio, oportunidades de qualificação profissional, oportunidades de atendimentos psicológicos, entre outras ações específicas para que o contexto daquela mulher mude”, disse.
A diretora executiva nacional do SEST SENAT encerrou sua participação ressaltando que a igualdade precisa se traduzir em mudanças, principalmente, nas relações sociais e no mercado de trabalho, com maior presença de mulheres em espaços de decisão. “Que nos habituemos a ver mulheres em espaços de poder outrora majoritariamente masculinos; que estejamos representadas e não surpresas”, concluiu.
Saiba mais sobre o Proteção na série documental disponível no Globoplay.
Por Agência CNT Transporte Atual



