O presidente da FETRANSUL, Francisco Cardoso, concedeu entrevista à jornalista Giane Guerra, da Zero Hora/GZH, sobre o atual cenário de alta nos preços e restrições na oferta de diesel.
Na coluna Acerto de Contas, Cardoso destacou os impactos desse cenário para as empresas de transporte e a pressão sobre os custos do setor. Confira a matéria:
O problema do diesel se espalha. Desde o início do mês, a coluna vem noticiando vendas restritas e altas de preços às transportadoras de cargas e aos produtores rurais. O mesmo ocorreu em fevereiro, quando começou a guerra no Irã. Agora, o petróleo voltou a firmar-se acima dos US$ 100. Há protestos em vários países contra reajustes nos combustíveis. Nos Estados Unidos, o juro teve que subir por conta da inflação. A situação não piora no Brasil porque o governo federal está segurando preços com subsídio para produzir e importar. Tem quem diga que vai estourar após a eleição, outros acham que temos mais fôlego. O desajuste de mercado, porém, existe.
Na lavoura, há colheita de canola e plantio de arroz. Em breve, tem semeadura do milho e depois da soja. Presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho disse à coluna que reuniu-se à noite passada com a direção da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que prometeu agir já a partir de agora, mas ainda não divulga o que fará.

O preço na refinaria brasileira está a metade do Exterior. Então, não se quer importar e o mercado que paga mais é mais atrativo. O subsídio do governo não é suficiente e, aqui, a Petrobras não tem diesel para todos.

Presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga do Rio Grande do Sul (Fetransul), Francisco Cardoso informa que as empresas estão comprando mais para garantir estoque, porém o preço subiu. O resultado é pressão sobre fretes, com efeito inflacionário, como ocorreu no primeiro semestre com a alta nos alimentos, que vinham aliviando agora.

Já aos postos de combustíveis, distribuidoras informam que estão com cota de compra da Petrobras, onde o preço é menor. O presidente do sindicato do setor, Sulpetro-RS, Fabricio Severo Braz, relata que postos de bandeira branca têm mais dificuldade. São os que não têm contrato exclusivo com uma bandeira de distribuidora.
— Rio Grande do Sul estava com diesel em estoque, mas no final de agosto outros Estados vieram pegar aqui, pois estava com melhor custo — diz.
Em tempos normais, o mercado gaúcho é autossuficiente com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras. Porém, quando o preço do Exterior disparo, distribuidoras preferem buscar aqui do que importar.
GZH / Coluna Giane Guerra
Foto capa: Porthus Junior / Agencia RBS



