Governo e oposição fazem leituras diferentes de pesquisa sobre pedágios

Estudo realizado pela Fetransul constatou que maioria aceita as concessões, desde que preço seja justo

No mesmo dia em que a CPI dos Pedágios aprovou o convite ao governador Eduardo Leite para depor, governo e oposição comemoraram o resultado de uma mesma pesquisa sobre a visão do usuário em relação às concessões dos blocos 1, 2, e 3. Enquanto o governo comemora o que considera aprovação dos usuários de rodovias à proposta de concessão ao setor privado, a oposição recorta outro trecho. É o que mostra a rejeição aos valores propostos como limite no edital do Bloco 2 e nos previstos na proposta inicial do Bloco 1.

A pesquisa foi feita pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (Fetransul), que apresentou os resultados nesta segunda-feira (23). 

O levantamento mostra que a principal preocupação dos motoristas de caminhão não está associada diretamente ao valor do pedágio, mas às condições de tráfego. No Bloco 1, 67,2% dos caminhoneiros apontaram como preocupação maior os buracos e falta de conservação, ausência de duplicação ou faixas estreitas, riscos de acidentes, falta de serviços e lentidão. No Bloco 2, esse percentual sobe para 86,6%, indicando percepção ainda mais crítica sobre a infraestrutura disponível.

Em contraste, o valor do pedágio aparece com menor relevância entre as preocupações centrais. Apenas 23,7% dos caminhoneiros no Bloco 1 e 13,4% no Bloco 2 indicaram o custo da tarifa como um dos aspectos que mais preocupam no uso das rodovias, reforçando que a expectativa do usuário está concentrada na entrega de condições seguras e eficientes de circulação.

Questionados sobre o que torna um pedágio justo e adequado, a ampla maioria dos entrevistados destacou a relação entre tarifa e serviço prestado. No Bloco 1, 86,6% consideram essencial oferecer valor compatível com o benefício entregue, garantir boa conservação da rodovia, aumentar a segurança viária e reduzir o tempo de deslocamento. No Bloco 2, essa percepção é compartilhada por 84,4% dos respondentes.

É nesse ponto que a oposição se apega para dizer que a relação entre tarifa e serviços oferecidos não é justa. No Bloco 2, 70,9% dos entrevistados concordam com a adoção de tarifa reduzida ou proporcional ao trecho percorrido, enquanto no Bloco 1 esse índice é de 57,1%. Em sentido oposto, 42,9% dos usuários do Bloco 1 afirmam não considerar justo pagar pedágio, percentual que cai para 29,1% no Bloco 2.

Quando questionados sobre valores adequados para custear investimentos em infraestrutura e ampliação da malha rodoviária, 49% dos usuários do Bloco 1 e 66,3% do Bloco 2 entendem ser justo contribuir financeiramente, desde que os recursos estejam vinculados a melhorias efetivas. 

A análise dos projetos em curso mostra que apenas cerca de 31,5% no Bloco 1 e 24,7% no Bloco 2 defendem o cancelamento total das concessões, enquanto a maioria aponta a necessidade de revisão e correção econômica dos modelos propostos.

Ampliar debate

Ao apresentar os resultados, o presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, destacou que os dados expressam uma demanda objetiva dos usuários: 

— A pesquisa demonstra que o transportador aceita pagar quando há retorno operacional mensurável. Com mais segurança e menor tempo de viagem, é possível reduzir custos, melhorar a eficiência logística e contribuir para uma economia mais sustentável. O debate precisa sair do valor do pedágio e avançar para o resultado efetivamente entregue à sociedade.

O levantamento foi realizado por meio de entrevistas pessoais e individuais, conduzidas por equipe de campo especialmente contratada e treinada para esse fim. Ao todo, foram aplicadas 450 entrevistas, compondo uma amostra formada por 70% de motoristas de automóveis e camionetes e 30% de motoristas de caminhões, refletindo a diversidade de usuários das rodovias analisadas.

A coleta de dados ocorreu em postos de combustíveis localizados em municípios estratégicos dos dois blocos em estudo.

Fonte: GZH / Rosane de Oliveira – Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Compartilhe esta notícia

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn