Sistema Transporte e Childhood exibiram cenas do filme, que retrata a violência sexual de crianças e adolescentes em comunidades ribeirinhas
O Sistema Transporte, em parceria com a Childhood Brasil, promoveu, nessa quarta-feira (12), na Estação do Desenvolvimento (espaço do transporte localizado na Zona Verde da COP30), uma exibição comentada de trechos do filme Manas (2025), dirigido por Marianna Brennand. A sessão, repleta de emoção e reflexão, contou com a presença da atriz Jamilli Corrêa, protagonista da obra, e da produtora e corroteirista Carolina Benevides, além de outros convidados especiais.
Ao mesmo tempo dura e sensível, a produção vem emocionando plateias em todo o Brasil com a história de Marcielle (Jamilli Corrêa), uma menina que se vê presa em um ciclo de abuso e violência em uma comunidade do Arquipélago de Marajó (PA). Nessa trajetória de dor e resistência, ela recebe ajuda da delegada Aretha, interpretada por Dira Paes.
O tema retratado no filme é de grande relevância para o Sistema Transporte, que atua ativamente no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes por meio do projeto Proteção, uma iniciativa desenvolvida em parceria com a Childhood Brasil desde 2017. O projeto tem como foco os trabalhadores do setor de transporte, que são orientados a identificar situações de vulnerabilidade e a denunciar casos de violência que possam testemunhar.
“Hoje, o projeto está presente em 106 unidades operacionais do SEST SENAT, em todo o país. Colocamos nossa capilaridade, nosso conhecimento do setor e nossa influência institucional a serviço da transformação dessa realidade de violência e abuso. Atuamos nas rodovias, em parceria com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), para que os motoristas profissionais se tornem, de fato, defensores dos direitos das crianças e dos adolescentes”, afirmou a diretora executiva nacional do SEST SENAT (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), Nicole Goulart.
A diretora executiva da Childhood Brasil, Laís Peretto, explicou que a exploração sexual se diferencia do abuso sexual por envolver uma relação de poder econômico e ressaltou que, infelizmente, esse é um problema que segue crescendo em todo o país. “Nossa campanha é para que esse crime não fique embaixo do tapete. Esse não é um problema da casa ao lado”, enfatizou.
Laís destacou ainda que o SEST SENAT é um importante multiplicador do Programa Na Mão Certa e mencionou o apoio da Entidade ao Barco Infância Segura – nova iniciativa realizada em parceria com o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). A embarcação será destinada ao atendimento de vítimas ou testemunhas de violência, especialmente sexual, no Arquipélago do Marajó (PA).
Os diálogos realizados na Estação do Desenvolvimento foram mediados por Eva Dengler, superintendente de Programas e Relações Empresariais da Childhood Brasil, e contaram com a participação de Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, defensora de direitos humanos no IDA (Instituto Dom Ascona), e do delegado da Polícia Civil Rodrigo Amorim. Os relatos desses dois heróis da vida real inspiraram a construção da personagem vivida por Dira Paes na ficção.
O encerramento contou ainda com a participação de Felipe Saboya, diretor adjunto do Instituto Ethos, que reforçou a importância da união entre setor produtivo, poder público e sociedade civil no combate à exploração sexual infantojuvenil.
Infância protegida no transporte

Durante o evento Mulheres Inspiradoras Hub COP30, promovido pela Vibra Energia em Belém (PA), a diretora adjunta do ITL (Instituto de Transporte e Logística), Eliana Costa, destacou o papel do Sistema Transporte no enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Ela também apresentou os resultados do projeto Proteção. “Mais de 1,6 milhão de pessoas já foram sensibilizadas sobre o tema. É nossa responsabilidade, como instituição e como cidadãos, ajudar a identificar e combater essas situações”, afirmou.
Eliana explicou que o projeto tem alcance nacional e utiliza os mapeamentos da PRF para identificar pontos de vulnerabilidade em rodovias, portos e aeroportos. As ações incluem o estímulo à denúncia por meio do Disque 100 e a articulação com conselhos tutelares, delegacias especializadas e órgãos de justiça.
“Nós, do setor de transporte, somos milhares espalhados pelo Brasil. Muitas vezes, chegamos a lugares onde o poder público não chega com tanta facilidade. Não temos poder de polícia, mas temos o poder do cidadão de denunciar. Nosso setor está presente em todo o território nacional e pode ser a voz dessas crianças e desses adolescentes que, muitas vezes, não conseguem ser ouvidos”, disse.
A dirigente também comentou sobre a adesão do Sistema Transporte ao projeto Barco Infância Segura, uma iniciativa da Childhood Brasil em parceria com o CNMP. “Não devemos deixar a marca de sermos o país da violência. Somos o país da empatia, da responsabilidade e da paz”, declarou Eliana, emocionada.
O painel, mediado por Geovana Quadros, fundadora da plataforma Mulheres Inspiradoras, também contou com a participação da diretora executiva da Childhood Brasil, Laís Peretto, e da vice-presidente da Vibra Energia, Clarissa Sadock.
Laís defendeu a implementação efetiva da Lei da Escuta Protegida e a integração entre os serviços públicos de atendimento para evitar a revitimização de crianças e adolescentes.
Já Clarissa relatou as ações da Vibra em mais de 8 mil postos de combustíveis pelo país, promovendo campanhas de conscientização e engajamento de motoristas e frentistas. “Trazer essa pauta para dentro das empresas é fundamental. Quando falamos abertamente, geramos empatia, quebramos o silêncio e criamos uma rede de proteção real”, afirmou.
Por Agência CNT Transporte Atual



