Diante de guerra pelo petróleo, Petrobras reduz preços de combustíveis

março 13, 2020 0 Por Site Fetransul

A mudança ocorre em meio a disputa promovida por Arábia Saudita e Rússia; é a sétima vez que a empresa promove reajuste na gasolina e no diesel este ano

Por Felipe Mendes 

Na esteira da derrocada nos valores do barril de petróleo, que declinam para o patamar de 31 dólares, nesta quinta-feira, 12, a Petrobras anunciou que vai reduzir o preço da gasolina em 9,5%, ou 0,16 reais o litro, e do diesel em 6,5%, para 0,125 o litro. A redução se dará nas refinarias a partir da sexta-feira 13, e impactará todas as praças no Brasil.

Esta é a sétima vez no ano que a empresa promove reajuste em preço no litro da gasolina; e a quinta vez que altera o valor do diesel. O ajuste mais recente foi em 29 de fevereiro, quando a empresa reduziu em 4% o preço do litro da gasolina; e em 5% o valor do litro do diesel, nas refinarias.

O barril do petróleo está se desvalorizando diante da guerra de preços protagonizada pela Arábia Saudita e pela Rússia. A estatal passa por um momento de desinvestimentos, com foco em ativos estratégicos, e produziu 2,32 milhões de barris por dia em janeiro, segundo dados do Painel Dinâmico da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

“O primeiro semestre do ano está perdido. Neste momento, a situação é muito complicada, muito parecida com o que vimos em 2009, na crise do subprime“, diz Adriano Pires, sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

A volatilidade do mercado faz com que as ações da Petrobras sangrem neste pregão. Os papéis preferenciais da petroleira brasileira são os mais negociados na B3 – registram recuo de 25%. Especialistas consultados por VEJA acreditam que o novo patamar do petróleo irá dificultar as negociações do governo para a venda dos ativos, além de inviabilizar a exploração do pré-sal por parte da Petrobras. “Se o preço continuar caindo, e o consumo de petróleo também cair, a situação pode ficar preocupante para a Petrobras. Pode ficar praticamente inviável o pré-sal”, diz Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset.