Empresas e autônomos mobilizam Frente contra o modelo de pedágios no RS
A discussão sobre a possibilidade de alterações nos contratos das concessões dos pólos rodoviário do Rio Grande do Sul, com ameaça de um aumento maior para as tarifas pagas pelos caminhões, está mobilizando empresários e autônomos do transporte rodoviário de cargas. No dia 5 de setembro, o setor esteve em peso na reunião da Comissão Especial das Rodovias Concedidas da Assembléia Legislativa. Representantes dos sindicatos patronais de diversas regiões do Estado – Sérgio Neto e João Jorge Couto da Silva (SETCERGS), Paulo Guerra (SINDIBENTO), Paulo Rogério Brondani (SINDISAMA), Edison Garcia (SETCESUL) e os porta-vozes dos autônomos, Eder Dal´Lago e André Costa (FECAM) e Mariano Costa (FECAVERGS) - foram levar a inconformidade do setor com o modelo de concessões de rodovias vigente.
Em nome dos manifestantes o presidente do SETCERGS, Sérgio Neto, enfatizou que “não são contra o pedágio, mas contestam o valor elevado das tarifas”. Ele refutou as acusações de que os caminhões são os responsáveis pelos estragos das rodovias. “O que falta é a comprovação desta tese, através do exercício da pesagem tanto solicitada pelos transportadores gaúchos. A partir disso, poderíamos obter uma radiografia do problema do excesso de peso nas estradas. O estrago causado é exatamente o inverso desta afirmativa” rebateu o líder setorial. Segundo ele, se houvessem estradas em boas condições de tráfego, certamente resultaria em menor custo do frete e uma redução no número de vítimas nas estradas.”Temos peso em excesso ou estradas mal construídas?”, comentou o dirigente sindical.
Os transportadores estão preocupados pois nessa discussão só se fala em prorrogação de prazos e não em redução de tarifas. “Somos favoráveis à revisão, mas não podemos pagar a conta. A sociedade não pode esquecer que com elevação do custo do pedágio, sobem os fretes, aumenta o valor dos produtos e, por conseqüência, afeta o bolso do consumidor”, complementou Sérgio Neto.
Apedido
Na condição de usuários intensivos destas rodovias concedidas, essas entidades citadas, incluindo o SIVECARGA, foram signatárias de um apedido publicado no dia 23 de setembro no jornal Zero Hora, em que posiciona o setor frente à questão dos pedágios no RS, em fase de revisão contratual, na Assembléia Legislativa.
Intitulada “Chega de pedágios caros - Não à prorrogação das concessões” essa nota, publicada na página 33 de um dos principais jornais do Brasil, avisa que “está chegando a hora do setor verificar o verdadeiro comprometimento do Poder Executivo e do Poder Legislativo com os interesses da sociedade gaúcha”.
Adverte ainda que “as concessionárias dos pólos rodoviários do RS, representadas pela AGCR, tentam uma vez mais ampliar seus feudos de exploração econômica das estradas concedidas. Para tanto contam com a benevolência da AGERGS, a agência reguladora de concessões do Estado, que em todas as situações mostra-se contra o interesse público, ao enviar estudos e sugestões ao Executivo que em nada contemplam o fim da ganância dos concessionários”.
Cobra o fato do Governador Rigotto ter assegurado à opinião pública de que não assinará a pretendida prorrogação das concessões por mais dez anos, mas ressalta que há comissão da Assembléia Legislativa, com a explícita adesão do deputado Marcos Peixoto, que ameaça encaminhar projeto neste sentido, com mais alguns benefícios contrários a vontade pública.
“As concessionárias desfrutam de contratos altamente vantajosos, e tergiversam sobre seus lucros e os benefícios que oferecem. Podem não ser vilãs, nem velhacas, mas são fruto da ganância desmedida de privatizações mal concebidas” diz o documento.
As empresas de transporte de carga, os transportadores autônomos, e os profissionais taxistas do Rio Grande do Sul clamam que as autoridades digam:
- Não à prorrogação dos contratos por mais dez anos
- Não ao aumento da proporção de preços por eixo, para caminhões
- Não à simples elevação das tarifas
- Não à cobrança de eixo suspenso para os caminhões
O Apedido finaliza com uma lembrança à classe política: “Um governador perdeu as eleições devido aos pedágios e sua elevada rejeição junto à sociedade. Avaliem bem qual é o verdadeiro interesse público neste caso. A sociedade já paga muitos impostos, inclusive para manter as rodovias, tanto federais como estaduais. A sociedade não tem como se livrar destes contratos draconianos, referendados por outro Governo e por outra Assembléia, há oito anos atrás. Mas também não tem porque referendar este erro”. |