Transição energética deve ser justa, inclusiva e íntegra, destaca especialista durante workshop promovido pelo ITL em parceria com o Ibmec

Lúcia Helena Carvalho detalhou sobre descarbonização e novos mercados para ampliar a competitividade do setor. Próximo workshop debate IA integrada à logística

A transição energética deve ir além da simples mudança de matriz; precisa ser justa, inclusiva e íntegra. Essa foi a mensagem central do workshop “Mobilidade em Transição Rumo à Descarbonização: biocombustíveis, eletrificação e o futuro dos transportes e da logística no Brasil”, ministrado pela sócia-diretora da ViaH Consultoria e professora do MBA em ESG do Ibmec, Lúcia Helena Carvalho, e promovido pelo ITL (Instituto de Transporte e Logística) nessa quarta-feira (24).

Para Carvalho, a transição energética só será, de fato, efetiva se gerar benefícios para toda a sociedade, especialmente para aqueles que historicamente têm menos acesso a serviços básicos. Ela ressaltou que o setor de transporte é um elo estratégico nesse processo por ser capaz de conectar pessoas, bens e serviços e de levar soluções sustentáveis também a regiões mais vulneráveis. “A energia limpa, seja proveniente da eólica, da solar ou de qualquer outro mecanismo renovável, precisa chegar às populações mais vulneráveis para que a transição seja completa e inclusiva”, destacou.

Segundo a especialista, o modal rodoviário responde por cerca de 65% a 70% da movimentação de cargas no país, o que representa um grande desafio, mas também uma oportunidade para investir em inovação e liderança empresarial. Com uma matriz energética já altamente renovável, o Brasil pode assumir a dianteira global em biocombustíveis avançados, hidrogênio verde, biometano e tecnologias de captura de carbono, abrindo espaço para novas cadeias de valor, parcerias público-privadas e geração de empregos qualificados.

Outro ponto central da palestra foi a necessidade de fortalecer o arcabouço legal da transição energética. Lúcia Carvalho ressaltou que o alinhamento entre governos, órgãos ambientais, setor produtivo e instituições financeiras será decisivo para dar segurança aos investimentos. “Não há transição energética sem ética e sem governança. A integridade do processo é fundamental”, reforçou.

A especialista destacou ainda que a transição energética abre espaço para uma série de tendências tecnológicas e de mercado que já começam a se consolidar. Entre elas, citou a eletrificação de frotas urbanas, já em andamento em cidades como São José dos Campos (SP); a criação de corredores verdes, que podem estimular cadeias logísticas mais limpas; e o avanço de soluções como o hidrogênio verde e o biometano, que despontam como alternativas para o transporte pesado.

O papel das baterias e do armazenamento de energia também foi mencionado pela palestrante, essenciais para proporcionar segurança ao sistema, além do desafio da reciclagem, que ainda enfrenta baixos índices no Brasil. No agronegócio, apontou exemplos de circularidade, como o aproveitamento do bagaço e de óleos vegetais para a produção de combustíveis, em integração com a cadeia alimentar. Segundo ela, essas inovações exigem investimentos, mas representam uma oportunidade concreta para que os empresários do transporte ampliem sua competitividade e assumam a liderança em soluções sustentáveis.

Próximo workshop

O ciclo de debates do ITL terá continuidade na próxima terça-feira (30), com a temática “IA Integrada em Logística e Mobilidade: eficiência, segurança, sustentabilidade e compliance”. A apresentação será feita por Alysson Ribeiro das Neves, engenheiro com 28 anos de atuação em inovação e inteligência artificial, especialista em Data Science e Machine Learning com MBA em Gerenciamento de Projetos, pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Clique aqui para se inscrever e participar.

Para solicitar o cupom de desconto, profissionais do setor devem enviar email para inteligencia@itl.org.br.

Por Agência CNT Transporte Atual

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