No Sul gaúcho, pedágio mais caro das rodovias federais pode cair 85% após nova concessão

Trecho com 457 quilômetros nas BRS-116 e 392 será leiloado em agosto

O governo federal está lançando o programa “Concessões Rodoviárias 2026”, que busca delinear um calendário de privatização e relicitação de importantes trechos da malha rodoviária brasileira. Sob a coordenação do Ministério dos Transportes e do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), este ciclo de concessões tem como objetivo principal atrair bilhões de reais em investimentos privados para a modernização, duplicação e manutenção das rodovias federais (BRs) ao longo dos próximos 30 anos.

A iniciativa é vista pelo governo como crucial para elevar os padrões de segurança, garantir o escoamento eficiente da produção nacional e melhorar a logística em regiões-chave do país. No Rio Grande do Sul, dois leilões acontecerão em 2026. Um deles é a concessão da chamada Rota Integração do Sul, que abrange trechos das BRs-116/158/392/290. O certame está previsto para dezembro de 2026.

O outro leilão é o do trecho chamado de Rota Portuária do Sul, que abrange 457 quilômetros das rodovias BR-116 e BR-392, e está previsto para acontecer em agosto do próximo ano.

A Rota Portuária do Sul está atualmente concedida para a empresa Ecovias Sul. O contrato com a concessionária, criticada por cobrar tarifas altas, acaba no dia 4 de março de 2026. No período entre o fim da concessão e o próximo leilão, a rodovia será responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit)

A Rota Portuária do Sul

O trecho em questão possui um papel vital na economia do Estado, funcionando como um eixo principal para o escoamento de mercadorias de áreas de produção para os complexos portuários regionais, especialmente o Porto de Rio Grande. Com a nova concessão, o governo federal busca não apenas injetar um volume significativo de investimentos privados na rodovia para melhorias de segurança e capacidade, mas também estabelecer um novo padrão de eficiência no transporte de cargas, essencial para a competitividade da produção nacional.

O aspecto mais aguardado deste projeto, no entanto, é a implantação do novo pedágio, que seguirá o critério de modicidade tarifária adotado pelo governo federal. Uma das principais críticas à antiga gestão da rota era o preço cobrado. Atualmente, o pedágio na rodovia custa R$ 19,60.

Segundo este modelo regulatório, o leilão não será vencido pela empresa que oferecer o maior valor, mas sim pela candidata que apresentar a menor tarifa de pedágio para o usuário. Embora a tarifa final exata só seja definida após o certame de concessão, a Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), estima que a redução da tarifa seja de 85%.

“O pedágio referência para o leilão será R$ 0,045 por km. Isso equivale a um pagamento de R$ 2,25 por praça no modelo atual. Atualmente custa R$ 19,60. É 85% menor”, explicou Paulo Ziegler, diretor de infraestrutura da Fetransul.

A Fetransul sempre foi crítica da gestão da Ecovias Sul e, institucionalmente, considerou as mudanças que serão aplicadas pelo governo no Rio Grande do Sul como “muito positivas”.

“São tarifas módicas ajustadas à realidade da economia da região e condizentes com a visão de custo benefício para os usuários. São custos até inferiores que em outros projetos administrados pelo Ministério dos Transportes em outros estados”, afirmou Ziegler

EVANDRO OLIVEIRA/JC

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