Índice CNT mostra que empresários seguem cautelosos diante de juros elevados, aumento dos custos e incertezas para investir; Rio Grande do Sul acompanha tendência observada no país
Os empresários do transporte rodoviário de cargas continuam demonstrando pouca confiança na evolução do ambiente econômico brasileiro. Divulgado nesta quarta-feira (1º), o Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas mostra que o indicador permaneceu abaixo da linha de neutralidade nos cinco estados com resultados consolidados, refletindo um cenário de cautela diante dos elevados custos operacionais, das dificuldades de acesso ao crédito, da carga tributária e das incertezas econômicas. Apenas Santa Catarina registrou avanço na comparação com o segundo semestre de 2025. No Rio Grande do Sul, o índice geral recuou de 46,7% para 42,4% na comparação dos períodos, reforçando a percepção de um ambiente ainda desfavorável para novos investimentos e para a expansão da atividade.
No Rio Grande do Sul, a avaliação dos transportadores revela deterioração tanto das condições atuais quanto das expectativas para os próximos meses. O índice de condições atuais caiu de 38,8% para 32,3%, enquanto o índice de expectativas desceu de 50,7% para 47,5%, ambos abaixo do nível considerado de confiança. Entre os fatores apontados pelos empresários estão o aumento dos custos com combustível, pedágios e manutenção da frota, a elevada carga tributária, a precariedade da infraestrutura rodoviária, a escassez de motoristas, a dificuldade de acesso ao crédito e a falta de previsibilidade do cenário econômico.
Realizada entre 28 de maio e 21 de junho, a oitava edição do Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas ouviu 134 empresas no Rio Grande do Sul. O levantamento acompanha a percepção dos empresários sobre as condições atuais da economia e de seus negócios, bem como as expectativas para os seis meses seguintes, produzindo informações que orientam a atuação institucional da CNT e das federações estaduais na defesa de medidas voltadas ao fortalecimento da logística, da infraestrutura e da competitividade do transporte rodoviário brasileiro.
“AMPLIAR COMPETITIVIDADE” — Para o presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), Francisco Cardoso, o levantamento confirma uma percepção que já faz parte da rotina das empresas transportadoras: a dificuldade de planejar investimentos em um ambiente marcado pela instabilidade econômica e pelo aumento permanente dos custos. “O transportador continua acreditando no potencial do setor, mas enfrenta um cenário que reduz sua capacidade de investir e de crescer. Quando os custos aumentam mais rapidamente do que a atividade econômica e persistem problemas históricos de infraestrutura, crédito e segurança jurídica, a confiança naturalmente diminui. Esse resultado reforça a necessidade de políticas públicas capazes de melhorar o ambiente de negócios e ampliar a competitividade do transporte rodoviário de cargas”, afirma.
Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, o levantamento oferece um retrato das expectativas do setor e contribui para a compreensão dos desafios enfrentados pelas empresas. “Ao acompanhar a percepção dos transportadores em diferentes estados, conseguimos identificar tendências que influenciam o ambiente de negócios e orientar, com mais precisão, a atuação da Confederação em defesa da competitividade do transporte rodoviário de cargas”, afirma. Embora o comportamento dos indicadores varie entre os estados, a pesquisa revela um diagnóstico comum. Santa Catarina foi o único estado a registrar crescimento da confiança, enquanto São Paulo apresentou o menor índice desde o início da série histórica estadual e o Rio de Janeiro acumulou nova retração. Minas Gerais, que participou da pesquisa pela primeira vez, registrou o melhor resultado geral da rodada e foi o único estado a apresentar expectativas acima da linha de neutralidade, embora a avaliação sobre as condições atuais também permaneça negativa.

Evolução dos indicadores
- Índice de Condições Atuais
- 1º tri/2023: 38,9%
- 2º tri/2023: 36,8%
- 3º tri/2023: 36,5%
- 1º sem/2024: 31,9%
- 2º sem/2024: 39,2%
- 1º sem/2025: 32,3%
- 2º sem/2025: 38,8%
- 1º sem/2026: 32,3%
- Índice de Expectativas
- 1º tri/2023: 50,9%
- 2º tri/2023: 51,1%
- 3º tri/2023: 50,0%
- 1º sem/2024: 45,9%
- 2º sem/2024: 52,2%
- 1º sem/2025: 45,9%
- 2º sem/2025: 50,7%
- 1º sem/2026: 47,5%
- Índice Geral de Confiança
- 1º tri/2023: 46,9%
- 2º tri/2023: 46,3%
- 3º tri/2023: 45,5%
- 1º sem/2024: 41,2%
- 2º sem/2024: 47,9%
- 1º sem/2025: 41,4%
- 2º sem/2025: 46,7%
- 1º sem/2026: 42,4%



