Evento reúne autoridades e especialistas em Brasília, para discutir resiliência da infraestrutura de transporte na América Latina
Teve início, nesta terça-feira (27), o Workshop Regional da América Latina: construindo a resiliência da infraestrutura de transporte, evento que reúne autoridades, especialistas e representantes de instituições nacionais e internacionais para debater os impactos das mudanças climáticas sobre o setor e as estratégias para torná-lo mais resiliente. A programação ocorre até amanhã (28), no auditório da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), em Brasília.
O objetivo é discutir soluções específicas para fortalecer a resiliência climática de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos diante dos crescentes riscos de desastres naturais. O workshop é promovido pela ANTT, pelo Ministério dos Transportes e pela CDRI (Coalizão para Infraestrutura Resiliente a Desastres), parceira da ONU (Organização das Nações Unidas).
O diretor adjunto nacional do SEST SENAT e líder do projeto Transporte na COP30, Vinicius Ladeira, representou o Sistema Transporte na abertura do workshop e destacou a urgência do tema no cenário atual. A sessão também contou com a presença do diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio; do subsecretário de Sustentabilidade, do Ministério dos Transportes, Cloves Benevides; da coordenadora-geral de Sustentabilidade, do Ministério de Portos e Aeroportos, Rafaela Gomes; e de lideranças internacionais como o embaixador da Índia no Brasil, Sandeep Kumar Kujur, e a diretora da CDRI, Ranjini Mukherjee.
“Estamos em um ano decisivo para a agenda climática global, com a realização da COP30 no Brasil. Em um país de dimensões continentais como o nosso, a infraestrutura de transporte é essencial para o desenvolvimento econômico, mas também é altamente exposta aos efeitos das mudanças climáticas”, destacou Vinicius Ladeira.
Ele citou exemplos recentes que evidenciam essa vulnerabilidade: a seca histórica na região Norte, que reduziu drasticamente o nível do rio Amazonas, comprometendo a navegação; e as fortes chuvas no Rio Grande do Sul, que deixaram o Aeroporto Salgado Filho inoperante por mais de cinco meses e isolaram cidades após o colapso de rodovias.
Desafios
O diretor-geral da ANTT reforçou que buscar soluções resilientes é uma urgência do presente, e não um desafio futuro. Segundo ele, o evento oferece não apenas soluções técnicas, mas também um olhar global sobre sustentabilidade, segurança e desenvolvimento.
“A importância deste encontro reveste-se de um olhar de política de Estado, mais do que de governo. No ano da COP30, trazer para a mesa esse alinhamento entre os formuladores de políticas públicas, os reguladores e todo o ecossistema internacional é fundamental. Não é mais sobre discutir um problema que está por vir. É sobre enfrentar os desafios que já estão presentes, que já impactam nossa infraestrutura e nossa sociedade. Mais do que uma discussão teórica, este evento tem como meta sair com encaminhamentos concretos que façam a diferença para o Brasil e para a sociedade”, afirmou.
Theo também mencionou que a ANTT já vem solicitando às concessionárias estudos para reforçar a resiliência dos trechos concedidos a eventos climáticos extremos, além de levantamentos técnicos sobre áreas vulneráveis em diferentes regiões do país. Os contratos mais recentes de concessão já preveem, nos Programas de Exploração da Rodovia (PER), obrigações relacionadas ao desempenho socioambiental.
Transporte mobilizado
Vinicius Ladeira ressaltou a atuação propositiva do Sistema Transporte na formulação de políticas públicas e no compromisso com a sustentabilidade. Ele destacou a entrega, neste mês, das propostas da Coalizão pela Descarbonização do Setor de Transporte, que reúne mais de 50 entidades e propõe 90 ações para reduzir em até 70% as emissões do setor até 2050.
“O transporte reconhece sua responsabilidade no enfrentamento das mudanças climáticas e está comprometido com uma transformação profunda e integrada”, reforçou.
Como parte desse compromisso, Ladeira apresentou o projeto Estação do Desenvolvimento, espaço estratégico que será montado em Belém, durante a COP30, com o objetivo de impulsionar o debate sobre o futuro sustentável do transporte. A iniciativa já conta com a coorganização dos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos, além do apoio institucional do Pacto Global da ONU e de outras entidades.
“Convido todos a conhecerem esse projeto e a se engajarem nessa construção coletiva por um setor mais preparado e alinhado à agenda climática”, finalizou. O subsecretário de Sustentabilidade, do Ministério dos Transportes, Cloves Benevides, fez uma reflexão contundente sobre a necessidade de transformar discurso em prática:
“O que estamos discutindo aqui não é retórica, é realidade. O episódio das enchentes no Rio Grande do Sul nos traz uma pergunta urgente: será que aprendemos a lição? Planejar uma infraestrutura resiliente significa precificar riscos, antecipar problemas, proteger vidas e garantir que a economia não pare”.
A coordenadora-geral de Sustentabilidade, do Ministério de Portos e Aeroportos, Rafaela Gomes, também reforçou a urgência da pauta climática no setor:
“Eventos como este são essenciais para trocar experiências e compartilhar boas práticas. As mudanças climáticas já estão em curso e impõem desafios enormes, como chuvas extremas, secas prolongadas e aumento do nível do mar, que afetam diretamente a operação e a segurança das nossas infraestruturas. Estamos atuando para que a resiliência seja incorporada às políticas públicas de transporte, fortalecendo o setor diante desses riscos”.
Também representaram a CNT (Confederação Nacional do Transporte) no workshop: o gerente de Governança e Gestão Estratégica, João Guilherme Abrahão; a gerente de Relações com o Poder Executivo, Danielle Bernardes; o assessor internacional, Thiago Ticchetti; e a assessora executiva, Maria Carolina Noronha.
Por Agência CNT Transporte Atual



