Evento reuniu representantes do poder público e da iniciativa privada em um dos principais fóruns de discussão do setor portuário
O diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, destacou a urgência de um plano nacional de logística de longo prazo que garanta a continuidade dos investimentos em infraestrutura e promova o equilíbrio entre os modais de transporte. A fala foi proferida durante o 12º Encontro ATP (Associação de Terminais Portuários Privados), realizado nessa quinta-feira (23), em Brasília.
Em sua fala, Valter Souza ressaltou que a logística brasileira precisa deixar de ser tratada como política de governo e passar a ser encarada como política de Estado, com metas e compromissos de longo prazo que ultrapassem gestões e assegurem a continuidade dos projetos de infraestrutura.
“A nossa logística está precisando de investimentos concretos em infraestrutura. Temos que fazer um pacto de garantia entre os setores público e privado, para que os projetos desenhados atualmente pelo governo sejam, de fato, implantados. Logística não é projeto de governo, mas, sim, de Estado”, defendeu.
Atualmente, a maior parte das cargas no Brasil ainda segue por rodovias, o que, segundo Valter Souza, evidencia o desequilíbrio entre os modais e encarece a logística nacional. Ele lembrou que, enquanto, nos Estados Unidos, a soja percorre em média 80 km por rodovia até os portos, no Brasil o trajeto chega a 720 km, tornando o transporte cerca de 30% mais caro do que quando ocorre pelas ferrovias ou hidrovias.
O diretor da CNT defendeu ainda a construção de um “pacto pela infraestrutura”, liderado por setores produtivos, como o transporte, a agricultura e a indústria. “Esses setores devem se unir a nós, da infraestrutura e do transporte, para ter um plano que assegure investimento contínuo. Se isso não acontecer, daqui a dez anos, poderemos estar aqui, novamente, com os mesmos gargalos”, observou.
Para Valter Souza, a inovação tecnológica e a integração entre modais são caminhos essenciais para transformar o sistema logístico brasileiro em um vetor de desenvolvimento sustentável. A CNT, segundo ele, continuará trabalhando para inserir o tema na agenda pública e contribuir com propostas que consolidem uma política nacional de infraestrutura logística duradoura e estável.
O evento, consolidado como um dos principais fóruns de discussão do setor portuário, reuniu autoridades e representantes do poder público e da iniciativa privada sob o tema “A inovação como indutora do desenvolvimento portuário”, enfatizando o papel da modernização e da transformação tecnológica no crescimento do setor.
O diretor-presidente da ATP, almirante Murillo Barbosa, destacou, na abertura do evento, que os 12 anos de atuação da Associação foram marcados por diálogo, transparência e sustentabilidade, valores que consolidaram a Entidade como referência no setor portuário. Segundo ele, o tema escolhido para essa edição complementa essa trajetória.
“Vivemos um tempo em que a inovação deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade. Desde os novos modelos de gestão até o uso de inteligência artificial, tudo está transformando a forma como operamos e gerimos os portos. Precisamos usar essa força para tornar a ATP ainda mais relevante e protagonista no desenvolvimento do setor”, afirmou.
O diretor da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), Alber Vasconcellos, também ressaltou o papel da inovação como força motriz do desenvolvimento portuário. Segundo ele, inovar significa buscar novas ideias para resolver problemas já conhecidos, aprimorar processos e aproveitar melhor as ferramentas regulatórias existentes. Ele citou como exemplo o programa Navegue Simples, lançado pelo governo federal para simplificar e modernizar procedimentos no setor.
“Quando falamos em inovação, estamos nos referindo a encontrar novas soluções para desafios antigos. Antes de pensar em novas leis, é importante avaliar como aprimorar as regulamentações que já temos e o que ainda precisamos colocar em prática”, observou. Alber Vasconcellos reforçou, ainda, a importância de alinhar a infraestrutura portuária com os demais modais de transporte, especialmente ferrovias e hidrovias.
Também participaram do painel de abertura a secretária executiva adjunta do MPor (Ministério de Portos e Aeroportos), Thairyne Oliveira; a diretora da SNP (Secretaria Nacional de Portos), Rebecca Silva; o subchefe de Assuntos Marítimos do Estado-Maior da Armada da Marinha do Brasil, almirante Marcos Alves da Silva; e o secretário especial do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) da Casa Civil da Presidência da República, Marcus Cavalcanti.
O grupo reforçou, em diferentes perspectivas, a importância da integração entre governo, setor produtivo e Forças Armadas na construção de uma agenda de inovação e investimento sustentável para o sistema portuário brasileiro.
Por Agência CNT Transporte Atual



