Alta do diesel pressiona frete e acende alerta no setor produtivo gaúcho

A escalada recente do preço do diesel, impulsionada pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio e pela valorização do petróleo no mercado internacional, começa a repercutir em diferentes elos da economia gaúcha. Do transporte de cargas ao abastecimento de supermercados, entidades do setor produtivo alertam que o combustível – principal insumo da logística brasileira – tende a pressionar o custo do frete e, em consequência, o preço de produtos e serviços nas próximas semanas. A tensão global aumentou após a intensificação do conflito, protagonizado por Irã, Israel e Estados Unidos, e a possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. O cenário elevou o preço do barril de petróleo e já começou a refletir nos combustíveis no Brasil: na última sexta-feira (13), a Petrobras anunciou reajuste de cerca de R$ 0,38 por litro no diesel vendido às distribuidoras, o que representa aumento aproximado de 13,9% na refinaria. Ainda assim, para o professor da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), Gustavo Inácio de Moraes, o impacto sobre o frete não depende apenas do preço do petróleo, mas também do comportamento do câmbio. “Não é só o diesel que afeta a expectativa de preço do frete. O câmbio também pesa muito. Mesmo que o petróleo se mantenha estável, se o real se desvalorizar em um cenário internacional turbulento, ainda teremos efeitos relevantes vindos da economia global”, afirma. Segundo ele, alguns reajustes já começam a aparecer no mercado, ainda que de forma preventiva. “Em algumas regiões já vemos aumentos entre 10% e 20% no preço do diesel. Se o conflito durar pouco tempo, os efeitos tendem a ser limitados. Mas, se houver prolongamento da guerra, essas pressões podem se consolidar”, completa. No Rio Grande do Sul, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam alta nos dois principais tipos de diesel. O preço médio do litro do S10 passou de R$ 6,23 para R$ 6,78 – aumento de 8,8%. Já o S500 subiu de R$ 6,16 para R$ 6,70, avanço de 8,7%, segundo as duas pesquisas semanais divulgadas pela agência em março. No setor de transporte, o combustível representa a principal parcela dos custos operacionais. Por isso, qualquer alteração significativa tende a ser repassada relativamente rápido aos contratos de frete. E, de acordo com Moraes, o ajuste costuma aparecer primeiro nos indicadores de preços no atacado. “O setor de transporte trabalha muito com contratos de curta duração. Os fretes costumam ser reajustados relativamente rápido – normalmente antes de um mês. Primeiro vemos esse efeito na inflação do atacado e depois ele chega ao consumidor”, explica. A avaliação é compartilhada por entidades do setor logístico. Em nota, o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Rio Grande do Sul (Setcergs) argumenta que qualquer alteração relevante no diesel gera impacto imediato na estrutura de custos das transportadoras. “O transporte rodoviário opera com margens reduzidas e não possui capacidade de absorver aumentos expressivos e repentinos em seu principal insumo operacional”, informou a entidade, que orienta as empresas a manter diálogo com clientes para eventual recomposição do valor do frete. Hoje, cerca de 85% da produção gaúcha circula por rodovias, o que amplia o peso do diesel sobre toda a cadeia produtiva. Diante da escalada do combustível, a Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul) solicitou ao governo estadual que avalie uma redução temporária do ICMS sobre ele. Segundo a entidade, o combustível já acumula aumentos próximos de 30% desde o início do período de instabilidade internacional, pressionando diretamente os custos logísticos. Para o presidente da federação, Francisco Cardoso, discutir o preço do diesel significa discutir o custo de circulação de mercadorias em todo o País. “Quando o diesel sobe nessa velocidade, nenhum setor consegue absorver esse impacto sem revisar contratos e renegociar tarifas”, afirma. Ele destaca ainda que o combustível representa cerca de 40% dos custos variáveis do transporte rodoviário de cargas, o que torna o setor especialmente sensível às oscilações do mercado energético. Ainda, para além da pressão sobre fretes e logística, economistas alertam para o possível impacto inflacionário do diesel caso o conflito internacional se prolongue: combustíveis e energia representam entre 5% e 8% do peso do IPCA, o principal índice de inflação do Brasil. Um aumento significativo nesses itens pode influenciar a trajetória dos preços e até mesmo a política de juros. Agronegócio deve sentir primeiro Entre os setores produtivos, o agronegócio tende a ser um dos primeiros a sentir os efeitos da alta. O motivo é a combinação de grande consumo de diesel nas máquinas agrícolas e a necessidade de transporte para escoamento da safra. “Estamos em período de escoamento para os portos, o que exige muito transporte rodoviário. Além disso, o setor depende de diesel para tratores e máquinas. Por isso, o agronegócio tende a sentir primeiro esse impacto”, explica Moraes. Ele ressalta ainda que fertilizantes e outros insumos agrícolas também têm ligação com derivados de petróleo ou com regiões produtoras do Oriente Médio, o que amplia a exposição do setor às turbulências internacionais. Supermercados já monitoram impactos No comércio, a preocupação é com o efeito em cascata sobre os preços dos alimentos e produtos básicos. O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Júnior, afirma que a alta recente do diesel já começa a preocupar o setor. “O impacto do combustível é muito significativo. Já estamos vendo aumentos na casa de 11% desde o início da guerra e isso provavelmente vai aparecer nos produtos no curto e médio prazo”, afirma. Segundo ele, as empresas têm buscado otimizar rotas e reduzir o consumo de combustível para tentar evitar repasses imediatos aos consumidores. “Sabemos que o transporte rodoviário é a base da logística do País. Estamos acompanhando de perto esse cenário e atentos às medidas que possam reduzir a pressão sobre o preço na bomba”, acrescenta. Transporte coletivo também sente pressão No transporte de passageiros, o impacto já tem dimensão concreta. A Associação dos Transportadores Intermunicipais Metropolitanos de

FETRANSUL solicita ao governo do RS avaliação de redução do ICMS sobre o diesel

A Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (FETRANSUL) encaminhou ofício ao Governo do Estado solicitando a avaliação de medidas tributárias para mitigar o impacto da alta recente do diesel sobre os custos logísticos. Segundo a entidade, o combustível já acumula aumentos de até 30% nas últimas semanas, gerando forte pressão sobre o transporte rodoviário de cargas, setor responsável por movimentar cerca de 85% da produção do Rio Grande do Sul. No documento, a FETRANSUL sugere que o Estado avalie a possibilidade de liderar, no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), um debate sobre a tributação do ICMS incidente sobre o diesel. A entidade argumenta que medidas dessa natureza podem contribuir para reduzir custos logísticos, preservar a competitividade da produção gaúcha e minimizar riscos de desabastecimento em cadeias sensíveis da economia, especialmente em período de escoamento da safra agrícola.

Encontro Vez & Voz debate liderança feminina e inovação no Transporte Rodoviário de Cargas

Programação inclui painéis, palestra e workshop em um dia inteiro de muito conhecimento e conexão O Movimento Vez & Voz, realizará, no dia 26 de março, o Encontro Vez & Voz 2026 – Escolha Avançar, evento voltado para mulheres que atuam no Transporte Rodoviário de Cargas. A iniciativa reunirá profissionais do setor para discutir temas como liderança feminina, inovação, equidade de gênero, papel das empresas no enfrentamento da violência contra a mulher e os desafios atuais no ambiente corporativo. A proposta do encontro é promover troca de experiências, fortalecer a presença feminina no setor e estimular a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos. A programação contará com a participação de lideranças e executivas do transporte, além de especialistas convidados. Entre os destaques, está a apresentação do Panorama da presença feminina no transporte, que trará dados atualizados sobre a participação das mulheres no setor e os avanços nas iniciativas de equidade nas empresas. Outro tema abordado será o uso da Inteligência Artificial como ferramenta de apoio à liderança, com reflexões sobre como a tecnologia pode contribuir para ganhos de produtividade e tomada de decisão no ambiente corporativo. O evento também terá painéis sobre ambientes de trabalho seguros e trajetórias femininas no transporte, reunindo executivas para compartilhar experiências e discutir desafios e oportunidades para as mulheres no setor. Antes do encontro principal, será realizado um workshop exclusivo para lideranças femininas, voltado ao uso estratégico da Inteligência Artificial na gestão, que abordará aplicações práticas da tecnologia para análise de dados, organização de processos e aumento de produtividade nas empresas de transporte. 26/03/2026 Evento presencial – Rua Orlando Monteiro, 21 – Vila Maria – São Paulo/SP 08h30 – Workshop: E aí, como lidero com a IA? Produtividade inteligente para mulheres que decidem 13h30 – 5º Encontro Vez e Voz – Escolha Avançar Confira a programação completa e inscreva-se no vezevoz.org . O Encontro Vez & Voz 2026 conta com o incentivo da ABTLP – Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos; Ademicon Consórcio e Investimento, e Vega Seguros, além do apoio de empresas do setor Lourenço Transportes, Pelog, Transportes Borelli, Log10, Coopercarga e Setrans. Fonte: SETCESP

ANTT atualiza Piso Mínimo de Frete com base no novo preço do diesel

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, no Diário Oficial da União, a Portaria SUROC nº 3/2026, que atualiza os coeficientes do Piso Mínimo de Frete do Transporte Rodoviário de Cargas. A revisão considera como referência o preço médio do diesel S10 de R$ 6,89 por litro, com base nos dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A atualização impacta diretamente os valores mínimos do frete por quilômetro rodado, que variam conforme o tipo de carga, número de eixos e características da operação de transporte. A tabela de pisos mínimos faz parte da política estabelecida pela Lei nº 13.703/2018, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas e determina a publicação periódica dos coeficientes pela ANTT, com revisões sempre que há variações relevantes no preço do diesel. Veja a portaria e as tabelas completas: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-suroc-n-3-de-13-de-marco-de-2026-692638596 Fonte: ANTT

CNT entrega Agenda Institucional 2026 ao secretário nacional de Segurança Pública e reforça apoio ao PL Antifacção

Confederação apresentou prioridades do setor de transporte e logística e destacou a importância de medidas de combate ao crime organizado Representantes do Sistema Transporte entregaram, nessa quinta-feira (12), a Agenda Institucional Transporte e Logística 2026 ao secretário nacional de Segurança Pública. A publicação reúne o posicionamento da CNT sobre temas prioritários para o setor que estarão em discussão nos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário ao longo do ano. Participaram da reunião o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza; a gerente executiva governamental da Confederação, Danielle Bernardes; e o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas. Durante o encontro, os representantes do Sistema Transporte apresentaram os principais pontos da Agenda e destacaram a importância de medidas voltadas ao enfrentamento da criminalidade diante dos impactos para o transporte e a logística no país. Na ocasião, a CNT também manifestou apoio à sanção do Projeto de Lei nº 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção, e apresentou uma nota técnica com argumentos favoráveis à medida. O documento aponta que o roubo de cargas passou a representar uma importante fonte de financiamento do crime organizado, gerando prejuízos bilionários e ampliando a insegurança nas operações logísticas. A análise também destaca que o projeto traz avanços ao prever instrumentos mais rigorosos para combater estruturas criminosas que utilizam a violência para interromper o fluxo de transporte e desafiar a atuação do Estado. A nota técnica ressalta ainda a importância de medidas voltadas ao enfrentamento do braço econômico das organizações criminosas, como a possibilidade de suspensão ou declaração de inaptidão do CNPJ de empresas envolvidas na receptação de mercadorias ilícitas. Para a CNT, a nova legislação representa uma ferramenta relevante para proteger a infraestrutura logística do país, ampliar a segurança dos transportadores e combater práticas que impactam diretamente a economia nacional. O PL Antifacção é um dos projetos de destaque da Agenda Institucional Transporte e Logística 2026, lançada nessa quarta-feira (11), durante a Reunião dos Conselhos da CNT. Por Agência CNT Transporte Atual

Sistema Transporte é referência em relatório nacional sobre emissões

Publicação do governo federal sustenta políticas de qualidade do ar e reconhece contribuição técnica do setor de transporte A poluição atmosférica é um dos principais desafios ambientais e de saúde pública enfrentados pelo Brasil. O setor de transporte, responsável por parte das emissões de gases de efeito estufa e poluentes, ocupa papel determinante nesse cenário. Com o objetivo de mitigar os impactos, inventários de emissões se tornaram ferramentas estratégicas, pois permitem medir impactos, orientar políticas públicas e apoiar decisões empresariais e regulatórias. Nesta semana, o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), em parceria com o Ministério dos Transportes, divulgou o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários, consolidando uma série histórica de 45 anos (1980–2024). Entre os principais pontos da publicação, estão três iniciativas: a consolidação do inventário nacional rodoviário, o desenvolvimento de ferramenta para apoiar estados na elaboração de inventários próprios e a realização de treinamento técnico para gestores públicos e especialistas. O relatório é considerado essencial para a formulação de políticas de qualidade do ar e ação climática e reconhece a contribuição da CNT na construção dessa agenda. O Sistema Transporte é diretamente mencionado no item que aponta iniciativas do setor de transporte, trazendo destaque para o programa Despoluir, o Inventário CNT de Emissões de Gases do Efeito Estufa do Setor de Transporte e a Coalizão pela Descarbonização do Transporte. Para a CNT, o reconhecimento oficial na publicação do governo representa uma conquista relevante, especialmente diante da complexidade de seu Inventário, que atualizou curvas nacionais de intensidade de uso antes defasadas há mais de uma década. “Esse reconhecimento revela uma parte importante da atuação institucional da CNT, que é estar próxima dos grandes tomadores de decisão do país. Sermos nominalmente mencionados em um relatório tão importante para a formulação de políticas públicas revela que o setor tem tido sua voz ouvida”, destacou o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza. Acesse o Inventário do Ministério. Complementaridade entre estudos O Inventário Nacional concentra-se no transporte rodoviário e se destaca por consolidar dados de mais de quatro décadas. Paralelamente, a CNT concluiu, com base em 2023, um levantamento que ampliou o escopo para incluir as infraestruturas portuária e aeroportuária, além de atualizar curvas de intensidade de uso. Técnicos da Entidade ressaltam que os dois trabalhos têm escopos distintos e metodologias próprias, não sendo comparáveis nem excludentes. O documento do MMA incorpora avanços metodológicos, como a inclusão de poluentes climáticos de vida curta, emissões por desgaste de pneus e freios, desagregação por estado e contabilização de veículos elétricos e híbridos. Já o inventário da CNT foi elaborado com coleta de dados em campo, o que reforça sua abrangência e complexidade. Inventário CNT Lançado oficialmente na COP30, em Belém (PA), o Inventário CNT de Emissões de Gases do Efeito Estufa do Setor de Transporte apresentou o diagnóstico mais completo já produzido pela iniciativa privada. O estudo apontou que os veículos leves respondem por 48,25% das emissões totais do setor em 2023, contabilizando 189,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Produzido com metodologia internacional e dados primários do setor, o levantamento detalhou impactos por modal, categoria veicular e infraestrutura. O modo rodoviário foi identificado como responsável por 92,89% das emissões, reflexo da centralidade dessa modalidade na matriz brasileira. O estudo também reuniu 18 casos de boas práticas já implementadas por empresas, evidenciando iniciativas de transição energética, eficiência operacional e inovação. Acesse a publicação. Coalizão A Coalizão pela Descarbonização do Transporte é uma iniciativa que reúne entidades do setor produtivo, empresas, especialistas e instituições públicas com o objetivo de acelerar a transição do transporte brasileiro para uma matriz energética mais limpa. A proposta é promover o diálogo e a cooperação entre diferentes atores para desenvolver soluções que reduzam as emissões de gases de efeito estufa no transporte de cargas e de passageiros, sem comprometer a eficiência logística e a competitividade do país. Entre as prioridades da Coalizão, estão a ampliação do uso de combustíveis de baixa emissão, o estímulo à inovação tecnológica, a renovação de frotas e o incentivo a políticas públicas que favoreçam uma mobilidade mais sustentável. A iniciativa, liderada pela CNT, pela Motiva, pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) e pelo Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável, do Insper, busca contribuir para que o Brasil avance no cumprimento de compromissos climáticos internacionais, ao mesmo tempo em que fortalece o papel estratégico do setor transportador no desenvolvimento econômico e na integração do território nacional. Acesse o documento completo com o resultado do trabalho da Coalizão. Programa Despoluir O Despoluir – Programa Ambiental do Transporte é uma iniciativa do Sistema Transporte que tem o objetivo de promover a sustentabilidade ambiental no setor transportador brasileiro. Por meio de ações de monitoramento, orientação técnica e educação ambiental, o programa incentiva empresas e transportadores a adotarem práticas que reduzam a emissão de poluentes e aumentem a eficiência energética das operações. Entre as principais atividades do Despoluir, estão as avaliações ambientais veiculares gratuitas, que medem os níveis de emissão de poluentes da frota e orientam os transportadores sobre manutenção preventiva e condução mais eficiente. Além de contribuir para a melhoria da qualidade do ar, o programa também ajuda as empresas a reduzirem custos operacionais e a fortalecerem uma cultura de responsabilidade ambiental no transporte. Por Agência CNT Transporte Atual

Francisco Cardoso comenta no Bom Dia Rio Grande os reflexos da guerra no Irã para o diesel e a economia do RS

Assista à matéria completa aqui. Confira abaixo a reportagem publicada na GZH, assinada pelo jornalista Mathias Boni: Desde o último dia 28, quando ocorreram os primeiros ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, os efeitos dos confrontos na cadeia global de suprimentos têm crescido diariamente. Entre as principais consequências econômicas da guerra no Oriente Médio está o aumento do preço do barril de petróleo, que disparou nas últimas semanas e já impacta o comércio de combustíveis pelo planeta. Além de o Irã ser um dos maiores produtores da commodity no mundo, o país também detém o controle do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo consumido mundialmente. Ainda, em razão da guerra e dos ataques militares, outros países produtores de petróleo da região, como Kuwait e Emirados Árabes Unidos, diminuíram suas produções nos últimos dias, reforçando a tendência de subida no preço do barril — após atingir pico de US$ 120, o valor tem orbitado ao redor de US$ 90 nos últimos dias. No Rio Grande do Sul, esse desequilíbrio já é sentido na prática. Diferentes setores, como o de transportes e o agronegócio, afirmam encontrar dificuldades para abastecimento, principalmente de diesel. Confira, nesta reportagem, os impactos sentidos em cada segmento e no dia a dia, além das expectativas sobre o abastecimento e pelos próximos passos da Petrobras no mercado. Impactos por setor Transporte público Na manhã desta quarta-feira (11), a Transpessoal, empresa responsável pelo transporte coletivo no município de Rio Grande, anunciou redução na tabela de horários, alegando “não ter disponibilidade imediata do combustível (diesel) e, quando há oferta, os preços repassados estão até 25% acima dos valores praticados há cerca de duas semanas”. Consultadas pela reportagem, tanto a Associação Riograndense de Transporte Intermunicipal (RTI) quanto a Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATPPOA) informam que monitoram a situação da distribuição de combustíveis no Estado, mas que, por enquanto, não planejam redução dos serviços. Agronegócio Já no início desta semana, produtores rurais passaram a comunicar que estavam enfrentando desafios para o abastecimento, relatando inclusive falta de diesel. A situação é ainda mais sensível no campo em razão do período atual, que é de colheita de alguns dos grãos mais importantes para a economia do Estado. — Desde os primeiros dias da guerra, já começamos a ouvir de produtores que estavam com dificuldades para receber diesel, e que em alguns lugares o preço já estava mais caro. Encaramos esse cenário com muita preocupação, ainda mais por estarmos no período de colheita do arroz e nos aproximando do da soja. Já tivemos muitas perdas no campo nos últimos anos e não podemos ter mais essa dificuldade agora — destaca Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). O setor do transporte de cargas também tem relatado problemas com a oferta de diesel no Estado. Apesar de não relatarem casos de falta do combustível, os motoristas do segmento já encontram preços muito acima dos encontrados antes do conflito no Oriente Médio. — Apesar de já ouvir relatos de falta de diesel em alguns pontos do Brasil, mais no Nordeste, ainda não encontramos essa situação aqui no Rio Grande do Sul. O que já estamos vendo, sim, é um aumento no valor do litro vendido, de até mais de um real. O diesel representa cerca de 45% de nossos custos variáveis e, com o encarecimento do combustível, nesse nível, fica impossível não repassar pelo menos uma parte deste aumento ao consumidor — aponta Francisco Cardoso, presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul). Risco de desabastecimento descartado O Sulpetro, sindicato que representa os postos de combustíveis, afirma que o cenário no Rio Grande do Sul não é de risco de desabastecimento, mas de “restrição”. O presidente da entidade, João Carlos Dal’Aqua, reconhece que a demanda pelo combustível se aqueceu nos últimos dias, mas ressalta que os relatos sobre falta de diesel são pontuais. — O que vemos que tem acontecido é que muitas TRRs, empresas que abastecem lavouras com diesel, não tinham contrato regular de abastecimento com distribuidoras e agora, como o combustível está mais caro no mercado e a demanda aumentou, essas empresas ou não estão comprando, ou estão comprando e oferecendo muito mais caro a seus clientes. A demanda aumentou, o preço aumentou, mas falta do produto, não estamos sabendo — diz o presidente do Sulpetro. A Petrobras informou no domingo (8) que não houve alterações na venda do combustível por parte de suas refinarias nos últimos dias e que as entregas no Rio Grande do Sul estão ocorrendo “dentro do volume programado”. No aguardo da Petrobras A disparada do valor do barril de petróleo criou uma defasagem entre os preços do mercado internacional e o praticado pela Petrobras no mercado brasileiro, já que a empresa não segue mais a política de paridade internacional de preços e, desde o início da guerra, ainda não reajustou o valor de venda do seu combustível. Com a disparidade, os importadores pararam de comprar o combustível, o que pode causar ainda mais desequilíbrio no mercado brasileiro, pois cerca de 30% do diesel consumido no país é importado. Por isso, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) tem conclamado a Petrobras a anunciar um reajuste no valor de venda do diesel. A estatal, entretanto, até agora tem manifestado cautela para lidar com o cenário atual. Em nota enviada à reportagem nesta semana, a Petrobras destacou que “por questões concorrenciais, não antecipa decisões sobre manutenção ou reajustes de preços”. Em complemento, a empresa afirmou que sua estratégia visa reduzir “a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro, garantindo maior previsibilidade e segurança, protegendo nossos clientes de oscilações abruptas que se originam fora do país”. Mesmo assim, as entidades gaúchas ainda aguardam posicionamento da estatal brasileira para dar mais segurança ao setor. — O mercado inteiro está aguardando a Petrobras, para saber se a empresa vai aumentar a importação por conta própria e reforçar os estoques nacionais ou se vai anunciar um reajuste no seu valor de venda, o que voltaria a incentivar a importação de combustível — destaca João Carlos Dal’Aqua. O

Inscreva-se para a Especialização em Gestão de Negócios – Porto Alegre

Estão abertas as inscrições para a Especialização em Gestão de Negócios, que será realizada em Porto Alegre, integrando o Programa Avançado de Capacitação do Transporte, coordenado pelo Instituto de Transporte e Logística (ITL) e promovido pelo SEST SENAT. A especialização é gratuita e destinada a gestores e executivos de empresas de transporte associadas ao Sistema Transporte. A iniciativa atende a uma das demandas da Fetransul junto ao Sistema Transporte, com o objetivo de fortalecer a capacitação, a profissionalização e a competitividade do setor. As inscrições estão abertas também para São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ). INSCREVA-SE AQUI! Sobre o curso: A Especialização em Gestão de Negócios é uma pós-graduação lato sensu, ministrada pela Fundação Dom Cabral (FDC), referência nacional e internacional em educação executiva. O curso tem como foco capacitar gestores e executivos de empresas de transporte e logística nas mais modernas técnicas de gestão, desenvolvendo competências estratégicas para tornar o setor cada vez mais competitivo. O currículo foi desenvolvido com base em uma abordagem prática e alinhada à realidade do mundo dos negócios, avaliando práticas de gestão aplicadas ao setor de transportes. O programa equilibra teoria e prática, estimulando uma visão empreendedora, criativa e estratégica nos participantes. Objetivo: Capacitar gestores e executivos das empresas de transporte e logística nas mais modernas técnicas de gestão de negócios, desenvolvendo as competências necessárias para tornar o setor mais competitivo. O curso trabalha a visão sistêmica nas organizações, identificando aspectos fundamentais para o desenvolvimento de equipes de alta performance operacional. A ideia é desenvolver uma visão crítica e analítica, embasada em técnicas tradicionais e inovadoras que são fundamentadas e trabalhadas por professores com experiência prática em importantes instituições. Público-alvo: A especialização é destinada exclusivamente a profissionais de empresas de transporte dos modais: Os participantes devem ser filiados às federações e/ou associações que integram o Sistema Transporte. Com informações do ITL

ANTT inicia integração nacional para verificação automática dos seguros obrigatórios do transporte de cargas

Período de homologação do sistema começa em 10 de março e permitirá o intercâmbio automatizado de dados entre seguradoras e o RNTRC; verificação passará a valer para inscrição e manutenção do registro dos transportadores a partir de julho de 2026 Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), por meio da Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (SUROC), informa aos transportadores rodoviários de cargas, sociedades seguradoras e demais interessados sobre o cronograma de implementação do intercâmbio automatizado de informações relativas à contratação dos seguros obrigatórios do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). A medida decorre da implementação das disposições da Lei nº 14.599/2023, que estabeleceu a obrigatoriedade de contratação, pelo transportador rodoviário de cargas, dos seguros de: A operacionalização desses seguros vem sendo conduzida em conjunto com o mercado segurador e com a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), que também vem promovendo adequações regulatórias para implementação do novo marco legal. Intercâmbio de dados entre seguradoras e ANTT Nos termos da Portaria SUROC nº 27, de 7 de agosto de 2025, as sociedades seguradoras deverão encaminhar automaticamente à ANTT as informações relativas à comprovação de contratação dos seguros obrigatórios, RCTR-C, RC-DC e RC-V, por meio de webservice integrado ao sistema do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). Início do período de homologação A data 10 de março de 2026 marca o início do período de homologação do webservice destinado ao intercâmbio de informações entre as sociedades seguradoras e a ANTT. O período de homologação ocorrerá entre: 10 de março de 2026 e 30 de junho de 2026. Durante essa fase, as seguradoras poderão realizar testes de integração, envio e validação das informações, com o objetivo de garantir a correta comunicação entre os sistemas e a qualidade dos dados transmitidos. Fiscalização durante o período de homologação Durante o período de homologação, a atuação da ANTT terá caráter educativo e orientativo, podendo ocorrer ações de fiscalização voltadas à conscientização do setor quanto à obrigatoriedade de contratação dos seguros e à futura verificação automatizada dessas informações. Entrada em produção do sistema A partir de 1º de julho de 2026, o webservice entrará em ambiente de produção, com integração efetiva ao sistema RNTRC. Nessa etapa, conforme cronograma a ser divulgado pela SUROC, será iniciada a verificação automática da contratação dos seguros obrigatórios, que passará a ser considerada para fins de: Fundamentação do cronograma A definição da data de 1º de julho de 2026 considera que o ramo de seguro RC-V (ramo 0659) foi instituído pela regulamentação da SUSEP com vigência a partir de 1º de julho de 2025, permitindo ao mercado segurador estruturar os novos produtos e possibilitando que as apólices contratadas tenham seu ciclo anual completo antes do início da verificação automática. Próximas comunicações A ANTT divulgará oportunamente orientações técnicas adicionais, incluindo: Coordenação-Geral de Comunicação – ANTT Foto: Divulgação / Comunicação ANTT

FATO RELEVANTE – Alta do diesel pressiona fretes e pode impactar custos logísticos

A Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (FETRANSUL) manifesta preocupação com os recentes aumentos no preço do diesel registrados no mercado. O combustível representa entre 40 a 45 por cento do custo operacional do transporte rodoviário de cargas, sendo o principal insumo da atividade. Em um cenário de sucessivas elevações, torna-se inevitável que parte desse aumento seja refletida nas tarifas de frete praticadas no mercado. O transporte rodoviário é responsável pela maior parte da movimentação de cargas no Brasil e responde por cerca de 85% da matriz de transporte de cargas no Rio Grande do Sul, desempenhando papel essencial no abastecimento da população e no funcionamento das cadeias produtivas. O preço do diesel no país é influenciado por diferentes fatores, como o comportamento do mercado internacional de petróleo e derivados, a estrutura de distribuição e revenda e também a política de biocombustíveis. Diante desse cenário, a FETRANSUL reforça que o transportador não tem condições de absorver sozinho aumentos sucessivos do combustível, o que tende a pressionar as tarifas de frete, uma vez que cada empresa precisará avaliar individualmente os impactos em suas operações para preservar a sustentabilidade das atividades e garantir a continuidade dos serviços logísticos A entidade também destaca a importância de previsibilidade na política energética e de combustíveis, condição fundamental para que empresas transportadoras e embarcadores possam planejar suas operações e manter a competitividade da economia. FETRANSULFederação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul