A confiança dos transportadores rodoviários de cargas do Rio Grande do Sul permaneceu abaixo do patamar de 50% no segundo semestre de 2025, apesar de apresentar leve recuperação em relação ao início do ano. Os dados do Índice CNT de Confiança do Transportador foram divulgados na última sexta-feira, 19, pelo presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), Francisco Cardoso.
O índice geral de confiança no Estado alcançou 46,7%, indicando falta de confiança do empresariado no ambiente de negócios. Em comparação com o primeiro semestre de 2025, houve avanço de 5,3 pontos percentuais, movimento que sinaliza resiliência do setor, mas ainda longe de uma reversão consistente do cenário econômico.
A percepção sobre as condições atuais da economia e das empresas também apresentou melhora. O índice de condições atuais chegou a 38,8%, crescimento de 6,5 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre do ano. Ainda assim, o resultado permanece em patamar crítico, refletindo um ambiente marcado por insegurança jurídica, incertezas políticas e pressão tributária.
Entre os principais fatores que alimentam a desconfiança dos empresários estão a retração da demanda por transporte de cargas, em um contexto de consumo estagnado, a defasagem do valor do frete frente ao aumento dos custos operacionais, especialmente com diesel e insumos, além da falta de previsibilidade econômica e fiscal.
A precariedade da infraestrutura rodoviária segue como um dos principais entraves à competitividade do setor no Rio Grande do Sul. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 avaliou 8.813 quilômetros de rodovias pavimentadas no Estado e apontou que 72,9% da malha foi classificada como Regular, Ruim ou Péssima, percentual superior à média nacional. Esse cenário gera aumento estimado de 37,2% no custo operacional dos transportadores, além de impactos ambientais e prejuízos econômicos expressivos.
O índice de expectativas para os próximos seis meses atingiu 50,7%, superando marginalmente o patamar de neutralidade. Segundo a avaliação da CNT e da Fetransul, esse resultado reflete menos confiança no ambiente macroeconômico e mais uma estratégia de adaptação interna das empresas, baseada em eficiência operacional e contenção de custos.
Francisco Cardoso destacou que a confiança empresarial é determinante para decisões de investimento e expansão e reforçou a necessidade de políticas públicas que enfrentem os gargalos estruturais do setor, especialmente nas áreas de infraestrutura, carga tributária e segurança jurídica.
A sondagem é realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e, no Rio Grande do Sul, conta com o apoio da Fetransul. A sétima rodada do levantamento ouviu 108 empresas entre 24/11/2025 e 14/12/2025, com margem de erro de 7,4 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.



