Polícia Federal irá agir nos crimes de roubo de cargas

O roubo de cargas, peças de caminhões e de veículos de transporte rodoviário entrará no alvo da Polícia Federal (PF). A garantia é do presidente do Setcergs (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul), Sérgio Gabardo, que obteve a confirmação do diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino. O reforço, segundo o dirigente, será fundamental no enfrentamento a um dos principais problemas que assola as empresas do ramo. As ações da Polícia Civil, diz Gabardo, têm sido estratégicas para impedir um crime que representa grandes prejuízo para as transportadoras de cargas. As cargas mais visadas, diz o dirigente, são aquelas que têm grande valor ou são fáceis de comercializar. Já as peças roubadas custam, em média, entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. “Os motoristas ainda vivenciam uma insegurança muito grande para fazer o pernoite”, sentencia. Na manhã desta sexta-feira, por exemplo, a Operação Aleteia, realizada na Região Metropolitana de Porto Alegre, impediu o desvio de cargas de aço e soja. A operação, desencadeada pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar) em conjunto com a Polícia Militar de Goiás e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), cumpriu 13 medidas cautelares judiciais: quatro mandados de prisão temporária; um mandado de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão. “Essa operação, resultado de cinco meses de operação, é de extrema importância, pois estamos vivendo uma era de insegurança muito grande roubo de cargas, de peças de caminhões e dos veículos”, diz Gabardo. A Operação Aleteia desvendou ações de um grupo criminoso que atuava além de roubos aleatórios em Canoas e Nova Santa Rita. As cargas furtadas eram vendidas em mercados do próprio líder da facção. Um efetivo de 48 policiais civis, 21 viaturas, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do helicóptero da Polícia Civil, flagrou situações como a de um criminoso que tentou forjar um roubo de veículo e da existência de um supermercado falso que contava com depósito para receber as cargas desviadas. A ação da Polícia Civil integra a Operação Cavalo de Troia – Ultimato Final. A investigação que deu nome à operação começou em junho de 2020 devido ao aumento significativo de registros de ocorrências de roubos de carregamentos de soja e de aços utilizados na construção civil. Já nas primeiras diligências, os policiais constataram que 100% dos registros de roubos eram falsos e que se tratavam, na verdade, da modalidade criminosa de estelionato, com a participação direta do motorista transportador. A força-tarefa apurou que os motoristas utilizavam uma conhecida plataforma digital de contratação de frete para atrair suas vítimas, em sua maioria empresários ligados ao ramo de transportes que buscavam o menor preço para realizar vendas de aço e armazenagem de grãos. As vítimas entregavam suas cargas aos criminosos e, após realizarem o carregamento, eram desviadas e entregues aos receptadores. A narrativa padrão dos motoristas chamou a atenção dos investigadores que, observando o contexto das ocorrências, conseguiu verificar a existência do esquema, identificando todos os participantes. Um dos motivos que levou ao delito, segundo relato da Polícia Civil, foi o fato de as vítimas não terem pesquisado pregressa dos motoristas por priorizarem o menor preço de transporte. A operação resultou na prisão de 15 motoristas (10 temporárias/preventivas e cinco em flagrante), apreensão de cinco caminhões e recuperação de várias cargas. Segundo a investigação, apenas duas das ocorrências (de um universo de mais de 30) partiram ou tiveram por destino o estado de Goiás. O último motorista e seu comparsa foram presos em Goiânia, em vista de cumprimento de mandando de prisão preventiva, na quarta-feira (11). O motorista foi detido após embarcar mais uma carga. Novas medidas cautelares visando o encerramento do inquérito policial serão pleiteadas em juízo, especialmente em face do aplicativo digital e dos receptadores. Os investigados respondem pelos crimes de estelionato, receptação qualificada e associação criminosa. Há ainda cinco investigados foragidos, que seguem sendo procurados. Fonte: JC / Cristine Pires com agências

Governo anuncia desistência de cobrar outorga para conceder rodovias

Em entrevista publicada em 09 de agosto no Jornal do Comércio, o secretário especial de Parcerias do Estado do RS, Leonardo Busatto, revelou a disposição do Governo em abrir mão da outorga no pregão que vai privatizar 1.131 km de rodovias estaduais. A medida deverá incluir a retirada da trava de 25% para deságio nas tarifas, permitindo uma concorrência com melhor potencial de redução do valor dos pedágios. O Sistema FETRANSUL interpreta esta notícia como um avanço na busca de um modelo mais justo de promoção da privatização destas rodovias. Três dias antes a Federação participou de uma reunião com cinco secretários de estado em que a pauta foi a modelagem do Programa Avançar, do qual estas privatizações fazem parte. Em ofício entregue ao secretário Busatto, a Entidade havia solicitado a retirada da outorga e da trava de deságio, defendendo a livre concorrência, focada exclusivamente na busca da menor tarifa. O documento pediu ainda a revisão completa das projeções de evolução de tráfego e crescimento de demanda, pois os estudos apresentados não apontam suas fontes e são dissonantes das possiblidades de crescimento demográfico e econômico do RS. A partir da próxima semana a Assembleia Legislativa promoverá três audiências públicas para obter mais subsídios da sociedade quanto ao programa Avançar. O Sistema Fetransul participará também destes encontros, com o objetivo de contribuir para que se alcance o melhor resultado possível para os usuários das rodovias.

ANTT disponibiliza formato gráfico no Portal de Dados Abertos

Informações visam embasar decisões estratégicas e aprimorar a transparência para a sociedade A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), dentro das atividades do Biênio 2021-2023 do Plano de Dados Abertos (PDA), traz novos formatos de informação para a sociedade. Com o intuito de enriquecer a experiência dos usuários no Portal de Dados Abertos, e em complemento aos dados já disponíveis em formato aberto, a ANTT oferece também o formato gráfico de painéis dinâmicos, segregados por modais e disponibilizados por este link: Visualizações Gráficas – Temas – Portal de Dados Abertos ANTT. Exemplos de dados que podem ser encontrados no formato de gráficos são números de autuações de transporte rodoviário de passageiros, quantitativo de produção e transporte das concessões ferroviárias e o volume de tráfego por praça de pedágio das concessionárias de rodovias. Tais informações serão úteis para decisões estratégicas da Agência, áreas de pesquisa, veículos de imprensa ou mesmo para estudantes acadêmicos. Siga o caminho: Visualizações Gráficas -> HTML da informação desejada -> Explorar -> Recurso. As informações aparecem por meio da plataforma Microsoft Power BI. Ouvidoria e Assessoria de Estruturação de Informações Estratégicas (Asinf) estão trabalhando juntas para aprimoramento da transparência de informações da ANTT. Histórico – A Política de Dados Abertos do Poder Executivo Federal, instituída pelo Decreto n° 8.777 / 2016, tem o objetivo de aprimorar a cultura de transparência pública ao estabelecer regras para publicações, em formato aberto, de dados produzidos ou acumulados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Portanto, a exemplo de outras iniciativas de transparência pública, preconiza-se o acesso à informação como um direito dos cidadãos. Conceitualmente, os dados abertos são compreendidos como dados acessíveis ao público – que não estejam sob sigilo ou restrição de acesso – representados em meio digital, estruturados em formato aberto, processáveis por máquina, referenciados na internet e disponibilizados sob licença aberta que permita sua livre utilização, consumo ou cruzamento, limitando-se a creditar a autoria ou a fonte. Saiba mais sobre o PDA/ANTT aqui. Fonte: gov.br

Infrações e aplicações de penalidades da ANTT podem ser consultadas online

Veja o passo a passo para obter vistas e cópias de processos eletrônicos O serviço relativo à vistas de processos eletrônicos de apuração de infração e aplicação de penalidade da ANTT permite baixar os arquivos em PDF contendo cópia integral do processo eletrônico. Quem pode utilizar?Toda Pessoa Física ou Jurídica que possua autuação junto à ANTT. O requerimento será analisado pela GEAUT/SUFIS, que verificando a comprovação da legitimidade, irá aprovar a solicitação e imediatamente o autuado/representante terá acesso a funcionalidade de vistas aos processos eletrônicos. Etapas: 1. Solicitação de Acesso Para realização da consulta, o interessado (Pessoa Física) deve acessar a ÁREA DO AUTUADO e realizar a solicitação de acesso, ocasião em que deverá encaminhar documento comprobatório de legitimidade.Nos casos de a consulta ser relativa à Pessoa Jurídica, deverá ser realizado o mesmo procedimento, com o cadastro do CPF do Representante Legal. Documentação em comum para todos os casos:Devem ser incluídos documentos que comprovem a legitimidade do solicitante, tais como: documento de identidade, CPF, contrato social (pessoa jurídica) e procuração, se for o caso. Canal web :Clique aqui e acesse o site. 2. Obter Vistas de Processos Eletrônicos Após validação do cadastro pela GEAUT/SUFIS, o interessado poderá acessar a ÁREA DO AUTUADO e obter vistas dos processos eletrônicos. Canal web :Clique aqui e acesse. Outras Informações Quanto tempo leva?Até 3 dias úteis é o tempo estimado para a prestação deste serviço.Informações adicionais ao tempo estimado Após a validação do cadastro pela GEAUT/SUFIS, a consulta ocorrerá de forma imediata. Este serviço é gratuito para o cidadão. Este é um serviço da Agência Nacional de Transportes Terrestres. Em caso de dúvidas, reclamações ou sugestões, favor contactá-la. Fonte: SETCERGS

Sistema CNT lança material especial sobre ESG

Podcast, publicação e vídeo produzidos pela Agência CNT Transporte Atual explicam por que as boas práticas ambientais, sociais e de governança se tornaram essenciais para os negócios Em 2021, o mundo dos negócios despertou para o potencial do ESG, que se traduz em ambiental, social e governança. A sigla deixou de ser um jargão do mercado financeiro e passou a designar uma agenda de boas práticas a serem perseguidas pelas empresas, sob o olhar de consumidores cada vez mais exigentes. Essa reorganização de valores alcança o setor de transporte, que precisa estar atento a oportunidades e eventuais cobranças. Com o intuito de esclarecer conceitos e apontar caminhos, a Agência CNT Transporte Atual preparou um material especial, que inclui um podcast, um vídeo e uma publicação. Esta última resume a série de três reportagens sobre o tema publicada pela Revista CNT Transporte Atual entre os meses de março e maio de 2021. Para explicar cada letra da sigla ESG, foram ouvidos grandes especialistas, como Sandra Guerra (Better Governance), Aron Belinky (ABC Associados) e Marcella Ungaretti (XP). O material está disponível na Agência CNT Transporte Atual e no canal da CNT no Spotify. Baixe aqui o PDF da publicação. Fonte: Agência CNT Transporte Atual

CNT defende celeridade na aprovação final de programa de refinanciamento de dívidas com a União

Confederação Nacional do Transporte acredita que o projeto, já aprovado pelo Senado Federal, deve estar entre as prioridades para auxiliar as empresas afetadas pela crise da covid-19 e preservar empregos e renda A CNT (Confederação Nacional do Transporte) defende celeridade na aprovação final do projeto de lei n.º 4.728/2020, em função do agravamento da crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus e da necessidade de dotar as empresas brasileiras de capacidade para retomar a geração de empregos e renda. Aprovado no Senado Federal na última semana, por meio de parecer apresentado pelo senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o PL que reabre o prazo de adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, e possibilita o parcelamento com descontos de dívidas com a União segue para apreciação da Câmara dos Deputados e, depois, para sanção presidencial. O Brasil está diante de uma necessidade primordial de geração de renda, e isso exige medidas para a sobrevivência dos negócios. O país já soma quase 15 milhões de desempregados e não possibilitar o parcelamento de débitos junto ao governo federal é agravar ainda mais essa situação. Sem a aprovação do texto, as empresas de transporte, que desempenham um serviço essencial para o país, terão dificuldades de acesso a crédito, o que é fundamental para a continuidade da atividade transportadora nesse momento de crise.  A CNT acredita que, ao se preservarem as atividades econômicas, preserva-se também a saúde financeira dos cidadãos, principalmente daqueles de menor renda, que são diretamente afetados pela crise em face de demissões, suspensão de contrato de trabalho e redução de jornada e de salário. Fonte: Agência CNT Transporte Atual

Prêmio CNT de Jornalismo prorroga inscrições até 16 de agosto

Jornalistas e fotógrafos têm até a próxima segunda-feira, às 18h, para inscrever seus trabalhos; o período de veiculação também foi ampliado: de 18 de agosto de 2020 a 16 de agosto de 2021 Foram prorrogadas até a próxima segunda-feira (16), às 18h, as inscrições para o Prêmio CNT de Jornalismo 2021, uma das mais tradicionais premiações jornalísticas do Brasil. Também foi ampliado o período de veiculação dos trabalhos. Serão avaliadas as reportagens e fotografias publicadas entre 18 de agosto de 2020 e 16 de agosto de 2021. As matérias devem se enquadrar em uma das seis categorias: Impresso, Internet, Fotografia, Meio Ambiente e Transporte e, as novidades desta edição, Vídeo (para reportagens e documentários veiculados na TV e em serviços de streaming) e Áudio (para matérias de rádio e podcasts).  As pautas devem abordar aspectos do transporte, seja ele rodoviário, ferroviário, aquaviário ou aéreo – nos segmentos de passageiros ou cargas. Mais uma vez, os melhores trabalhos concorrerão ao Grande Prêmio (R$ 60 mil) e às premiações por categoria (R$ 35 mil cada). A seleção dos melhores trabalhos é feita, inicialmente, por uma comissão de pré-selecionadores composta por jornalistas com atuação acadêmica. Depois, os trabalhos finalistas serão escolhidos por uma comissão formada por quatro jornalistas de renome da imprensa nacional e um especialista em transporte.  Eles atribuirão notas de acordo com cinco critérios: relevância para o setor de transporte e o transportador; qualidade editorial; relevância para a sociedade; criatividade/originalidade; e temporalidade/atualidade. Os vencedores serão anunciados no mês de novembro. Saiba mais em premiocnt.cnt.org.br. Contato com a Comissão Organizadora: (61) 3315-7247 / 7142 – imprensa@cnt.org.br Fonte: Agência CNT Transporte Atual

SEST SENAT participa de audiência sobre proposta de CNH simplificada em cidades menores

O documento atenderia condutores de motocicletas ou ciclomotores de até 250 cilindradas em cidades com menos de 100 mil habitantes Foi realizada, nessa segunda-feira (9), audiência pública, na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, sobre o projeto de lei que cria uma categoria simplificada para a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) – PL 6.367/19. O documento atenderia condutores de motocicletas ou ciclomotores de até 250 cilindradas em cidades com menos de 100 mil habitantes. Pela proposta, o procedimento para a obtenção da carteira de motorista manteria exames de aptidão física e mental, de direção e de conhecimento da sinalização de trânsito, mas não teria provas sobre legislação e primeiros socorros e dispensaria também as aulas. A justificativa é que os altos custos dificultam a obtenção da CNH, assim como as provas escritas, que afastam os motoristas com baixa instrução. Em discussão na Câmara, o texto mantém o que está estabelecido no Código de Trânsito Brasileiro: 5% do valor arrecadado com multas devem ser depositados no Funset (Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito). Durante o evento, a diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, questionou o contingenciamento de recursos, mas afirmou que é favorável ao projeto com modificações.  Acrescentou ainda que a entidade pode ter papel importante para qualificar adequadamente os motociclistas. “A gente está à disposição para atender aos interesses, garantindo, óbvio, a segurança viária, a qualificação profissional adequada, a simplificação do processo de acesso a essa Carteira Nacional de Habilitação e, mais do que isso, um processo célere, mas, obviamente, sem perder a necessidade e a necessária formação e qualificação profissional.” O projeto indica que parte dos recursos do Funset pode ser usada para custear as carteiras da categoria S para motoristas de baixa renda. A proposta, que tramita em caráter conclusivo, aguarda parecer na Comissão de Viação e Transportes. O texto também precisa da análise da Comissão de Constituição e Justiça. Críticas Os debatedores, na audiência, afirmaram que a mudança pode trazer riscos à segurança do trânsito e ressaltaram que 90% das motos em circulação no país têm até 250 cilindradas. O diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), Frederico Carneiro, argumentou que, em 2019, 35% das mortes no trânsito foram de motociclistas, que também ocuparam parte significativa dos leitos hospitalares. Segundo o diretor do Denatran, entre 2019 e 2021, aumentaram as infrações com motociclistas: crescimento, por exemplo, de 18% para a falta de uso do capacete e de 116% para o transporte de menores de 7 anos. “O motociclista requer uma atenção especial do Estado, do Poder Público, dos órgãos de trânsito. Então, um projeto que visa simplificar a obtenção da CNH para esse condutor, ou seja, que dispensa, por exemplo, até conteúdos de sinalização, a prova escrita, vai claramente na contramão da segurança.”. Clique aqui para assistir à audiência. Com informações da Agência Câmara Fonte: Agência CNT Transporte Atual

Deputado Paulo Caleffi reúne-se com lideranças do Mercosul

Na manhã de hoje (12), o Deputado Federal Paulo Caleffi esteve reunido com Celso Russomanno, presidente do Parlamento do Mercosul, órgão que contribui para a construção de um espaço comum para o Mercosul, onde haja representatividade, transparência e legitimidade social no desenvolvimento e integração. Na oportunidade Caleffi, que também é membro da Comissão do Mercosul, tratou sobre outras demandas que beneficiam o estado do Rio Grande do Sul.

Motorista troca vida de dona de casa por caminhão e defende mais mulheres nas estradas

Rubia Brischiliari, que se tornou caminhoneira há menos de um ano em busca de independência, diz que falta infraestrutura para elas nas rodovias Antiga dona de casa, dedicada integralmente aos filhos, Rubia Brischiliari decidiu trabalhar fora para não depender mais do ex-marido. Mas ela não sabia que a coragem a levaria aos volantes do caminhão graneleiro Scania 113, rodando quase mil quilômetros por dia, e com a importante função de escoar a safra de grãos do Paraná. Com morada no município de Ibiporã (PR), a rotina da caminhoneira é descer cerca de 500 quilômetros até o Porto de Paranaguá com a carga cheia de soja, milho, trigo, e às vezes fertilizantes. Depois, circula durante a semana entre as cidades de Lapa, Castro, entre outras adjacentes ao porto, para conseguir mais viagens para Paranaguá no mesmo dia. “Só não gosto de passar o fim de semana fora”, ela diz ao contar que saudade de mãe é grande. Para a logística, Rubia conta com o auxílio do Tmov, uma plataforma que faz a conexão entre caminhoneiros e quem precisa escoar a carga via transporte rodoviário. “O aplicativo possibilita o retorno com o caminhão cheio, e aí a gente não roda vazio”, ela comenta ao dizer que as baixas temperaturas estão diminuindo muito o volume de trabalho. “A situação climática atrapalha nosso trabalho. Esse frio intenso está atrapalhando muito. Está sem grãos”, conta. “O frete está melhor na região de Paranaguá do que no Norte, e não costuma ser assim”, destaca. Uma forma de economizar, ela adiciona, é ficar de olhos atentos no preço do diesel. “Qualquer oportunidade de um diesel mais barato, a gente encosta”, ela conta, rindo. Ao se referir aos pedágios paranaenses, que têm fama do alto custo, ela prefere não reclamar. “Quando acontece alguma coisa, o guincho da concessionária chega mais rápido que o do seguro, então vale a pena.” Rubia conta a história na primeira pessoa do plural. Sempre nós. E não é por acaso, já que viaja para cima e para baixo com o pai. Há menos de um ano nas estradas do Paraná e parte de Santa Catarina, o companheiro de cabine nunca trabalhou com caminhão, mas, já aposentado, incentivou a filha na profissão. É que ele via a insatisfação dela quando trabalhava como motorista de ônibus em linhas urbanas. Primeiro, começou como cobradora, depois  superou o preconceito e o medo de dirigir veículos de grande porte e se tornou a motorista, o que durou cerca de nove anos.  “O ônibus cansava a mente. O caminhão cansa o corpo, mas o trabalho é mais prazeroso”, diz. O pai comprou o caminhão, levou para casa e ela lembra da reação. “Eu ficava lavando louça de frente para uma janela, onde dava pra ver o caminhão estacionado, e pensava: o que faço com isso?”. Tomou coragem, foi para frente do volante e os irmãos, que também são caminhoneiros, deram todo o suporte, inclusive passando instruções à distância, pelo rádio. Ela conta que há poucas caminhoneiras nas estradas, e isso acontece por dois motivos, segundo Rubia. Falta de coragem por parte das mulheres, falta de oportunidade por parte das empresas, que muitas vezes dão preferência a quem tem experiência, e não acolhem mulheres para ingressar neste mercado de trabalho. Outra característica das estradas que pode passar despercebido pelos homens, mas é ponto de atenção da caminhoneira, é o banheiro. “É difícil ter um banheiro feminino nas paradas. Banho, então, é ainda mais arriscado, tem alguns que não dá para trancar a porta. Não tem infraestrutura que espere mulher”, lamenta ao dizer que a companhia do pai dá um pouco mais de segurança. “Eu era machista comigo mesma”, admitiu Rubia, pois pensava que caminhão não era coisa de mulher. Mas quem pensa assim está errado, e ela pode provar. “O diesel corre no sangue”, afirma. Fonte: NTC&Logistica