Resumo da primeira semana da Conferência do Clima tem novos projetos e medidas para tirar do papel as NDCs e os acordos firmados nos últimos anos
A primeira semana da COP30, realizada em Belém (PA), marcou o início de uma nova fase da agenda climática internacional. Após uma década após o Acordo de Paris, a conferência de 2025 consolida o chamado “ciclo de implementação”, etapa na qual setores público e privado, em conjunto com a sociedade civil, precisam transformar compromissos em ações concretas de mitigação, adaptação e financiamento.
O painel Debriefing da Primeira Semana de Negociações na COP30 teve como objetivo situar o público da Estação do Desenvolvimento, na Green Zone, sobre os principais acontecimentos que definirão o futuro do planeta. Conduzida por Bruna Rezende, fundadora e CEO da Iris, a palestra ressaltou as intensas negociações dos últimos dias.
O que aconteceu na primeira semana da COP30?
Segundo Bruna Rezende, o Brasil apresentou ao mundo um conjunto robusto de oportunidades e iniciativas que reforçam seu papel estratégico nas negociações multilaterais. Entre os destaques estão projetos voltados à preservação da floresta, redução do desmatamento, restauração e adaptação climática, além do lançamento e fortalecimento de instrumentos como o Tropical Forest Forever Fund (TFFF), o Ecoinvest e o novo Fundo Clima.
“No âmbito internacional, o documento “Global Mutirão”, que se tornou a principal referência política em discussão nesta COP, convoca uma mobilização mundial para acelerar a transição energética e alinhar os esforços de todos os países ao limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris”, explicou a fundadora da Iris.
O texto reforça que o atual ritmo de implementação é insuficiente e que será necessário ampliar significativamente os investimentos em energias limpas, adaptação e inovação tecnológica.
Um dos pontos centrais do debate foi o financiamento climático. A proposta em avaliação recomenda a mobilização de ao menos US$ 1,3 trilhão anuais até 2035 para apoiar países em desenvolvimento, além da triplicação dos recursos destinados à adaptação até 2030 ou 2035. Também ganhou destaque a possível criação do “Belém Facility for Implementation”, fundo destinado à preparação de projetos e mitigação de riscos para investimentos sustentáveis.
E para o transporte?
Para o setor de transporte, os encaminhamentos da primeira semana reforçam tendências já observadas nos últimos anos. Bruna Rezende pontuou temas como: aceleração da descarbonização, transição ordenada para energias renováveis, exigência de eficiência logística e incentivo ao uso de biocombustíveis e tecnologias limpas.
Os debates também abordaram a cooperação internacional para superar barreiras regulatórias e técnicas, além dos impactos de medidas comerciais relacionadas ao carbono. “Apesar de a descarbonização ser o objetivo, o mercado de carbono ainda é importante para o transporte internacional de cargas e passageiros”, explicou Bruna.
Com a consolidação do Brasil como articulador neutro e habilidoso no cenário multilateral, a COP30 avança para sua segunda semana com expectativas elevadas. Na avaliação da CEO, o país se posiciona como “provedor de soluções climáticas e apresenta portfólio consistente de projetos”.
Este cenário reforça o compromisso com uma transição sustentável e integra desenvolvimento econômico, inclusão social e inovação, bandeiras defendidas pelo Sistema Transporte de forma propositiva no seu cotidiano.
Por Agência CNT Transporte Atual



