Sustentabilidade e resiliência guiam discussões sobre o futuro das rodovias

Painel na Estação do Desenvolvimento mostra que inovação em pavimentos reduz desperdícios e fortalece a sustentabilidade do transporte

O painel “Tecnologia, Regulação e Sustentabilidade: o caminho para a mitigação de GEE na nova infraestrutura rodoviária brasileira” ganhou destaque na Estação do Desenvolvimento, na Green Zone da COP30, em Belém (PA), na tarde dessa quinta-feira (20). O encontro debateu os impactos econômicos e ambientais dos diferentes tipos de pavimento e mostrou como cada escolha pode influenciar custos, emissões e a eficiência das rodovias.

Para aprofundar essa discussão, o Ministério dos Transportes reuniu especialistas de diversas áreas ligadas ao setor rodoviário. O debate contou com representantes do transporte nacional, da indústria de asfaltos, da pesquisa acadêmica e da regulação pública. Essa diversidade de perspectivas permitiu abordar desde os impactos econômicos e ambientais dos pavimentos até a necessidade de políticas públicas consistentes e investimentos em inovação tecnológica, compondo um panorama amplo e estratégico para o futuro das rodovias brasileiras.

O professor Deivid Pereira, da Universidade Federal de Santa Maria, apresentou estudo comparando pavimentos de concreto e asfálticos. A análise mostrou que o concreto tende a emitir mais gases de efeito estufa e a ter custo mais elevado, exceto em cenários de tráfego extremamente pesado, enquanto o asfalto se mostrou mais adequado à realidade brasileira, equilibrando custo e impacto ambiental. Ele ressaltou ainda que o desempenho do pavimento influencia diretamente o consumo de combustível e as emissões: “Quem sabe, em breve, possamos mudar a pergunta clássica da engenharia. Em vez de ‘quanto vai custar a obra’, que seja ‘quanto a minha obra vai custar e emitir gases de efeito estufa’. Isso é sustentabilidade”, instigou.

Na sequência, Cynthia Ruas Vieira Praia, da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), destacou o papel da Agência na regulação das concessões e apresentou iniciativas de sustentabilidade já em andamento. “Nós incentivamos que as concessionárias invistam em tecnologia e sustentabilidade. Criamos parâmetros e até um ranking para reconhecer as mais engajadas. Isso gera marketing positivo e, em alguns casos, até aumento de receita para quem supera os padrões”, afirmou.

Representando o Sistema Transporte, a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, reforçou a importância de políticas públicas consistentes e da diversificação de matrizes energéticas para que o setor seja protagonista na mitigação de gases de efeito estufa. “O setor de transporte não é vilão. Ele é essencial para a economia e para a vida cotidiana. Investir em pavimentos de qualidade significa reduzir custos, diminuir emissões e preparar o Brasil para enfrentar os impactos das mudanças climáticas”, ressaltou.

Rodovias precárias pesam no bolso e no clima

Fernanda apresentou dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2024, que avaliou mais de 111 mil km da malha pavimentada brasileira e revelou que 67% das rodovias estão em condição regular, ruim ou péssima. Ela destacou que a frota de veículos cresce muito mais rápido do que a expansão da malha, agravando os problemas de infraestrutura diante da limitação de recursos públicos. Segundo a CNT, defeitos no pavimento aumentam em cerca de 32% o custo operacional dos transportadores, elevando gastos com combustível e manutenção. Em 2024, estima-se que foram consumidos 1,2 bilhão de litros de combustível de forma desnecessária, resultando em 3,13 milhões de toneladas de CO2 lançadas na atmosfera e em um prejuízo de R$ 6,81 bilhões para o setor.

Ela defendeu a importância das concessões rodoviárias como complemento ao investimento público e ressaltou que 73% das rodovias públicas foram classificadas como regulares ou péssimas, enquanto 63% das concedidas receberam avaliação ótima ou boa. “É mais barato pagar pedágio do que arcar com os custos adicionais de rodovias malconservadas. Precisamos de rodovias resilientes, capazes de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e garantir eficiência ao transporte.”

O painel também destacou o conceito de pavimento resiliente, capaz de suportar chuvas intensas, calor extremo e outras intempéries sem comprometer a segurança e a fluidez do transporte. De acordo com os especialistas, essa abordagem amplia o papel da engenharia, que passa a ser não apenas técnica, mas também social e ambiental, convertendo avanços tecnológicos em benefícios diretos para a população.

O encontro reforçou que a infraestrutura rodoviária desempenha papel decisivo na transição para um Brasil mais sustentável. Para os painelistas, apostar em tecnologia, regulação e critérios de sustentabilidade não significa apenas reduzir custos, emissões e desperdícios, mas também garantir dignidade, eficiência e segurança a milhões de brasileiros que dependem diariamente das estradas. Os debatedores encerraram o painel com a mensagem de que o futuro das rodovias nacionais vai além da escolha entre asfalto ou concreto; está na capacidade de transformar avanços tecnológicos em soluções que integrem desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.

Por Agência CNT Transporte Atual

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