Avaliação aponta avanços pontuais, como a redução de pontos críticos, mas alerta que a malha estadual concentra o principal gargalo da infraestrutura rodoviária
Acesse aqui os resultados das pesquisas CNT de Rodovias e Índice de Confiança do Transportador Gaúcho
A Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (Fetransul) apresentou sua avaliação institucional da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, 19, destacando que a malha rodoviária gaúcha permaneceu estável entre 2024 e 2025, porém em um patamar crítico, distante das condições necessárias para sustentar o desenvolvimento econômico e a competitividade do Estado. O levantamento analisou 8.813 quilômetros de rodovias no Rio Grande do Sul, abrangendo a totalidade das rodovias federais e os principais trechos estaduais, o que representa 7,7% da malha avaliada no Brasil.
Na análise da malha geral, os dados indicam avanço pontual, mas insuficiente. Em 2025, 27% das rodovias do Estado foram classificadas como ótimas ou boas, frente a 24,4% em 2024, enquanto 46,7% permanecem em condição regular e 26,3% seguem classificadas como ruins ou péssimas. Para a Fetransul, esse quadro confirma a ausência de mudança estrutural significativa, mantendo elevados os custos logísticos, os riscos operacionais e os impactos negativos sobre a economia regional.
Um dado positivo foi a redução expressiva dos pontos críticos, que passaram de 144 registros em 2024 para 81 em 2025, resultado de ações emergenciais e corretivas adotadas ao longo do último ano. O presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, ressalta que o avanço é relevante, mas limitado: “A Federação reconhece o esforço e os resultados dessas intervenções, mas ações emergenciais não substituem uma política permanente de manutenção, prevenção e recuperação estrutural das rodovias”.
Malha federal
O recorte por tipo de gestão evidencia diferenças importantes. A malha federal no Rio Grande do Sul apresentou desempenho relativamente superior, com 37% da extensão classificada como ótima ou boa em 2025, embora 50% ainda estejam em condição regular. Já a malha estadual permanece como o principal gargalo, com apenas 10,1% em condição ótima ou boa e cerca de 49,1% da extensão classificada como ruim ou péssima, cenário que compromete a fluidez logística e amplia desigualdades regionais.
Diante desse contexto, a Fetransul defende a implementação de uma política permanente de infraestrutura rodoviária, com fontes estáveis de financiamento, planejamento de longo prazo e gestão eficiente, priorizando a recuperação da malha estadual, sem prejuízo da manutenção e modernização da malha federal. A entidade reforça que estradas em boas condições, aliadas à renovação da frota, são decisivas para reduzir custos logísticos, aumentar a segurança viária, fortalecer a competitividade do setor produtivo e acelerar a agenda de descarbonização do transporte rodoviário de cargas no Rio Grande do Sul.
Rodovias do RS permanecem estáveis, mas em patamar crítico, aponta Pesquisa CNT 2025
A malha rodoviária do Rio Grande do Sul permanece praticamente estável entre 2024 e 2025, porém em um patamar ainda crítico, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, cuja avaliação institucional foi apresentada pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (Fetransul). O levantamento analisou 8.813 quilômetros de rodovias no Estado, o equivalente a 7,7% da malha pesquisada em todo o país, considerando rodovias federais e os principais trechos estaduais .
Na avaliação geral do Estado, 27% da extensão avaliada foi classificada como ótima ou boa em 2025, ante 24,4% em 2024. Apesar da leve melhora, 46,7% da malha segue em condição regular, enquanto 26,3% permanecem em situação ruim ou péssima, o que indica ausência de mudança estrutural consistente. Para a Fetransul, os dados reforçam um cenário de estabilidade em nível insatisfatório, com impactos diretos na competitividade e nos custos logísticos do transporte rodoviário de cargas .
Malha geral do Rio Grande do Sul – classificação (%)
| Classificação | 2024 | 2025 |
| Ótima + Boa | 24,4% | 27% |
| Regular | 47,7% | 46,7% |
| Ruim + Péssima | 27,9% | 26,3% |
Redução de pontos críticos: avanço relevante, mas emergencial
Um dos principais avanços identificados pela Pesquisa CNT foi a redução expressiva dos pontos críticos nas rodovias gaúchas, que passaram de 144 registros em 2024 para 81 em 2025. Houve queda em ocorrências como buracos de grande porte, erosões de pista e quedas de barreira, reflexo de ações corretivas adotadas ao longo do último ano.
Para o presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, o resultado representa um avanço importante, porém limitado: “A Fetransul reconhece esse avanço como resultado de ações emergenciais e corretivas, ressaltando, contudo, que tais intervenções não substituem uma política permanente de manutenção e prevenção”.
Malha federal apresenta desempenho superior, mas segue majoritariamente regular
No recorte das rodovias federais localizadas no Rio Grande do Sul, os dados indicam desempenho relativamente melhor em comparação à média geral do Estado. Em 2025, 37,0% da extensão federal foi classificada como ótima ou boa, frente a 32,7% em 2024.
Ainda assim, a maior parcela da malha federal permanece enquadrada como regular, representando 50,0% da extensão em 2025. Os trechos classificados como ruins ou péssimos recuaram de 14,9% para cerca de 13,0%, mantendo-se como fator relevante de impacto nos custos operacionais do setor .
Malha federal no RS – classificação (%)
| Classificação | 2024 | 2025 |
| Ótima + Boa | 32,7% | 37,0% |
| Regular | 52,3% | 50,0% |
| Ruim + Péssima | 14,9% | 13,0% |
Malha estadual concentra o principal gargalo estrutural
A malha estadual do Rio Grande do Sul permanece como o ponto mais crítico identificado pela Pesquisa CNT de Rodovias 2025. Em 2025, apenas 10,1% da extensão estadual foi classificada como ótima ou boa, percentual praticamente idêntico ao observado em 2024 (10,0%).
Quase metade da malha estadual segue em condição ruim ou péssima, somando 49,1% em 2025, enquanto os trechos regulares representam 40,8%. Para Francisco Cardoso, “esses números evidenciam a ausência de evolução estrutural significativa e reforçam a necessidade de um programa robusto e contínuo de recuperação da malha estadual” .
Malha estadual no RS – classificação (%)
| Classificação | 2024 | 2025 |
| Ótima + Boa | 10,0% | 10,1% |
| Regular | 40,2% | 40,8% |
| Ruim + Péssima | 49,8% | 49,1% |
Posicionamento da Fetransul
A Fetransul reconhece os esforços realizados em 2025, especialmente a redução dos pontos críticos, mas destaca que a comparação entre 2024 e 2025 revela estabilidade em um patamar ainda insatisfatório. A Federação reforça que o principal gargalo da infraestrutura rodoviária gaúcha está concentrado na malha estadual, sem prejuízo da necessidade de manutenção e modernização da malha federal.
A entidade defende a implementação de uma política permanente de infraestrutura, com fontes estáveis de financiamento, gestão eficiente e priorização da recuperação estrutural. A Fetransul reafirma que estradas em boas condições, aliadas à renovação da frota, são fundamentais para reduzir custos logísticos, aumentar a segurança viária e acelerar a agenda de descarbonização do transporte rodoviário de cargas.
Confiança do transportador gaúcho melhora, mas segue em patamar de cautela
A 7ª Rodada do Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas, referente ao 2º semestre de 2025, indica leve melhora na percepção do setor no Rio Grande do Sul, embora o nível de confiança permaneça abaixo do patamar considerado positivo. A sondagem foi realizada pela CNT, com apoio da Fetransul, entre 24 de novembro e 14 de dezembro de 2025, com 108 empresas, margem de erro de 7,4 pontos percentuais e nível de confiança de 95% .
O Índice Geral de Confiança alcançou 46,7%, avanço de 5,3 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre de 2025. Ainda assim, o resultado permanece abaixo de 50%, indicando predominância de cautela entre os transportadores rodoviários gaúchos.
Índice CNT de Confiança – RS (2º semestre de 2025)
| Indicador | Resultado |
| Índice Geral de Confiança | 46,7% |
| Variação vs. 1º sem/2025 | +5,3 p.p. |
| Índice de Condições Atuais | 38,8% |
Condições atuais seguem negativas para economia e negócios
O Índice de Condições Atuais ficou em 38,8%, apesar da alta de 6,5 pontos percentuais frente ao primeiro semestre de 2025. Na comparação anual, houve leve recuo de 0,4 ponto percentual, refletindo a percepção ainda negativa dos transportadores sobre a economia, o ambiente de negócios e a situação financeira das empresas.
Entre os principais fatores de desconfiança apontados estão a insegurança política e jurídica, as incertezas em torno da reforma tributária, a preocupação com o aumento da carga tributária e o descontrole dos gastos públicos. Soma-se a esse cenário a demanda retraída, com consumo estagnado, enquanto o valor do frete não acompanha o aumento de custos como diesel, pneus e peças, além da escassez de mão de obra qualificada .
Infraestrutura rodoviária agrava custos e limita competitividade
A Pesquisa CNT também evidencia que 72,9% da malha rodoviária avaliada no Rio Grande do Sul está classificada como regular, ruim ou péssima, percentual superior à média nacional, que é de 62,1%. Esse cenário resulta em impacto direto de 37,2% no custo operacional do transporte, consumo adicional estimado de 105,5 milhões de litros de diesel por ano e um prejuízo anual de R$ 624,6 milhões ao setor no Estado .
Mesmo com o Índice de Expectativas atingindo 50,7% no segundo semestre de 2025, a Fetransul avalia que o resultado reflete mais uma estratégia de resiliência interna das empresas do que otimismo com o ambiente macroeconômico, reforçando a necessidade de políticas públicas estruturantes para infraestrutura, economia e logística.






