Com participação do presidente Vander Costa, painel reúne autoridades e especialistas para discutir soluções sustentáveis para o setor de infraestrutura
Defensor da ampliação de modais mais limpos, como o aquaviário, e da meta de carbono neutro, o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, destacou a importância de tornar o licenciamento ambiental mais eficiente. As declarações foram feitas nessa terça-feira (8), durante o CNN Talks COP30, no painel “Brasil: Infraestrutura em Risco – Resiliência ou Colapso?”. O evento reuniu autoridades e especialistas em Brasília, para debater os desafios climáticos e a sustentabilidade no setor de infraestrutura.
Em sua fala, Vander defendeu a ampliação da participação de modais mais limpos na matriz de transporte. Segundo ele, é necessário buscar o equilíbrio com modais de maior emissão, como o rodoviário, por meio da valorização de alternativas sustentáveis, como o transporte aquaviário. “Para isso, é fundamental fortalecer a atuação das agências reguladoras, garantindo sua independência financeira e técnica. Só assim construiremos um setor verdadeiramente comprometido com o desenvolvimento sustentável”, disse Vander Costa.
O presidente ressaltou ainda a importância de ações preventivas no setor. “Prevenir é mais barato do que consertar. Os contratos de concessão têm se mostrado instrumentos eficazes nesse contexto ao incorporarem cláusulas sobre riscos geológicos. Essa abordagem estimula as empresas a atuarem antecipadamente, contribuindo para a preservação da infraestrutura e evitando interrupções operacionais. Pensar no que pode ser feito antes de o problema acontecer é essencial para proteger vidas e recursos”, disse.
Vander Costa também reforçou o papel estratégico do setor de transporte na agenda climática e na adoção de práticas mais limpas. “O Congresso Nacional discute uma proposta voltada ao licenciamento ambiental, e é fundamental que esse mecanismo regulatório seja fortalecido. Mas é preciso que haja previsibilidade. A CNT apoia a meta de carbono neutro e defende que toda atividade econômica seja acompanhada de compensações ambientais adequadas”, declarou.
O painel contou com a participação de Guilherme Sampaio, diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres); Flávia Takafashi, diretora da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários); e Miguel Setas, CEO da Motiva. A discussão girou em torno da capacidade do Brasil de adaptar sua infraestrutura aos riscos climáticos, com foco em resiliência, regulação e financiamento sustentável.
O diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, defendeu o uso de parte da receita bruta em ações preventivas, mencionando concessões e debêntures verdes como instrumentos eficazes, a exemplo da concessão RioSP. Miguel Setas, CEO da Motiva, alertou para o avanço dos desastres naturais em 2024 e reforçou a importância do avanço na prevenção e na descarbonização, especialmente pela eletrificação das frotas, medidas essenciais para mitigar os impactos das mudanças climáticas.
A diretora da Antaq, Flávia Takafashi, destacou a importância da elaboração de estudos que tratam da adaptação climática e de alterações na regulação para provocar mudanças no setor. Ela ilustrou que, enquanto terminais privados adotam ações de resiliência com mais frequência, os portos públicos ainda enfrentam dificuldades para se adaptarem à realidade climática e às metas de descarbonização. “Os portos são a fronteira para o processo de descarbonização”, disse, mencionando que os riscos climáticos são reais e exigem atuação coordenada entre a gestão pública e operadores privados.
O CNN Talks COP30 é uma iniciativa da CNN Brasil em parceria com a Agência iNFRA e faz parte da cobertura especial rumo à COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que será realizada em novembro, em Belém (PA). O evento busca promover um espaço de diálogo multissetorial sobre os impactos das transformações climáticas e os caminhos para o desenvolvimento sustentável no país.
Por Agência CNT Transporte Atual



