Na manhã desta quarta-feira, o presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, participou como painelista do 1º Congresso Brasileiro de Comércio Exterior, realizado na FIERGS. O evento reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os impactos das mudanças geopolíticas, do avanço tecnológico e das novas exigências ambientais sobre as exportações brasileiras.
Com mais de 30 painelistas, a programação foi dividida em dois dias, com o objetivo de orientar empresas diante de um cenário marcado por incertezas, tensões comerciais e pela necessidade de diversificação de mercados.
Cardoso integrou o painel “Transformações Econômicas na Argentina: Impactos e Oportunidades para Exportadores”, que contou com a abertura de Giovani Baggio, o qual avaliou as crises recorrentes na Argentina. Baggio destacou que, em 2024, o Brasil exportou R$ 14 bilhões para o país vizinho. A inflação caiu de 292% em janeiro de 2024 para 32% ao ano em setembro de 2025. A produção industrial voltou a crescer e as exportações do Rio Grande do Sul acompanharam esse movimento, registrando um aumento de 48% em 2025.
Ele também apresentou uma análise do ambiente econômico argentino, apontando para a estabilidade do dólar, a ausência de atrasos nos pagamentos e a digitalização dos processos aduaneiros. Assim, conclui-se que a Argentina é um destino viável e estratégico para as exportações brasileiras.
Cardoso avaliou que a confiança voltou para os exportadores e para a Argentina, o que tem facilitado a reorganização das atividades de comércio exterior. Segundo ele, o fluxo comercial entre Brasil e Argentina aumentou em um ambiente de maior estabilidade, fator essencial para o setor de transporte, que depende diretamente desse equilíbrio econômico.
Destacou que os desafios e oportunidades para o transporte não dizem respeito apenas ao cenário argentino, mas também à estabilidade das moedas e ao comportamento da economia brasileira. Cardoso falou também sobre a expectativa de ampliação das exportações argentinas, o que favoreceria os transportadores, especialmente nas cargas de retorno que hoje é um grande desafio.
O presidente ressaltou a importância de que os transportadores intensifiquem a certificação OEA, que representa um importante mecanismo de compliance. Segundo ele, essa certificação contribui para que o setor de transporte ganhe mais fluidez, agilidade e confiabilidade perante os órgãos governamentais responsáveis pela fiscalização da atividade.



