Fetransul participa da reunião do Conselho do Plano Rio Grande

O diretor Jaime Kras Borges, participou nesta quinta-feira, da última reunião do Conselho do Plano Rio Grande em 2025. Durante o encontro, que aconteceu no Palácio Piratini, foi resumida a estratégia de governança de longo prazo para a reconstrução, resiliência e adaptação climática do Rio Grande do Sul. O balanço prestou conta dos projetos em andamento ou realizados, conforme os eixos de atuação do Plano: Emergencial, Governança, Diagnóstico, Recuperação, Preparação e Resiliência. São mais de R$ 13 bilhões aprovados pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para financiar mais de 180 ações de reconstrução em diversas regiões. O valor total do fundo, que compreende a suspensão em 36 meses da dívida com a União, é R$ 14,5 bilhões. O governador Eduardo Leite destacou que o Rio Grande do Sul segue avançando com ações estruturantes para proteger a população e fortalecer a resposta do Estado aos eventos climáticos. A Fetransul segue atuando de forma ativa e permanente no acompanhamento das ações de reconstrução do Estado. Com informações do Governo Federal Foto Capa: JAMIL AIQUEL/ESPECIAL/JC

No Sul gaúcho, pedágio mais caro das rodovias federais pode cair 85% após nova concessão

Trecho com 457 quilômetros nas BRS-116 e 392 será leiloado em agosto O governo federal está lançando o programa “Concessões Rodoviárias 2026”, que busca delinear um calendário de privatização e relicitação de importantes trechos da malha rodoviária brasileira. Sob a coordenação do Ministério dos Transportes e do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), este ciclo de concessões tem como objetivo principal atrair bilhões de reais em investimentos privados para a modernização, duplicação e manutenção das rodovias federais (BRs) ao longo dos próximos 30 anos. A iniciativa é vista pelo governo como crucial para elevar os padrões de segurança, garantir o escoamento eficiente da produção nacional e melhorar a logística em regiões-chave do país. No Rio Grande do Sul, dois leilões acontecerão em 2026. Um deles é a concessão da chamada Rota Integração do Sul, que abrange trechos das BRs-116/158/392/290. O certame está previsto para dezembro de 2026. O outro leilão é o do trecho chamado de Rota Portuária do Sul, que abrange 457 quilômetros das rodovias BR-116 e BR-392, e está previsto para acontecer em agosto do próximo ano. A Rota Portuária do Sul está atualmente concedida para a empresa Ecovias Sul. O contrato com a concessionária, criticada por cobrar tarifas altas, acaba no dia 4 de março de 2026. No período entre o fim da concessão e o próximo leilão, a rodovia será responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) A Rota Portuária do Sul O trecho em questão possui um papel vital na economia do Estado, funcionando como um eixo principal para o escoamento de mercadorias de áreas de produção para os complexos portuários regionais, especialmente o Porto de Rio Grande. Com a nova concessão, o governo federal busca não apenas injetar um volume significativo de investimentos privados na rodovia para melhorias de segurança e capacidade, mas também estabelecer um novo padrão de eficiência no transporte de cargas, essencial para a competitividade da produção nacional. O aspecto mais aguardado deste projeto, no entanto, é a implantação do novo pedágio, que seguirá o critério de modicidade tarifária adotado pelo governo federal. Uma das principais críticas à antiga gestão da rota era o preço cobrado. Atualmente, o pedágio na rodovia custa R$ 19,60. Segundo este modelo regulatório, o leilão não será vencido pela empresa que oferecer o maior valor, mas sim pela candidata que apresentar a menor tarifa de pedágio para o usuário. Embora a tarifa final exata só seja definida após o certame de concessão, a Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), estima que a redução da tarifa seja de 85%. “O pedágio referência para o leilão será R$ 0,045 por km. Isso equivale a um pagamento de R$ 2,25 por praça no modelo atual. Atualmente custa R$ 19,60. É 85% menor”, explicou Paulo Ziegler, diretor de infraestrutura da Fetransul. A Fetransul sempre foi crítica da gestão da Ecovias Sul e, institucionalmente, considerou as mudanças que serão aplicadas pelo governo no Rio Grande do Sul como “muito positivas”. “São tarifas módicas ajustadas à realidade da economia da região e condizentes com a visão de custo benefício para os usuários. São custos até inferiores que em outros projetos administrados pelo Ministério dos Transportes em outros estados”, afirmou Ziegler EVANDRO OLIVEIRA/JC

Francisco Cardoso destaca estabilidade argentina e oportunidades para o transporte no Congresso Brasileiro de Comércio Exterior

Na manhã desta quarta-feira, o presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, participou como painelista do 1º Congresso Brasileiro de Comércio Exterior, realizado na FIERGS. O evento reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os impactos das mudanças geopolíticas, do avanço tecnológico e das novas exigências ambientais sobre as exportações brasileiras. Com mais de 30 painelistas, a programação foi dividida em dois dias, com o objetivo de orientar empresas diante de um cenário marcado por incertezas, tensões comerciais e pela necessidade de diversificação de mercados. Cardoso integrou o painel “Transformações Econômicas na Argentina: Impactos e Oportunidades para Exportadores”, que contou com a abertura de Giovani Baggio, o qual avaliou as crises recorrentes na Argentina. Baggio destacou que, em 2024, o Brasil exportou R$ 14 bilhões para o país vizinho. A inflação caiu de 292% em janeiro de 2024 para 32% ao ano em setembro de 2025. A produção industrial voltou a crescer e as exportações do Rio Grande do Sul acompanharam esse movimento, registrando um aumento de 48% em 2025. Ele também apresentou uma análise do ambiente econômico argentino, apontando para a estabilidade do dólar, a ausência de atrasos nos pagamentos e a digitalização dos processos aduaneiros. Assim, conclui-se que a Argentina é um destino viável e estratégico para as exportações brasileiras. Cardoso avaliou que a confiança voltou para os exportadores e para a Argentina, o que tem facilitado a reorganização das atividades de comércio exterior. Segundo ele, o fluxo comercial entre Brasil e Argentina aumentou em um ambiente de maior estabilidade, fator essencial para o setor de transporte, que depende diretamente desse equilíbrio econômico.Destacou que os desafios e oportunidades para o transporte não dizem respeito apenas ao cenário argentino, mas também à estabilidade das moedas e ao comportamento da economia brasileira. Cardoso falou também sobre a expectativa de ampliação das exportações argentinas, o que favoreceria os transportadores, especialmente nas cargas de retorno que hoje é um grande desafio. O presidente ressaltou a importância de que os transportadores intensifiquem a certificação OEA, que representa um importante mecanismo de compliance. Segundo ele, essa certificação contribui para que o setor de transporte ganhe mais fluidez, agilidade e confiabilidade perante os órgãos governamentais responsáveis pela fiscalização da atividade.

Painel sobre responsabilidade empresarial além do clima reforça integração entre pessoas e meio ambiente

Debate na Estação do Desenvolvimento aponta que empresas precisam unir descarbonização, combate a violações e inovação responsável Belém (PA) – Na COP30, realizada em Belém, a Estação do Desenvolvimento recebeu, no dia 19, o painel “Responsabilidade empresarial além do clima”, organizado pelo Instituto Ethos. O encontro reuniu organizações da área social, corporativa e acadêmica e evidenciou que a pauta climática vai muito além da redução de emissões. O debate reforçou que as empresas precisam assumir compromissos sociais e ambientais mais amplos, integrando direitos humanos, integridade e sustentabilidade para alcançar resultados efetivos. A moderadora Marcela Greco, gestora de projetos do Instituto Ethos, abriu o debate enfatizando que “não adianta desenvolver uma agenda climática para uma transição verde sem preocupação com os territórios impactados, com os direitos das pessoas e com toda a cadeia das empresas”. Para ela, o papel das companhias também passa por governança responsável e compromisso com as comunidades. Representando o setor de transporte no painel, Jean Michel, gerente executivo de Promoção Social do SEST SENAT, reforçou que uma transição justa precisa ser centrada em pessoas e que a justiça social é condição essencial para um futuro sustentável. Em sua fala, apresentou iniciativas que mostram como o Sistema Transporte pode contribuir para a responsabilidade social e a inclusão. Entre os exemplos, citou o Projeto Proteção, desenvolvido em parceria com a Polícia Rodoviária Federal e a ONG sueca Childhood, voltado ao combate à exploração sexual de crianças e adolescentes em pontos de risco nas rodovias brasileiras. “Hoje temos mapeados 19 mil pontos de alto risco. O setor de transporte, pela sua capilaridade, consegue levar essa mensagem a quase 5 mil municípios”, ressaltou. Jean também mencionou o Projeto Impulsiona, realizado em cooperação com o Conselho Nacional de Justiça, que acolhe jovens em situação de vulnerabilidade e os integra em programas de saúde e capacitação profissional. “Já temos jovens empregados em cursos de mecânica, suprindo a carência de mão de obra no setor. Nosso programa impulsiona esses aprendizes, e o curso de mecânica já está disponível em Brasília”, disse. Outro exemplo citado foi a Rota de Acessibilidade, iniciativa voltada à capacitação em atendimento inclusivo e acessível. “Já formamos 400 pessoas em Libras e ampliamos cursos para atendimento humanizado a pessoas com autismo. No total, foram 12 mil atendimentos a pessoas com TEA”, explicou. Ao concluir, Jean reforçou que “a responsabilidade empresarial vai além da redução de emissões e precisa estar conectada a direitos humanos, inclusão e governança. Não basta apoiar causas, é preciso colocar a mão na massa”. A diretora executiva do Instituto Impacto, Marina Ferro, lembrou que regiões com alto índice de desmatamento ilegal também concentram maior ocorrência de trabalho escravo no Brasil. Ela destacou que os princípios da ONU de 2011 consolidaram o dever das empresas de respeitar e reparar direitos humanos. “Mais de 80% das pessoas resgatadas de trabalho análogo à escravidão se autodeclaram negras, o que evidencia uma violação sistemática e a necessidade de políticas empresariais que enfrentem desigualdades históricas”, afirmou. Na mesma linha de reflexão sobre os impactos sociais da transição, Marina Esteves, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGVCES), reforçou que “a gente não pode garantir que mude uma matriz energética deixando o território e as pessoas de fora desse processo”. Para ela, diagnósticos sólidos são fundamentais para orientar políticas, e iniciativas como o cálculo da pegada de carbono de carros populares e o apoio ao Plano Clima apontam caminhos possíveis. “Não existe solução única. Eletrificação é importante, mas precisa ser combinada com biocombustíveis e estratégias locais”, afirmou. A pesquisadora também abordou o apoio ao Governo Federal na construção do Plano Clima, que, pela primeira vez, estabelecerá limites de emissão específicos para setores como transporte e agropecuária. “Esse projeto é inédito e tem sido muito interessante, porque envolve consultas com setores econômicos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil para garantir que o plano seja representativo e que o Brasil alcance suas metas de descarbonização até 2030 e emissões zero até 2050”, disse. Na parte final do painel, os debatedores reforçaram as expectativas em relação aos resultados da COP. Marina Ferro destacou que, apesar de recente, o tema avança rapidamente e ainda enfrenta desafios de implementação, mas já se consolida em torno da integridade socioambiental. Para ela, o conceito de transição justa deve sair fortalecido do encontro. Lembrou ainda que a dignidade é um princípio constitucional básico, associado ao bem-estar, à liberdade e aos direitos fundamentais. Os painelistas convergiram na visão de que a transição climática e energética só será efetiva se for centrada nas pessoas, conectando responsabilidade social, direitos humanos e governança empresarial. “Clima não é só ciência, é também pessoas, meio ambiente e integridade”, resumiu Marina Esteves. Por Agência CNT Transporte Atual

Sustentabilidade e resiliência guiam discussões sobre o futuro das rodovias

Painel na Estação do Desenvolvimento mostra que inovação em pavimentos reduz desperdícios e fortalece a sustentabilidade do transporte O painel “Tecnologia, Regulação e Sustentabilidade: o caminho para a mitigação de GEE na nova infraestrutura rodoviária brasileira” ganhou destaque na Estação do Desenvolvimento, na Green Zone da COP30, em Belém (PA), na tarde dessa quinta-feira (20). O encontro debateu os impactos econômicos e ambientais dos diferentes tipos de pavimento e mostrou como cada escolha pode influenciar custos, emissões e a eficiência das rodovias. Para aprofundar essa discussão, o Ministério dos Transportes reuniu especialistas de diversas áreas ligadas ao setor rodoviário. O debate contou com representantes do transporte nacional, da indústria de asfaltos, da pesquisa acadêmica e da regulação pública. Essa diversidade de perspectivas permitiu abordar desde os impactos econômicos e ambientais dos pavimentos até a necessidade de políticas públicas consistentes e investimentos em inovação tecnológica, compondo um panorama amplo e estratégico para o futuro das rodovias brasileiras. O professor Deivid Pereira, da Universidade Federal de Santa Maria, apresentou estudo comparando pavimentos de concreto e asfálticos. A análise mostrou que o concreto tende a emitir mais gases de efeito estufa e a ter custo mais elevado, exceto em cenários de tráfego extremamente pesado, enquanto o asfalto se mostrou mais adequado à realidade brasileira, equilibrando custo e impacto ambiental. Ele ressaltou ainda que o desempenho do pavimento influencia diretamente o consumo de combustível e as emissões: “Quem sabe, em breve, possamos mudar a pergunta clássica da engenharia. Em vez de ‘quanto vai custar a obra’, que seja ‘quanto a minha obra vai custar e emitir gases de efeito estufa’. Isso é sustentabilidade”, instigou. Na sequência, Cynthia Ruas Vieira Praia, da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), destacou o papel da Agência na regulação das concessões e apresentou iniciativas de sustentabilidade já em andamento. “Nós incentivamos que as concessionárias invistam em tecnologia e sustentabilidade. Criamos parâmetros e até um ranking para reconhecer as mais engajadas. Isso gera marketing positivo e, em alguns casos, até aumento de receita para quem supera os padrões”, afirmou. Representando o Sistema Transporte, a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, reforçou a importância de políticas públicas consistentes e da diversificação de matrizes energéticas para que o setor seja protagonista na mitigação de gases de efeito estufa. “O setor de transporte não é vilão. Ele é essencial para a economia e para a vida cotidiana. Investir em pavimentos de qualidade significa reduzir custos, diminuir emissões e preparar o Brasil para enfrentar os impactos das mudanças climáticas”, ressaltou. Rodovias precárias pesam no bolso e no clima Fernanda apresentou dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2024, que avaliou mais de 111 mil km da malha pavimentada brasileira e revelou que 67% das rodovias estão em condição regular, ruim ou péssima. Ela destacou que a frota de veículos cresce muito mais rápido do que a expansão da malha, agravando os problemas de infraestrutura diante da limitação de recursos públicos. Segundo a CNT, defeitos no pavimento aumentam em cerca de 32% o custo operacional dos transportadores, elevando gastos com combustível e manutenção. Em 2024, estima-se que foram consumidos 1,2 bilhão de litros de combustível de forma desnecessária, resultando em 3,13 milhões de toneladas de CO2 lançadas na atmosfera e em um prejuízo de R$ 6,81 bilhões para o setor. Ela defendeu a importância das concessões rodoviárias como complemento ao investimento público e ressaltou que 73% das rodovias públicas foram classificadas como regulares ou péssimas, enquanto 63% das concedidas receberam avaliação ótima ou boa. “É mais barato pagar pedágio do que arcar com os custos adicionais de rodovias malconservadas. Precisamos de rodovias resilientes, capazes de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e garantir eficiência ao transporte.” O painel também destacou o conceito de pavimento resiliente, capaz de suportar chuvas intensas, calor extremo e outras intempéries sem comprometer a segurança e a fluidez do transporte. De acordo com os especialistas, essa abordagem amplia o papel da engenharia, que passa a ser não apenas técnica, mas também social e ambiental, convertendo avanços tecnológicos em benefícios diretos para a população. O encontro reforçou que a infraestrutura rodoviária desempenha papel decisivo na transição para um Brasil mais sustentável. Para os painelistas, apostar em tecnologia, regulação e critérios de sustentabilidade não significa apenas reduzir custos, emissões e desperdícios, mas também garantir dignidade, eficiência e segurança a milhões de brasileiros que dependem diariamente das estradas. Os debatedores encerraram o painel com a mensagem de que o futuro das rodovias nacionais vai além da escolha entre asfalto ou concreto; está na capacidade de transformar avanços tecnológicos em soluções que integrem desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental. Por Agência CNT Transporte Atual

Audiência pública debate concessão de rodovias do bloco 1

O Governo do RS realizou nesta terça, 25 de novembro, na prefeitura de Gravataí, uma das quatro audiências públicas de apresentação do projeto de concessão rodoviária do bloco 1. Coube ao secretário Pedro Capellupi explicar o contexto nacional em que se insere esta iniciativa do governo estadual, assim como explanar os investimentos para duplicar 213 quilômetros de estradas e as tarifas base que devem ser aplicadas nos 24 arcos de pedagiamento eletrônico. O evento lotou o auditório da prefeitura. As manifestações oscilaram entre o apoio e críticas. O deputado estadual Miguel Rossetto entende que o projeto não tem sentido logístico, sugerindo que outras alternativas sejam analisadas, entre elas, a aplicação direta dos recursos do FUNRIGS, antes da concessão. O deputado alertou que o pedágio fracionado a cada 20 km traz problemas aos municípios, pois muitos usuários vão procurar desvios por ruas internas das cidades, evitando este custo adicional. Darcy Zottis, diretor da Federasul e líder do movimento que defendeu com êxito o não pedagiamento da RS 118, lembrou que esta rodovia representa apenas 2% dos investimentos a serem feito no bloco 1. Ele sustenta que o projeto pode e deve ser melhorado, salientando ainda, que a RS 118 até poderia ser retirada do bloco, como forma de afastar a discussão sobre vantagens auferidas nesta parte de região metropolitana. Paulo Ziegler, diretor de Infraestrutura da Fetransul, avalia que o projeto tem um conjunto importante de melhorias para as rodovias, porém, tal como nos blocos 2 e 3, esbarra no alto custo do pedágio. Outro aspecto que precisa ser melhor analisado é o fracionamento da cobrança em pequenos trechos, pois está afastando o conceito rodoviário da cobrança de pedágios. A Fetransul, dentro do prazo aberto para as consultas da sociedade, fará documento explicitando suas sugestões para o aperfeiçoamento do projeto.  

Transporte brasileiro apresenta diagnóstico de resiliência climática

CNT destacou impactos dos eventos extremos e apontou caminhos para fortalecer o setor Na segunda semana da COP30, em Belém (PA), o Sistema Transporte marcou presença na Blue Zone com contribuições relevantes em três painéis realizados nos dias 17 e 18 de novembro. Um deles ocorreu no Pavilhão Internacional do Transporte, e os outros dois no Espaço CDRI (Coalition for Disaster Resilient Infrastructure), reunindo representantes do governo, do setor privado e de organizações internacionais em torno da agenda de infraestrutura resiliente. Espaço Transporte na COP30 No painel Infraestrutura Resiliente, realizado no dia 18, a CNT e a CDRI promoveram um debate técnico sobre os desafios climáticos enfrentados pelo setor. O evento foi realizado no Pavilhão Internacional do Transporte. A gerente executiva ambiental da CNT, Erica Marcos, esteve ao lado de Ede Ijjasz-Vásquez, autor do Global Infrastructure Resilience Report 2025, para discutir os impactos dos eventos extremos e os caminhos para fortalecer a resiliência da infraestrutura de transporte. Erica apresentou os resultados da Sondagem CNT sobre Resiliência Climática e revelou um dado alarmante: 77% das empresas afetadas financeiramente utilizam recursos próprios para cobrir danos causados por eventos climáticos extremos no Brasil. A exposição detalhou os impactos operacionais, econômicos e estruturais que afetam diretamente a continuidade das atividades transportadoras, com destaque para atrasos, perdas de ativos e interrupções de operação. Ela enfatizou que os efeitos das mudanças climáticas “não são mais uma previsão futura, mas, sim, uma realidade presente que exige respostas urgentes”. A apresentação também apontou caminhos para ampliar a resiliência do setor. Erica defendeu investimentos em engenharia adaptativa e soluções baseadas na natureza, além da expansão da rede de monitoramento e da capacitação técnica das equipes. Um dos pontos centrais foi a necessidade de desenvolver produtos de seguros compatíveis com riscos climáticos, já que modelos tradicionais não contemplam perdas decorrentes de desastres naturais. Ela ressaltou que se adaptar “é mais barato do que arcar com os prejuízos” e que o Brasil precisa alinhar seus projetos de infraestrutura às exigências dos financiadores internacionais. “É urgente integrar tecnologia, governança e planejamento climático para garantir a continuidade das operações e a segurança logística do setor de transporte em um cenário de intensificação dos eventos extremos”, afirmou. Ede Ijjasz-Vásquez apresentou os achados do relatório lançado pela CDRI. A publicação propõe uma abordagem aberta e integrada para estimar perdas causadas por desastres naturais, baseada em modelos probabilísticos semelhantes aos utilizados por seguradoras. Ele defendeu que o setor de transporte incorpore resiliência desde o planejamento, com manutenção preventiva, contratos transparentes e retrofits bem estruturados. Também destacou a importância da reconstrução rápida e do uso de mecanismos financeiros ágeis, como seguros e fundos catastróficos, para garantir respostas eficientes em situações críticas. “A reconstrução rápida e completa após desastres é essencial para o crescimento econômico. As agências de transporte devem assumir esse papel com protagonismo”, afirmou. A fala foi complementada por Maruxa Cardama, secretária-geral da Slocat Partnership, que reforçou a importância das parcerias público-privadas em pontos logísticos estratégicos, e por Thiago Casagrande, do Ministério dos Transportes, moderador do painel, que destacou alternativas como títulos de catástrofe e a necessidade de renegociar contratos para incluir cláusulas de resiliência. Espaço CDRI: adaptação climática em debate Também no dia 18, o painel “Da Visão à Ação: aproveitando a DRI para estratégias nacionais robustas de adaptação” reuniu especialistas para discutir como integrar a infraestrutura resiliente às estratégias nacionais de adaptação climática. Erica Marcos voltou a apresentar os dados da Sondagem, citando exemplos como enchentes e rios que deixam de ser navegáveis, além de sugerir avanços em conectividade tecnológica e mapeamento de áreas de risco. O encontro contou com as participações de Lincoln Muniz Alves, coordenador-geral do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e de Tomé Barros Monteiro de França, secretário executivo do Ministério de Portos e Aeroportos. A mediação foi conduzida por Cloves Benevides (Ministério dos Transportes), que defendeu o diálogo com operadores privados para viabilizar soluções em parceria com o poder público. Valor da infraestrutura resiliente Na segunda-feira (17), a CDRI promoveu o painel “Além da Redução de Riscos: desbloqueando o valor multidimensional da DRI para o desenvolvimento sustentável” para discutir os benefícios econômicos, sociais e ambientais da infraestrutura resiliente. Erica Marcos destacou os impactos já sentidos pelo transporte brasileiro diante de eventos climáticos extremos e chamou a atenção para a ausência de cobertura securitária adequada: “Se um caminhão for furtado ou sofrer colisão, o seguro o cobrirá. Mas, se o veículo for levado por uma enchente, não há previsão. Esse é um desafio real que precisa ser enfrentado”, afirmou. Ela também mencionou o estudo AdaptaVias, desenvolvido pelo Ministério dos Transportes em parceria com outros ministérios e instituições de pesquisa, que mapeia riscos climáticos sobre rodovias, ferrovias e portos. O painel foi moderado por Kátia Queiroz Fenyves (BID) e contou com a participação de Cloves Benevides (Ministério dos Transportes) e Karen Silverwood-Cope (WRI Brasil). Por Agência CNT Transporte Atual

Suspensão de CNPJ de empresas que vendem carga roubada é aprovada na Câmara dos Deputados

Medida esperada pelo setor de transportes avança no Congresso e atinge diretamente a estrutura empresarial que financia o roubo de cargas A Câmara dos Deputados aprovou na noite dessa terça-feira (18), por meio de um destaque de plenário no Projeto de Lei 5.582/2025 (Combate ao Crime Organizado), uma emenda que permite a suspensão e o cancelamento do CNPJ de empresas envolvidas na venda ou receptação de carga roubada. A medida, articulada e priorizada pela CNT, é considerada um avanço capaz de desestruturar a cadeia criminosa responsável por prejuízos bilionários ao setor de transporte e visa também reforçar a segurança nas estradas do país. A aprovação da emenda estabelece a suspensão do CNPJ como efeito da condenação penal e seu cancelamento em casos de reincidência, atingindo diretamente a estrutura empresarial que financia o crime organizado. A proposta, prioridade na agenda da institucional da CNT desde o primeiro ano do mandato do presidente Vander Costa, foi defendida em plenário pelo deputado Fernando Marangoni (União-SP), autor da proposta, e aprovada por unanimidade, sendo agora enviada para apreciação do Senado Federal. O presidente da CNT, Vander Costa, destacou que a aprovação da proposta representa um avanço no enfrentamento à criminalidade que atinge o transporte de cargas em todo o país. “É uma medida esperada e necessária para fortalecer a atividade e proteger quem trabalha nas estradas, além de reduzir o impacto desse crime no preço final dos produtos para a sociedade”, afirmou. O presidente pontou ainda que ao prever o cancelamento do CNPJ de empresas que se aproveitam do esquema criminoso, o projeto contribui para desestruturar a cadeia de receptação e dar mais segurança jurídica e operacional para o setor. O diretor de relações institucionais da CNT, Valter Souza, celebrou a conquista. “É uma grande conquista para o setor. Há anos defendemos medidas estruturais mais firmes contra o roubo de cargas. A previsão de cancelamento do CNPJ das empresas que atuam deliberadamente para dar sustentação a esse tipo de crime representa uma resposta madura do Estado a uma demanda histórica do setor produtivo. Só há roubo da carga porque existe quem vende esse produto”, declarou. A suspensão do CNPJ é vista como um mecanismo direto para cortar o financiamento das facções criminosas. “O objetivo é neutralizar essa estrutura que financia o crime organizado e as facções, e não apenas penalizar pessoalmente os receptadores”, disse o deputado Marangoni ao defender o destaque no plenário. Marangoni, que atuou como relator do projeto anterior na Comissão de Constituição e Justiça (CCJC), reescreveu a proposta original para incluir a suspensão antes do cancelamento, garantindo que a punição ocorra após o trânsito em julgado e a devida comprovação do crime. O novo texto respeita o direito de ampla defesa das empresas e dá a possibilidade para aquelas que não sabiam sobre a origem da carga buscarem corrigir o erro. Atuação da CNT e tramitação O tema da suspensão do CNPJ tem sido uma pauta prioritária para a CNT. Em 2019, o deputado Diego Andrade (PSD/MG), em diálogo com a Confederação, apresentou o Projeto de Lei 6.260/2019, que aborda o perdimento do CNPJ para empresas que compram e vendem carga roubada. Esse projeto foi apensado ao PL 770/2015, que trata do roubo de cargas. Após um período de tramitação e ajustes regimentais, a emenda foi apresentada em plenário no PL 5.582/2025 (combate ao crime organizado), que estava sendo relatado pelo deputado Guilherme Derrite, por meio de um destaque articulado com o deputado Neto Carletto (Avante-BA). No ano de 2018 um projeto que incluía o tema chegou a ser aprovado e relatado pelo senador Pacheco. Contudo, foi vetado pelo então presidente da República, Jair Bolsonaro, sob a alegação de que a legislação não havia o direito ao contraditório e a ampla defesa. A nova aprovação na Câmara dos Deputados reflete o esforço da CNT para superar os obstáculos e garantir a efetividade da medida, bem como defender os interesses do setor. Impacto econômico e social do roubo de cargas A necessidade da nova legislação é justificada pelo grave cenário de insegurança no transporte de cargas no Brasil. Em 2022, o país registrou 13.089 casos de roubo de cargas, totalizando um prejuízo de cerca de R$ 1,2 bilhão. A região Sudeste concentra a maioria das ocorrências, com 85,18% dos casos. Além do prejuízo financeiro, o crime aumenta o custo final do frete, encarece serviços de gerenciamento de riscos e seguros, e coloca em risco a vida dos trabalhadores do volante. A Confederação defende que a nova lei é fundamental para desestimular a venda e a receptação de produtos roubados, ao prever o cancelamento do CNPJ quando a pessoa jurídica for constituída para permitir, facilitar ou ocultar o crime de receptação. A proposta também irá auxiliar na segurança dos profissionais do volante já que deverá desestimular o roubo de mercadorias evitando assim que os motoristas passem por situações de risco em casos de assaltos a mão armada e com uso de violência. Próximos Passos Com a aprovação na Câmara, o texto que consta a suspensão do CNPJ será agora enviado ao Senado Federal para análise e votação. A CNT continuará o trabalho de diálogo institucional no Senado para garantir a aprovação final da medida e sua posterior sanção presidencial, consolidando a vitória do setor produtivo e de transportes. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados  Por Agência CNT Transporte Atual

Desempenho do setor de transporte segue acima do nível pré-pandemia, apesar do cenário econômico desafiador

Boletim da CNT aponta que, mesmo com juros elevados e inflação persistente, o transporte mantém trajetória de crescimento A nova edição do Boletim de Conjuntura Econômica da CNT mostra que, mesmo diante de um ambiente econômico marcado por juros elevados, inflação persistente e incertezas internacionais, o volume de serviços do setor de transporte tem crescido mais que outros segmentos. Em setembro, o transporte cresceu 1,2%, impulsionado principalmente pelo transporte aéreo, que avançou 3,4% no mês, seguido pelo transporte terrestre, com alta de 1,2%, e pelos serviços auxiliares, que registraram expansão de 0,8%. O segmento do transporte aquaviário foi o único a recuar (–4,9%), embora ainda seja o que mais cresceu desde 2020. O volume de serviços de transporte está 23,9% acima do nível pré-pandemia, desempenho superior à média do setor de serviços. De acordo com a análise, o transporte de cargas ampliou sua trajetória positiva: cresceu 0,7% frente a agosto, acumula alta de 39,7% em relação ao período pré-pandemia e registrou avanço de 3,6% na comparação com setembro de 2024. Já o transporte de passageiros aumentou 0,4% no mês, 7,7% na comparação anual e segue 10,3% acima do patamar pré-crise sanitária. Cenário macroeconômico desafia A CNT observa que esse desempenho ocorre em um momento de política monetária restritiva e elevação de impostos. Na reunião de novembro, o Copom (Comitê de Política Monetária) manteve a Selic em 15,0% ao ano, taxa que vigora desde julho. O Comitê justificou que as expectativas de inflação ainda são elevadas: o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em 12 meses recuou para 4,68%, mas continua acima do teto da meta para 2025, de 4,5%, pelo 13º mês consecutivo. O grupo Transportes do IPCA subiu 0,11% em outubro, influenciado pelos aumentos em passagem aérea, transporte por aplicativo e transporte público. Em 12 meses, a inflação do grupo, de 3,69%, permaneceu abaixo da média geral. Os combustíveis subiram 0,32% no mês e 2,72% em 12 meses, com destaque para as altas do etanol e da gasolina. O óleo diesel caiu 0,46% em outubro. O Boletim destaca ainda fatores que ajudam a explicar o humor recente do mercado financeiro, como a queda do dólar, que registrou média de R$ 5,38 em outubro, e o recorde histórico do Ibovespa, que atingiu 157.749 pontos em novembro. Apesar do recuo de 0,2% do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) em setembro, o nível de atividade permanece 10,5% acima do pré-pandemia. Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, o desempenho do transporte em 2025 mostra a resiliência dos empresários mesmo diante de um ambiente adverso. “Os resultados expressam que o transporte mantém crescimento mesmo diante de um ambiente econômico desafiador. A expansão dos segmentos de cargas e de passageiros demonstra a capacidade do setor de responder rapidamente às demandas da economia e de acompanhar – e muitas vezes antecipar – seus movimentos. Essa trajetória reforça sua importância estratégica para o desenvolvimento do país”, afirmou. Ela destaca que a continuidade dessa trajetória dependerá da evolução das condições macroeconômicas, do ambiente regulatório e da capacidade de investimento no setor. Acesse o Boletim de Conjuntura Econômica. Por Agência CNT Transporte Atual

Com estande na Blue Zone, Sistema Transporte fortalece presença nas negociações climáticas globais

Espaço inédito na Zona Azul demonstra força do setor como como protagonista dos debates sobre infraestrutura resiliente e metas ambientais O Sistema Transporte vive um momento histórico na COP30 ao ter, pela primeira vez, um espaço próprio na Blue Zone – ambiente reservado às negociações oficiais e percorrido pelas delegações internacionais de alto nível. Intitulado “Pavilhão Internacional do Transporte”, o espaço marca uma inserção inédita que posiciona o setor de forma estratégica, ampliando sua participação nos debates globais sobre transição energética, adaptação climática e cumprimento das metas ambientais. A iniciativa é fruto da parceria entre o Sistema Transporte e a SLOCAT Partnership, rede internacional que reúne governos, organizações e empresas comprometidas com a promoção de uma mobilidade sustentável, inclusiva e de baixo carbono. Essa união entre setores público e privado coloca o transporte no centro das discussões climáticas e potencializa a relevância da agenda brasileira no cenário internacional. Nos últimos anos, a participação brasileira já vinha se consolidando nas COPs, com contribuições relevantes em painéis em Sharm El-Sheikh (Egito), Dubai (Emirados Árabes) e Baku (Azerbaijão). A chegada agora à Blue Zone, conhecida por sua limitação de acesso, representa um reconhecimento significativo e insere o transporte de forma decisiva nas discussões mais estratégicas da agenda climática mundial. Experiencia e ativações Uma ativação dedicada aos biocombustíveis, chamada Laboratório de Fontes Alternativas para o Setor de Transporte, foi planejada para oferecer uma experiência interativa aos participantes e visitantes, ilustrando soluções energéticas para a descarbonização da mobilidade. O espaço conta com uma tela interativa e cinco tubos iluminados que representam diferentes fontes alternativas de energia:  biometano, eletromobilidade, hidrogênio renovável, diesel verde e SAF (combustível sustentável de aviação). Há também totens no espaço que trazem dados técnicos e curiosidades da Série CNT Energia no Transporte, permitindo ao público compreender os impactos ambientais e operacionais de cada fonte. O visitante ainda pode vestir um jaleco com a marca do Sistema Transporte e registrar sua participação nas redes sociais. Destaques da programação Entre os destaques da segunda semana de atividades da COP30, estão o painel da ATP, sobre O papel dos Terminais na Transição Energética e a financiabilidade dos projetos sustentáveis a sessão Conexões COP30 – Infraestrutura resiliente, com participação da gerente Erica Marcos; e o painel da Abac sobre A Contribuição do Transporte Marítimo Doméstico para as Metas Ambientais Brasileiras. Também integra a agenda o encontro Conexões COP30 – Setor privado do Brasil na Agenda Global, com participação de Vinícius Ladeira. Também está na programação de hoje o painel CDRI/Ministério dos Transportes – Do Global ao Local: Destacando Estratégias Regionais de DRI para Resiliência, com Vinícius Ladeira; e o painel do WRI – Rumo à NDC 2035: estratégias para a descarbonização dos setores de alta emissão. Vale lembrar que o Sistema Transporte também possui extensa programação na Green Zone, onde marca presença com estande “Estação do Desenvolvimento”. O setor transportador brasileiro segue representado nas duas áreas oficiais da ONU na COP30, na defesa de uma transição justa, limpa e economicamente viável. O “Pavilhão Internacional do Transporte”,  na Blue Zone, tem o apoio da SLOCAT Partnership, MoveInfra, ABAC, ATP, Eletra, Gol, ClickBus, Climate Compatible Growth, UKAID, Alstom, FIA Foundation, Climate Center, Mitigation Action Facility e International Union of Railways. Por Agência CNT Transporte Atual