Boletim da CNT analisa impactos da nova tarifa dos EUA e cenário econômico do transporte

Edição de julho reúne análise dos efeitos da medida além de indicadores de atividade, custos e desempenho dos serviços do setor

A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos a parte dos produtos brasileiros está entre os destaques da edição de julho do Boletim de Conjuntura Econômica da CNT. O documento apresenta uma primeira análise dos possíveis reflexos da medida sobre o comércio exterior e a atividade econômica.

Segundo estimativa da Câmara Americana de Comércio para o Brasil apresentada no Boletim, a nova tarifa deverá atingir aproximadamente US$ 11 bilhões em exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a 26,2% das vendas do país para aquele mercado.

Para as empresas do setor, a principal questão é como eventuais alterações nos volumes produzidos e exportados poderão se refletir nas demandas por serviços logísticos. Esses efeitos ainda não podem ser mensurados, mas o Boletim identifica os segmentos mais expostos, os produtos que permaneceram isentos e os possíveis desdobramentos econômicos da medida.

A cobrança concentra-se principalmente sobre manufaturados e semimanufaturados, como madeira, produtos químicos, alimentos industrializados, veículos automotores, celulose e papel, máquinas e equipamentos. Permaneceram isentos itens como café, suco de laranja, carnes, petróleo, minérios, fertilizantes e aeronaves, reduzindo parte dos impactos sobre o agronegócio e determinados segmentos industriais.

O Boletim também destaca que outro procedimento de análise comercial ainda está em andamento nos Estados Unidos e poderá resultar em uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a sobretaxa para até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras. Entre as possíveis consequências apontadas estão a redução do fluxo comercial entre os dois países, a perda de competitividade dos produtos brasileiros e a desaceleração da atividade econômica.

A gerente executiva de Economia da CNT, Fernanda Schwantes, destaca que o presidente da República assinou, como medida de compensação aos setores mais impactados, a Medida Provisória nº 1.379/2026, que institui o Programa Brasil Soberano 3. A iniciativa prevê R$ 13,5 bilhões de recursos do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES para linhas de financiamento destinadas às empresas afetadas pela nova tarifa. “O governo anunciou auxílio a três grupos de setores econômicos exportadores, assim como no Brasil Soberano anterior, mas o plano de aplicação dos recursos e as condições de financiamento ainda serão oficializadas em normativos do BNDES. Com as três edições do programa, o volume de recursos disponibilizados para crédito aos setores impactados pela política tarifária dos Estados Unidos soma mais de R$ 60 bilhões”.  

Transporte registra retração em maio

O volume de serviços de transporte recuou 1% em maio na comparação com abril, segundo dados da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), do IBGE, analisados pela CNT. O resultado contribuiu para a queda de 0,4% registrada pelo setor de serviços no país.

O transporte aéreo apresentou a maior retração mensal, de 5,1%. Os serviços de armazenagem, atividades auxiliares aos transportes e correio recuaram 1,1%, enquanto o transporte terrestre ficou praticamente estável, com variação negativa de 0,1%. Em sentido oposto, o transporte aquaviário avançou 1,3% e acumula crescimento de 42% em relação a fevereiro de 2020.

Na divisão por finalidade, o transporte de passageiros caiu 1,3%, e o de cargas recuou 0,2%. Apesar das oscilações recentes, o volume total das atividades de transporte permanece 17,8% acima do patamar anterior à pandemia.

Queda mensal não elimina alta acumulada do diesel

Os principais combustíveis apresentaram redução de preços em junho. O etanol caiu 3,09%; o óleo diesel, 1,19%; o gás veicular, 0,19%; e a gasolina, 0,12%.

O movimento trouxe algum alívio no mês, mas não eliminou as altas acumuladas em 2026. No primeiro semestre, o diesel ficou 15,68% mais caro, enquanto a gasolina avançou 6,37%. O óleo lubrificante acumulou elevação de 7,65%, e o etanol registrou queda de 3,98%.

O cenário de custos inclui ainda o encerramento, em 1º de julho, do subsídio federal de R$ 0,35 por litro de diesel. Os combustíveis respondem por cerca de 35% das despesas no transporte rodoviário e por até 40% nos modos aéreo, aquaviário e ferroviário.

A edição acompanha ainda atividade econômica, inflação e câmbio. O IBC-Br variou 0,1% em maio; o IPCA acumulou 4,64% em 12 meses; e o dólar voltou a se aproximar de R$ 5,10. Para 2026, o relatório Focus projeta crescimento de 1,99% do PIB.

A íntegra do Boletim de Conjuntura Econômica, com dados, gráficos e análises da equipe técnica da CNT, pode ser acessada aqui.

Por Agência CNT Transporte Atual

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