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FETRANSUL em Notícia . Abril de 2007 . nº 78

Fórum Empresarial em Caxias do Sul

A FETRANSUL realizou nos dias 27 e 28 de março, no SEST/SENAT de Caxias do Sul, o Iº Fórum Empresarial de Transporte e Logística do RS. O evento foi concebido para empresários do setor, trazendo palestrantes que abordaram temas estratégicos para as empresas.

Direito Trabalhista: O preposto e os acordos coletivos

O primeiro painel do Fórum foi apresentado pelo juiz João Pedro Silvestrin, do 4º TRT, e pelo ministro Gelson Azevedo, do TST. Silvestrin discorreu sobre como os juízes analisam a atuação do preposto, ressaltando que ele é o efetivo representante do empregador, assim como destacou que a atuação de advogados de defesa e acusação habitualmente tem visões distintas do processo trabalhista, sobretudo quanto à concepção de alongá-lo ou resolvê-lo. Já Gelson Azevedo ofereceu uma visão histórica da inspiração ideológica fascista das leis trabalhistas, como fator moderador das relações “capital X trabalho”, que limitam os litígios à condição individual do trabalhador. O ministro assinalou o valor de lei dos acordos trabalhistas e discorreu sobre suas possibilidades de flexibilização da CLT, dentro de uma visão patrimonialista. Tanto Azevedo quanto Silvestrin foram enfáticos ao afirmar que a realização de acordos em audiências de primeira instância é a melhor estratégia para os empregadores.

Sucessão na Empresa Familiar
O consultor Renato Bernhöft versou sobre a conveniência de uma ação inclusiva da família no controle das empresas. Segundo ele, 65% das empresas fecham por conflitos familiares. “Sociedade envolve dinheiro e poder, demandando confiança: este tema deve ser tratado pelo
fundador, em vida” completou ele. Bernhöft, dentro de uma interpretação social, disse que as empresas existem para o mercado, e que a presença da segunda geração nas mesmas é um processamento de sociedades. O consultor recomenda que as famílias formulem um acordo societário, que mesmo sem valor legal, estabeleça critérios de ingresso na empresa.

O painel sobre pedágios reuniu o exministro dos Transportes, Cloraldino Severo e o prefeito de Farroupilha (que já foi transportador), Bolívar Pasqual. Severo qualificou as concessões de rodoviasdo RS como uma venda de ilusões, em que a sociedade gaúcha tem feito o pagamento antecipado e não recebe o serviço previsto. O ex-ministro denunciou a
incapacidade do estado em controlar estas concessões, assim como a intenção de perpetuação das concessionárias. Cloraldino Severo apresentou os inúmeros erros econômicos e políticos que envolveram o Plano Estadual de Concessões Rodoviárias, interpretando que as ameaças de “apagão logístico” são frases de efeito para induzir a
opinião pública a aceitar a prorrogação dos contratos, atual intenção das concessionárias.

Pedágios e o custo do transporte

Já o prefeito de Farroupilha demonstrou sua indignação frente aos múltiplos empecilhos que a concessionária de
pedágios, Univias, causou à construção da via alternativa feita por seu município. Pasqual não compreende como a justiça deu ganho de causa a Univias, cuja praça de pedágio é contratualmente ilegal. Segundo ele, as concessionárias não prestam conta do que fazem, enquanto as prefeituras devem prestar conta de tudo que fazem, num descompasso de formalidades. Ao final do painel o presidente do SETCERGS, Sérgio Neto, indignado, disse que os transportadores não podem ser tratados como idiotas, diante de um tema como este. O presidente da FETRANSAUL, Paulo Caleffi, leu um manifesto contra a intenção de prorrogação dos contratos de pedágios, anunciando que o mesmo seria veiculado na imprensa gaúcha ao final do Fórum (veja íntegra do texto nesta edição).

O Brasil e a economia mundial
O economista Antônio Carlos Fraquelli, da Fundação de Economia e Estatística, tratou das tendências econômicas, a partir de uma reflexão histórica do século XX. Segundo ele as guerras ainda são uma ameaça à ordem mundial, e os EUA há tempo assumiram o papel de xerifes globais. Ele estima que a economia mundial vai crescer 4,9% em média, em 2007, enquanto o Brasil, que vem crescendo sempre abaixo da média mundial, deverá atingir até 4% neste ano. Fraquelli é otimista em relação a 2007, pois o Brasil tem preservado a agenda econômica e tem 100 bilhões de dólares de reservas. O economista antevê que o futuro próximo será a era da bio-economia, apontando o ano de 2012 como referência desta tendência.

Reorganização Societária
Focado na proposta do Fórum, de instrumentalizar os empresários na condução de seus empreendimentos, o advogado Norberto Bonavitta abordou aspectos que podem ameaçar o patrimônio e mesmo a existência de uma empresa, frente às exigências tributárias e demais circunstâncias que envolvem o processo empresarial. O consultor mostrou a extensão das responsabilidades dos sócios frente aos diversos ramos do direito. Apresentou os tipos de sociedade empresarial e como eles afetam estas responsabilidades pessoais. Bonavitta atentou para o fato de que a preservação patrimonial da empresa e das pessoas deve ser analisada em função de cada risco e dos pensamentos de médio e longo prazo. Segundo o advogado, a busca da perpetuidade da empresaé a principal razão para se pensar na reorganização societária, sendo uma medida que também contribui para evitar
tensões sucessórias e trazer eficiência tributária. O empresário Irani Bertolini, diretor-presidente da Transportes Bertolini, deu seu depoimento sobre este tipo de providência, assegurando a conveniência de ações neste campo, como forma deprojetar o futuro da empresa.
Riscos contratuais da terceirização
O segmento de transporte e logística tem muitas atividades terceirizadas, fato que sempre traz à tona os aspectos legais deste tipo de contratação, sobretudo quanto à caracterização de vínculos trabalhistas. O presidente da FETRANSUL, Paulo Caleffi, coordenou o painel do qual
participaram os advogados Marcelo Schröder, André Stafa e Norberto Bonavitta. A nova lei n° 11.442 que regulamentou
a atividade de transporte rodoviário de cargas, oportuniza múltiplas interpretações sobre o tema da terceirização. Na
opinião de Marcelo Schröder há risco de configuração de vínculo na contratação de transportadores autônomos, sobretudo se não forem bem definidas as cláusulas de contratação. Em geral os advogados
têm dúvidas de como se comportarão os tribunais de trabalho frente à nova lei, havendo consenso dos painelistas de que a empresa de transporte de carga não está devidamente amparada pela nova legislação.

De transportador a operador logístico
O consultor Marco Antônio Oliveira
Neves, da Tigerlog, mostrou que os tempos são de transformações que desafiam as empresas do setor; “concorrência predatória, carga tributária, tarifas muito baixas, custos de gerenciamento de risco são fatores que ameaçam à sobrevivência das empresas” descreveu Neves, assinalando que nos EUA as empresas do setor também reclamam da baixa lucratividade e da elevada exigência por preço por parte dos contratantes de
logística. Para ele, a saída é buscar a especialização e contratos de longo prazo.

O consultor também se serviu do exemplo de empresas como a UPS, Fedex e DHL, que oferecem amplo menu de serviços.“Tornar-se operador logístico é uma questão de ampliar os vínculos com o mercado”, resumiu ele. Coube ao empresário Sérgio Fleck, da Ouro e Prata, o relato de como a empresa da qual é um dos diretores, migrou da condição de transportador, para provedor logístico, apresentando uma série de indicadores que mudaram a partir da nova atividade.


Elisão fiscal
O advogado tributarista Milton Fagundes abordou o último tema do Fórum. O planejamento tributário é uma forma legal das empresas diminuírem seus gastos com impostos. Segundo o advogado, o uso de sociedade de cotas de participação (SCP), embasado no Código Civil Brasileiro, possibilita às empresas fazerem melhores opções por regimes tributários. O Iº Fórum Empresarial de Transporte e Logística do RS teve o patrocínio da Apisul, da Autotrac, Randon e CNT. Os apoiadores também apresentaram painéis comerciais durante o evento, descrevendo
produtos, serviços e tecnologias que disponibilizam ao setor. Na noite do dia 27 de março, como parte da programação do evento, houve um jantar solene no Hotel Mabu, quando foi instituída a Ordem do Transportador Emérito do RS. (veja matéria em destaque).

 

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