Levantamento da Fetransul aponta que 86,6% dos caminhoneiros aceitam pagar pedágio desde que a estrada seja melhor
O debate sobre concessões rodoviárias ganha estatísticas para ajudar na decisão. Pesquisa apresentada ontem, 23, pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística (Fetransul) indica que os motoristas têm mais preocupação com a qualidade da estrada do que com o pedágio.
No Bloco 2, 86,6% dos caminhoneiros apontam como prioridade a manutenção e duplicação. Apenas 13,4% desse grupo indicam o custo da tarifa como preocupação. Entre todos os entrevistados do Bloco 2, 43,2% citam a precariedade das estradas como o maior problema.
Quando questionados sobre o que torna um pedágio justo, 84,4% dos entrevistados do Bloco 2 afirmaram que a tarifa deve estar vinculada a conservação, segurança viária e redução do tempo de deslocamento.
A rejeição absoluta ao modelo do Estado mostra que 21,5% dos usuários do Bloco 2 defendem o cancelamento total da concessão. A maioria sustenta a necessidade de revisão econômica, com ajustes de tarifa e metas claras.
“O transportador aceita pagar quando há retorno operacional mensurável. Com mais segurança e menor tempo de viagem, é possível reduzir custos, melhorar a eficiência logística e contribuir para uma economia mais sustentável. O debate precisa sair do valor do pedágio e avançar para o resultado efetivamente entregue à sociedade”, afirma o presidente da Fetransul, Francisco Cardoso.
A pesquisa ouviu 450 usuários entre 22 e 28 de janeiro, com aplicação presencial em postos de combustíveis de Passo Fundo, Marau, Lajeado e Encantado (Bloco 2) e Igrejinha e Parobé (Bloco 1). A amostra foi composta por 70% de motoristas de automóveis e 30% de caminhões.
Modelo proporcional
No Bloco 2, quase 71% dos entrevistados defendem tarifa reduzida ou proporcional ao trecho percorrido. A faixa considerada mais adequada para custear infraestrutura varia entre R$ 5 e R$ 12 para 48,4% dos usuários.
No Bloco 2, 66,3% entendem ser justo contribuir financeiramente, desde que os recursos estejam vinculados a melhorias efetivas. O leilão do Bloco 2 está previsto para 13 de março, na B3. O contrato terá prazo de 30 anos e prevê 24 pórticos de pedágio no modelo free flow ao longo de 409 quilômetros, abrangendo rodovias como ERS, 128, 129, 130 e RSC-453.
Ofício ao Piratini
A Fetransul entregou ao secretário de Comunicação do Estado, Caio Tomazelli, um documento técnico com questionamentos e solicitações de informações sobre os projetos de concessão dos Blocos 1 e 2 de rodovias estaduais.
O ofício formaliza o compartilhamento dos resultados da pesquisa, como referência sobre a percepção dos usuários sobre qualidade da infraestrutura, segurança viária, modelo de cobrança e impactos logísticos e econômicos, indicando a necessidade de que os projetos apresentem, de forma clara, o retorno efetivo ao usuário e à sociedade.
No documento, a Fetransul solicita que o governo estadual disponibilize estimativas técnicas consolidadas sobre aspectos considerados centrais para a avaliação das concessões.
Outro ponto é a necessidade de informações detalhadas sobre os Pontos de Parada e Descanso para caminhoneiros, incluindo quantidade, localização, cronograma de implantação e capacidade de atendimento aos motoristas profissionais.
A Fetransul sustenta que a existência dessa estrutura é fundamental para o cumprimento da legislação, para a segurança jurídica das empresas e para a ampliação da segurança viária.
Questionamentos técnicos
Além da pesquisa, a Fetransul entregou ao governo estadual ofício com solicitações técnicas. A entidade pede estimativas consolidadas sobre:
- Tempo médio de deslocamento antes e depois das melhorias;
- Redução prevista de acidentes com veículos de carga;
- Economia potencial de óleo diesel;
- Impactos ambientais, com destaque para redução de emissões de CO2;
- Detalhamento dos Pontos de Parada e Descanso (quantidade, localização e cronograma).
Detalhes da pesquisa Metodologia
- 450 entrevistas (70% automóveis / 30% caminhões)
- 56% no Bloco 2
- Período: 22 a 28 de janeiro de 2026
- Locais: Passo Fundo, Marau, Lajeado e Encantado
Principais preocupações
- 43,2%: buracos e falta de conservação
- 86,6% (caminhoneiros): conservação, segurança e duplicação são prioridade
- 13,4% (caminhoneiros): valor da tarifa é principal preocupação
Tarifa
- 84,4%: tarifa compatível com serviço, segurança e redução de tempo
- 21,5%: defendem cancelamento total da concessão
Modelo preferido
- 70,9%: tarifa proporcional ou reduzida para deslocamentos curtos
- 48,4%: faixa ideal entre R$ 5 e R$ 12 (para 100 km percorridos)
Disposição a pagar
- 66,3%: aceitam custear investimentos se houver melhoria efetiva
Fonte: Grupo A Hora / Por Filipe Faleiro



