Transporte é apontado como aliado na proteção à infância em áreas remotas

Diretor do SEST SENAT destacou, no lançamento do Barco Infância Protegida, o papel do setor no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes

O diretor executivo nacional interino do SEST SENAT, Vinicius Ladeira, destacou, nesta terça-feira (26), o potencial do setor de transporte para ampliar o alcance da rede de proteção à infância em regiões de difícil acesso do país. A declaração foi feita durante o lançamento do projeto Barco Infância Protegida, iniciativa apresentada pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), pelo SEST SENAT e pela Childhood Brasil, em Brasília, com foco no atendimento especializado a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência sexual no arquipélago do Marajó, no Pará.

Durante a participação no evento, Vinicius Ladeira ressaltou que o transporte pode desempenhar papel estratégico na redução das distâncias geográficas e no fortalecimento das ações de proteção social em territórios isolados. Segundo ele, o engajamento do setor é fundamental para ampliar o alcance da iniciativa e mobilizar novas empresas em torno da causa.

“O Estado, muitas vezes, encontra dificuldade para chegar às regiões mais remotas, mas, por meio do transporte, conseguimos reduzir essas distâncias. Nosso compromisso agora é levar essa informação a muitas empresas que também têm potencial para embarcar nesse importante projeto ”, afirmou.

Vinicius Ladeira relembrou a trajetória de atuação do Sistema Transporte no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes por meio do Projeto Proteção, desenvolvido há dez anos em parceria com a Childhood Brasil. Segundo ele, a iniciativa contribuiu para mudar a percepção sobre o papel dos profissionais do transporte, ao reforçar a capacidade do setor de atuar como agente de conscientização, prevenção e defesa dos direitos da infância.

O projeto Barco Infância Protegida prevê a implantação de uma unidade fluvial multifuncional para atendimento em comunidades ribeirinhas do Marajó. A embarcação deverá reunir, em um único espaço, serviços como escuta especializada, perícia criminal, acolhimento psicológico, atendimento de saúde, apoio às investigações e capacitação profissional. A proposta é reduzir a revitimização e ampliar o acesso à rede de proteção em áreas onde o deslocamento depende dos rios.

Ao abrir o evento, o presidente do CNMP e procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a proteção da infância exige atuação conjunta e contínua das instituições e da sociedade. Ao abordar a realidade do Marajó, destacou que o isolamento geográfico e a dificuldade de acesso aos serviços públicos ampliam a vulnerabilidade de crianças e adolescentes na região.

“Mais do que uma embarcação, esta é uma iniciativa prática voltada à promoção de atendimentos integrados e humanizados a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência sexual em comunidades distantes dos grandes centros urbanos”, afirmou.

O vice-presidente da Childhood Brasil, Luiz de Alencar Lara, destacou a importância da mobilização conjunta entre instituições, empresas e sociedade civil para ampliar a proteção da infância em territórios vulneráveis. Segundo ele, iniciativas como o Barco Infância Protegida demonstram que o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes exige articulação, inovação e compromisso coletivo para fazer a rede de proteção chegar aonde ela é mais necessária.

A iniciativa é fruto de cooperação entre o CNMP e a Childhood Brasil, com apoio do SEST SENAT, do Grupo Sada Logística, do Ministério Público do Estado do Pará e do Governo do Pará, além de outros parceiros institucionais e empresariais. A previsão é que a embarcação entre em operação em 2027. Durante o encontro, também foi lançado o painel Diagnóstico Marajó, ferramenta de inteligência de dados voltada à consolidação de informações sobre violência sexual infantil e vulnerabilidades sociais na região.

Por Agência CNT Transporte Atual

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