Fetransul reúne setor, candidatos ao Governo e lideranças gaúchas no Painel Diálogos e Troféu Alma Gaúcha

Evento realizado em Porto Alegre combinou debate técnico sobre economia, infraestrutura e logística, apresentação de propostas para o Estado e reconhecimento a pessoas e instituições em sete segmentos da sociedade

A Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul) reuniu, na última segunda-feira (10), empresários, executivos, especialistas e lideranças no Painel Diálogos – Transporte & Logística e na segunda edição do Troféu Alma Gaúcha, no Hotel Deville Prime, em Porto Alegre. A programação combinou debate técnico sobre economia, infraestrutura e logística, encontro com candidatos ao Governo do Estado e reconhecimento a pessoas e instituições com atuação relevante para o Rio Grande do Sul.

O Painel Diálogos teve como convidados a gerente executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Fernanda Schwantes; o superintendente de Relações Institucionais da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor), Hideraldo Caron; e o economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Marcelo Portugal. As apresentações abordaram o cenário econômico brasileiro, as necessidades de investimento em infraestrutura e os impactos da qualidade da malha de transportes sobre custos, produtividade e competitividade.

Para o presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, a programação cumpriu o objetivo de aproximar diferentes dimensões do desenvolvimento do Estado. Segundo ele, o encontro com os candidatos permitiu apresentar diretamente as prioridades do setor, enquanto o painel técnico qualificou a discussão sobre os desafios econômicos e de infraestrutura. “Conseguimos reunir, em um mesmo dia, o debate sobre o futuro do Rio Grande do Sul, conhecimento técnico e o reconhecimento a quem contribui concretamente para a sociedade. O Troféu Alma Gaúcha se consolida justamente por ampliar esse olhar para além da economia, valorizando sete segmentos que ajudam a construir o Estado”, afirma.

Infraestrutura — Na avaliação da CNT, a infraestrutura permanece como um dos principais fatores de pressão sobre os custos do transporte. Fernanda Schwantes apresentou dados do Plano CNT de Transporte e Logística, que mapeia 2.837 projetos considerados necessários para que o Brasil avance em direção a um nível adequado de infraestrutura, com investimentos estimados em R$ 2,03 trilhões. No Rio Grande do Sul, são 256 projetos nos modais rodoviário, ferroviário, portuário, aeroportuário e em terminais, com necessidade estimada de R$ 125 bilhões.

As condições das rodovias têm impacto direto nos custos das empresas de transporte. Conforme os levantamentos da CNT apresentados por Fernanda Schwantes, um veículo que trafega por pavimento inadequado registra aumento médio de aproximadamente 30% no custo operacional no Brasil. No Rio Grande do Sul, esse impacto se aproxima de 40%. A deficiência da infraestrutura, observou a economista, ultrapassa os limites do setor ao se incorporar ao preço do transporte e, consequentemente, ao custo dos produtos.

A necessidade de ampliar as fontes de financiamento para a infraestrutura foi o ponto central da exposição de Hideraldo Caron. Ao apresentar o Pacto pela Infraestrutura, iniciativa articulada por 11 entidades nacionais, o engenheiro ressaltou que o estoque brasileiro de infraestrutura corresponde a aproximadamente 35% do Produto Interno Bruto (PIB), diante de uma média mundial próxima de 60%. Segundo Caron, as concessões contribuíram para melhorar a manutenção dos ativos existentes, mas ainda não produziram a expansão necessária para reduzir o déficit de infraestrutura do País.

Já o cenário macroeconômico e as perspectivas para os próximos anos pautaram a análise de Marcelo Portugal. O economista apontou o desequilíbrio fiscal e o elevado custo da dívida pública entre os principais condicionantes do crescimento e avaliou que, mesmo com a trajetória de redução da taxa básica, o Brasil deverá continuar convivendo com juros reais elevados. Na avaliação de Portugal, a necessidade de ajuste das contas públicas poderá reduzir os estímulos à demanda e tornar o ambiente econômico mais restritivo em 2027 e 2028.

Encontro com candidatos — Um dos momentos de destaque da programação foi o encontro da Fetransul com os candidatos ao Governo do Estado, durante reunião-almoço que antecedeu o painel técnico. Gabriel Souza, Marcelo Maranata e Edegar Pretto, candidato a vice-governador na chapa de Juliana Brizola, estiveram diante de empresários e lideranças do transporte rodoviário de cargas para apresentar suas propostas e visões sobre o futuro do Rio Grande do Sul. O encontro abriu espaço para o diálogo direto sobre desenvolvimento econômico, infraestrutura, logística e outros temas estratégicos para a competitividade do Estado.

Na oportunidade, a Fetransul, representando os 12 sindicatos filiados e as empresas transportadoras gaúchas, entregou a Agenda Legislativa 2027–2030. O documento reúne as prioridades institucionais do setor para a próxima legislatura e busca contribuir para a formulação de políticas públicas relacionadas ao crescimento econômico, à produtividade, à competitividade, à segurança jurídica e à sustentabilidade. Entre as propostas estão planejamento de longo prazo para a infraestrutura e integração entre os diferentes modais de transporte; renovação e descarbonização da frota; formação e qualificação de profissionais; medidas de combate ao roubo e à receptação de cargas; e participação permanente das entidades do transporte nos fóruns de desenvolvimento e na formulação de políticas públicas.

Marcelo Portugal aponta desafio fiscal e projeta ambiente econômico mais restritivo em 2027 e 2028

Economista avaliou no Painel Diálogos da Fetransul que juros reais elevados e necessidade de ajuste das contas públicas deverão condicionar o desempenho da economia brasileira nos próximos anos

O desequilíbrio das contas públicas e seus efeitos sobre juros, dívida e atividade econômica deverão permanecer entre os principais desafios do Brasil nos próximos anos. A avaliação foi apresentada pelo economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Marcelo Portugal durante o Painel Diálogos – Transporte & Logística, promovido pela Fetransul na última segunda-feira (10), no Hotel Deville Prime, em Porto Alegre.

Portugal estruturou sua análise em torno do cenário econômico de 2026 e das perspectivas para o período posterior às eleições. Na sua avaliação, a economia brasileira deverá chegar ao final deste ano ainda convivendo com juros elevados, inflação relativamente controlada e desaceleração da atividade econômica. Mesmo com a redução gradual da taxa básica de juros, observou, o custo real do dinheiro continuará elevado. “A Selic vai continuar a cair, mas vai cair aos pouquinhos. Ela vai sair de absurdamente alta para alta”, afirmou.

O economista chamou atenção especialmente para a combinação entre taxa de juros e endividamento público. Segundo os dados apresentados no painel, uma taxa real próxima de 8%, quando aplicada a uma dívida pública equivalente a aproximadamente 82% do Produto Interno Bruto (PIB), representa uma despesa financeira expressiva. Portugal dimensionou o problema: “É uma taxa alta sobre um montante muito alto. Então, é um caminhão de dinheiro que a gente gasta com juros”.

Para Portugal, o problema central é de natureza fiscal. Ele avaliou que o próximo governo, independentemente do resultado eleitoral, terá de enfrentar a necessidade de compatibilizar despesas e receitas e conter a trajetória de crescimento da dívida. A intensidade e a estratégia do ajuste poderão variar conforme a orientação do governo eleito, mas, na sua análise, o enfrentamento da questão será inevitável. “O próximo presidente, seja quem for, vai ter que resolver esse problema”, resumiu.

Essa mudança tende a repercutir diretamente sobre a atividade econômica. Portugal considera que mecanismos de estímulo à demanda financiados ou subsidiados pelo setor público terão espaço menor em um ambiente de ajuste, o que poderá atingir consumo e investimentos. Por essa razão, demonstrou preocupação especialmente com o período posterior às eleições: “Eu não sou muito otimista quanto à atividade econômica para 2027 e 2028”.

No curto prazo, a expectativa apresentada pelo economista é de continuidade da redução gradual da taxa básica de juros, sem uma queda suficiente para eliminar a pressão dos juros reais sobre a economia. Em relação à inflação, Portugal projetou relativa estabilidade, enquanto a atividade deverá perder ritmo ao longo do segundo semestre. “A gente vai ter um segundo semestre muito pior do que o primeiro”, projetou.

Para o transporte rodoviário de cargas, o cenário macroeconômico ganha relevância porque juros, crédito, investimento e nível de atividade interferem diretamente na renovação de frota, no custo de capital e na movimentação de mercadorias. A análise econômica integrou o debate mais amplo do Painel Diálogos sobre os fatores que condicionam a produtividade e a competitividade do setor e da economia gaúcha.

Em sete categorias, Troféu Alma Gaúcha reconhece trajetórias que contribuem para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul

A programação do Painel Diálogos – Transporte & Logística foi encerrada com a entrega do Troféu Alma Gaúcha. Criada pela Fetransul, a homenagem reconhece pessoas e instituições cujas trajetórias representam contribuições relevantes ao Rio Grande do Sul. Em 2026, a premiação ampliou seu alcance ao contemplar sete áreas da sociedade, abrangendo desenvolvimento econômico, responsabilidade social, cultura, saúde, educação, sustentabilidade, infraestrutura e reconstrução.

Na categoria Educação, Inovação e Tecnologia, a homenagem foi entregue à Junior Achievement Rio Grande do Sul. Julio Flávio Dornelles de Matos recebeu o reconhecimento em Saúde e Compromisso com o Interesse Público; a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), em Arte e Cultura; Nora Teixeira, em Responsabilidade Social e Interesse Coletivo; Dody Sirena, em Economia, Negócios e Empresas; a Fundação Gaia, em Meio Ambiente e Sustentabilidade; e o Plano Rio Grande, em Infraestrutura, Resiliência e Reconstrução.

Os homenageados foram escolhidos por uma comissão formada por representantes de diferentes áreas da sociedade gaúcha. Integraram a Comissão Julgadora José Fogaça, ex-senador e ex-prefeito de Porto Alegre; Ricardo Portella, coordenador do Conselho de Infraestrutura (Coinfra); Eduardo Fernandez, presidente do Grupo de Líderes Empresariais do Rio Grande do Sul; Flávia Fiorin, diretora do Tecnopuc; Jader Pires, diretor-geral da Santa Casa de Porto Alegre; Paulo Renê Bernhard, conselheiro da Amigos da Santa Casa; e Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8.

Para a Fetransul, a segunda edição consolida o Troféu Alma Gaúcha como um reconhecimento que ultrapassa os limites do setor empresarial e destaca iniciativas capazes de produzir resultados para o desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental do Rio Grande do Sul.

Confira os registros do evento. https://drive.google.com/drive/folders/1nHmPCImNt4MQVKc-Rb6EnGB98R92Cpgy?usp=sharing


Acesse as apresentações dos painelistas. https://drive.google.com/drive/folders/1-sFYnwaZvQoPzrcEX0-u4b6kCPddASEL

Marcelo Portugal – Economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Hideraldo Caron – Superintendente de Relações Institucionais da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR).
Fernanda Schwantes – Gerente Executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT);
Artistas Janaína Maia e Sérgio Rojas.
EDEGAR PRETTO
MARCELO MARANATA
GABRIEL SOUZA

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