A CNT (Confederação Nacional do Transporte) acompanha com atenção o debate sobre a possível mudança da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. O setor produtivo está aberto ao diálogo, mas reforça que qualquer alteração deve ser conduzida com responsabilidade, previsibilidade e compromisso com o país.
O transporte é uma atividade essencial, estratégica para a economia e para a qualidade de vida da população. O setor garante o direito constitucional de locomoção e viabiliza o deslocamento de absolutamente tudo o que é produzido, consumido e utilizado no Brasil — incluindo saúde, educação, alimentos, medicamentos, insumos industriais e serviços públicos. Trata-se de uma atividade contínua, que opera 24 horas por dia para atender todas as áreas da economia e assegurar o funcionamento do país.
Nesse contexto, a redução da jornada sem considerar as especificidades do transporte pode gerar impactos relevantes para toda a sociedade. O setor já enfrenta dificuldades significativas de reposição de mão de obra qualificada. Pesquisas do Sistema Transporte evidenciam o desafio:
- Transporte Rodoviário de Cargas (Pesquisa CNT – 2021):
65,1% das empresas relatam falta de motoristas profissionais;
19,2% falta de mecânicos/manutenção;
15,1% falta de gerentes operacionais;
14,4% falta de profissionais administrativos. - Transporte Urbano de Passageiros (Pesquisa CNT – 2023):
53,4% das empresas apontam escassez de motoristas;
63,2% relatam falta de mecânicos e profissionais de manutenção;
As principais causas são falta de qualificação (41,4%), baixa experiência (40,8%) e baixa atratividade da profissão (33,3%).
Diante desse quadro, reduzir a jornada sem haver trabalhadores suficientes para suprir a demanda amplia o déficit, eleva custos e pode comprometer a regularidade dos serviços prestados à população.
Outro ponto fundamental a ser destacado é o aumento do custo com a máquina público, uma vez que a alteração da jornada não diz respeito apenas ao setor privado. Uma medida aplicada de forma ampla — incluindo a administração pública — teria impacto direto na máquina estatal, exigindo novas contratações e aumentando despesas com pessoal, em um cenário de forte restrição fiscal.
A Confederação Nacional do Transporte entende que o caminho mais adequado para tratar da jornada de trabalho é a negociação coletiva. Esse instrumento permite que trabalhadores e empregadores ajustem as condições de trabalho às necessidades específicas de cada setor, região e empresa, garantindo equilíbrio, segurança jurídica e respeito às particularidades de cada uma das atividades econômicas. É importante destacar ainda que nos setores onde a jornada 5×2 é factível, ela já é praticada.
A Confederação reafirma que está à disposição para contribuir tecnicamente com o Parlamento e com o Governo Federal, reforçando a importância de que o debate seja guiado por critérios técnicos e pela proteção da sociedade brasileira — sem precipitação ou decisões que possam gerar impactos negativos ao país como um todo.
Por Agência CNT Transporte Atual



