CNJ acelera bloqueios judiciais e aumenta atenção necessária na gestão processual e financeira das empresas

Mudanças implementadas pelo CNJ permitem o cumprimento de ordens judiciais em poucas horas e ampliam o monitoramento de ativos financeiros das empresas Mudanças implementadas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) no SISBAJUD (Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário) exigem atenção redobrada das empresas, especialmente do setor de transporte e logística. O novo modelo permite que bloqueios judiciais sejam efetivados no mesmo dia da decisão e amplia o monitoramento de contas bancárias por períodos prolongados. A reformulação do sistema começou a ser estruturada em 2024, com a publicação da Resolução CNJ nº 584/2024 e da Portaria SEP nº 3/2024. Em maio deste ano, o Conselho firmou acordos com instituições financeiras para agilizar o cumprimento das ordens judiciais. Na prática, bloqueios que antes poderiam levar até dois dias úteis para serem efetivados agora podem ocorrer em poucas horas. Além disso, o chamado monitoramento contínuo permite que novos depósitos recebidos pela empresa também sejam retidos até a quitação da dívida. O tema é especialmente relevante para o setor transportador, uma vez que execuções trabalhistas, cobranças tributárias, ações indenizatórias, disputas contratuais e inadimplência com fornecedores podem resultar em bloqueios judiciais. Com a nova dinâmica, empresas podem ter valores bloqueados justamente no momento em que seriam destinados ao abastecimento da frota, ao pagamento de fretes, à manutenção de veículos, aos pedágios ou à folha salarial, gerando impactos operacionais imediatos. O cenário reforça a necessidade de mais atenção à gestão processual, financeira e de contingências jurídicas. Nesse contexto, torna-se ainda mais importante acompanhar processos judiciais de maneira permanente, revisar estratégias de gestão de passivos e garantir atuação jurídica célere em casos de bloqueios indevidos ou excessivos. A modernização do SISBAJUD acompanha a tendência de ampliação do uso de ferramentas tecnológicas pelo Poder Judiciário para localização de ativos, cumprimento de decisões judiciais e recuperação de créditos. Para as empresas de transporte, a prevenção, o monitoramento processual e a integração entre as áreas jurídica, financeira e operacional tornam-se fatores cada vez mais estratégicos para assegurar a continuidade, a segurança e a previsibilidade das operações. Por Agência CNT Transporte Atual
Sustentabilidade, inovação e resiliência logística pautam debates no estande do Sistema Transporte na TranspoAmazônia 2026

Programação reuniu especialistas para discutir descarbonização, transição energética, adaptação climática e eficiência na gestão do transporte e da logística O Sistema Transporte promoveu, nessa quinta-feira (28), durante a TranspoAmazônia 2026, em Manaus (AM), uma programação voltada aos desafios do transporte e da logística na região sob a perspectiva ESG (ambiental, social e de governança). Um dos espaços mais movimentados do evento, o estande do Sistema Transporte reuniu ativações que combinaram tecnologia, conscientização e acesso à informação. Os visitantes puderam utilizar óculos de realidade virtual para conhecer, de forma imersiva, as estruturas de uma Unidade Operacional do SEST SENAT. Também tiveram acesso aos óculos de alcoolemia, que simulam os efeitos da embriaguez e reforçam a importância da segurança viária. Outra atração foi o painel interativo do CNT DATA, que permitiu o acesso, em tempo real, a estudos e pesquisas desenvolvidos pela CNT. Já a dinâmica “Meu hábito, nosso planeta” convidou os participantes a relacionarem dados de suas rotinas operacionais e pessoais para a construção de um mapa múndi personalizado sobre hábitos e impactos ambientais. Paralelamente às ativações, a programação técnica reuniu especialistas para debater inovação, sustentabilidade, eficiência orçamentária e competitividade no transporte, temas alinhados às transformações em curso no setor. A agenda teve início com a palestra de Felipe Romera, CEO da Simple Carbo, sobre o tema “Dados que descarbonizam o transporte: Como transformar operação logística, custos e emissões em vantagem competitiva”. Com base no Inventário CNT de Emissões de Gases do Efeito Estufa do Setor de Transporte e em dados do SEEG Brasil/Observatório do Clima, o especialista destacou que o setor responde por cerca de 8% das emissões brutas nacionais, das quais 92,89% estão concentradas no modal rodoviário. Na sequência, Larissa Machado, analista de ESG do Sistema Transporte, e Marcelo Luís Schröder, diretor da Transportes Bertolini, discutiram o papel do transporte como agente de sustentabilidade. O painel apresentou o Projeto Itucumã, iniciativa de conservação ambiental que abrange mais de 180 mil hectares nos municípios amazonenses de Coari e Autazes. Segundo os participantes, o projeto captura anualmente mais de 904 mil toneladas de gases de efeito estufa, volume equivalente a uma capacidade de absorção cerca de 40 vezes superior às emissões geradas pela própria empresa transportadora. Além dos resultados ambientais, a iniciativa contribui para o desenvolvimento social das comunidades locais, com geração de emprego formal e apoio à implantação de infraestrutura básica, como acesso à água potável, internet e escolas. A adaptação das empresas de transporte às mudanças climáticas foi o foco da palestra de Wlliane Magna, analista da CNT. Ao apresentar os resultados da Sondagem CNT de Resiliência Climática no Setor de Transporte, a especialista destacou os impactos provocados por eventos extremos observados nos últimos anos, como as secas na região amazônica e as interrupções em rodovias e aeroportos no Sul do país. Entre as medidas apontadas pela CNT para ampliar a resiliência do setor estão a adoção de soluções de engenharia adaptativa em infraestruturas críticas, o fortalecimento de planos de contingência, a capacitação de equipes e a ampliação do acesso a linhas de financiamento voltadas à adaptação climática. Transporte sustentável No período da tarde, a programação contou com um painel dedicado ao Programa Despoluir, iniciativa que incentiva a adoção de práticas ambientalmente responsáveis pelas empresas transportadoras. Conduzido por Larissa Machado, Daniel Lima, coordenador do Despoluir da Fetramaz (Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia), e Augusto Marinho, gerente geral de operações do Grupo Hat Logística, o debate destacou a atuação do Despoluir, reconhecido como o maior programa ambiental da iniciativa privada brasileira. Foram apresentados os resultados do monitoramento da qualidade do óleo diesel e das avaliações veiculares realizadas em campo, que geram laudos com validade legal e contribuem para a redução de custos operacionais e emissões de poluentes. Em seguida, Fabiano de Moura, instrutor do SEST SENAT, abordou as exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e da Norma Regulamentadora nº 25 (NR-25). A apresentação alertou para os riscos jurídicos, operacionais e reputacionais associados à destinação inadequada de resíduos Classe I, como óleos lubrificantes e baterias, e reforçou a importância da economia circular para o reaproveitamento de materiais. Larissa Machado retornou à programação para debater a transição energética no transporte. Na ocasião, apresentou as ações da Coalizão dos Transportes pela Descarbonização, iniciativa coordenada pelo Sistema Transporte, Motiva, CEBDS e Insper, que reúne mais de 150 empresas. Segundo ela, o grupo já identificou 90 alavancas para redução das emissões, com foco na mudança da matriz modal, na ampliação do uso de biocombustíveis e na eletrificação da frota. Encerrando a agenda, Marcelo Angelim Britto, coordenador de Orçamento do SEST SENAT, ministrou a palestra “Orçamento como instrumento de maturidade empresarial”. O especialista apresentou indicadores que relacionam a maturidade em FP&A (Financial Planning and Analysis) a uma probabilidade 2,5 vezes maior de superação das metas de lucratividade. A participação do Sistema Transporte na TranspoAmazônia 2026 evidenciou a crescente integração entre sustentabilidade, inovação e gestão estratégica nos setores de transporte, logística e infraestrutura. Em uma região marcada por desafios geográficos e hidrográficos, a incorporação de tecnologia, planejamento e governança climática tem se consolidado como fator essencial para a competitividade e a eficiência operacional. Por Agência CNT Transporte Atual