São cumpridos 28 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão em diversas cidades do Estado
Em setembro de 2023, a Brigada Militar (BM) descobriu em Viamão, na Região Metropolitana, uma espécie de QG de desmanche de caminhões num galpão aparentemente abandonado. Os policiais depararam com a porta entreaberta e avistaram, lá dentro, três criminosos desmontando um veículo furtado. Era o início da descoberta de um esquema que se mostrou complexo e estruturado.
Nesta quinta-feira (11), um grupo apontado pela Polícia Civil como um dos mais organizados e especializado em furto de caminhões do Estado é alvo de operação. A ofensiva é realizada pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), e tem participação da inteligência do Comando de Policiamento Metropolitano da BM.
Durante a Operação Truck Hunters, 19 pessoas foram presas. Além disso, a polícia apreendeu um caminhão, armas e porções de drogas.
São cumpridos 28 mandados de prisão preventiva e 50 de busca e apreensão em diversas cidades do Estado. Segundo a investigação, a organização criminosa aterrorizou caminhoneiros e empresários do ramo de transporte e logística por mais de dois anos. O esquema envolvia, além do furto do caminhão, a extorsão das vítimas e o desmanche dos veículos em escala industrial.
— Havia todo um planejamento, uma atividade de inteligência, de monitoramento dos veículos. Após o furto, eles faziam contatos com as vítimas e passavam a exigir valores de R$ 10 mil até R$ 80 mil pela devolução dos caminhões, sob pena de desmanche. Caso percebessem que realmente a vítima não iria pagar o resgate, esse caminhão era encaminhado para desmanche —explica o delegado Gabriel Lourenço, do Deic.
A organização criminosa mantinha, segundo a polícia, diversos galpões alugados na Região Metropolitana. Nesses locais, eram mantidos os veículos furtados. Caso o dono optasse por não pagar, esses veículos eram encaminhados muitas vezes para desmanche.
— De acordo com as investigações, em até 12 horas, eles já conseguiam desmanchar todo o caminhão. Tinha um mecânico especializado em caminhões para poder fazer isso. E aí, a partir disso, eles faziam um catálogo com as peças dos caminhões e repassavam essas peças para os receptadores — detalha Lourenço.
Um dos alvos nesta quinta-feira é o proprietário de uma empresa de guinchos em Guaíba, na Região Metropolitana.
— Era um dos principais receptadores desse material que era furtado e, obviamente, ele utilizava essas peças dentro da própria empresa dele, que já é de guindaste, de caminhões — detalha o delegado.
Para os furtos, os criminosos monitoravam os veículos, usavam radiocomunicadores e faziam uso de chaves micha para abrir os caminhões. Depois, eles removiam ou desabilitavam os rastreadores antes de escaparem com o veículo. Em alguns casos, os caminhões foram furtados carregados, com rações ou eletrônicos. Quando isso acontecia, os criminosos extorquiam as vítimas também para a devolução das cargas.
Segundo a polícia, o grupo tem vínculos com uma facção do Vale do Sinos, com ramificações em todo o Estado. O grupo agia tanto na Grande Porto Alegre quanto no interior do Rio Grande do Sul. Os suspeitos são investigados por integrar organização criminosa, furto qualificado, extorsões e falsificação de documentos.
Diversas cidades
Os mandados são cumpridos em cidades como São Leopoldo, Novo Hamburgo, Viamão, Gravataí, Canoas, Guaíba, Porto Alegre, Capão da Canoa, Tramandaí, Portão, Alvorada, Sapucaia do Sul, Mariana Pimentel e Santa Maria, além de estabelecimentos prisionais, onde alguns dos líderes se encontram custodiados.
Desmanches descobertos
A investigação se iniciou em 5 de setembro de 2023, quando uma denúncia anônima levou policiais militares do 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM) a um galpão aparentemente abandonado na Estrada João de Oliveira Remião, em Viamão. Ao chegarem ao local por volta das 10h, os policiais flagraram três suspeitos.
O trio, segundo a polícia, estava desmanchando um caminhão Cargo quando foi surpreendido. No local, foram encontrados dois caminhões: um deles com placas falsas, já parcialmente desmontado e outro com as placas adulteradas. Havia ainda um reboque e ferramentas especializadas para desmanche.
Duas semanas depois, em 29 de setembro, outra operação policial descobriu um segundo ponto da organização criminosa. Na RS-020, em Gravataí, policiais localizaram outro galpão onde criminosos mantinham um caminhão Mercedes-Benz 712 C sendo preparado para desmanche.
FONTE: GZH – Fotos: Ronaldo Bernardi / Agência RBS





